Rose Domingues

A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo

Por 22/09/2019, 07h:00 - Atualizado: 23/09/2019, 10h:33

Dayanne Dallicani

Colunista Rose Domingues

Mais de 4% da população mundial é composta por psicopatas, cerca de 300 milhões de habitantes, número maior que a população brasileira. Segundo especialistas, a cada 25 pessoas, uma é psicopata e o mais assustador é que a maioria está ocupando postos de comando na política, alto escalão de governos e empresas. Bem-vindo à Era Witzel, mira na cabecinha e mata.

Indigesta. Assim foi a cena do governador do Rio de Janeiro descendo de um helicóptero para comemorar a morte de um sequestrador. Houve quem concordasse. Mas eu me incomodei, não com o desfecho em si, que poupou vida de inocentes, mas com a forma como uma autoridade máxima daquele estado se posicionou publicamente: ele vibrou com a morte de outro ser humano.

Wilson Witzel, ex-juiz federal e um paladino da moralidade, diante de inúmeras críticas, justificou: ‘Polícia não mata inocentes’. Será? A morte da pequena Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos, na última sexta-feira (20), após ser baleada durante uma ação policial em uma favela carioca fez cair por terra essa teoria. Venho acompanhando as discussões sobre o embrutecimento da polícia como forma de garantir mais segurança, porém é uma decisão bem controversa.

Afinal, em um estado democrático de direito, onde não há pena de morte, como escolher quem vai viver ou morrer? O ‘bandido’ teve direito ao contraditório e à ampla defesa? Qual o critério dos policiais para mirar na cabecinha e matar? É inegável que a nova leva de psicopatas eleita e aclamada pelo voto popular no Brasil é muito mais ousada e se sente totalmente confortável para adotar o homicídio como política pública.

A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva escreveu um livro sobre o perfil psicopata (Mentes perigosas, o psicopata mora ao lado), como meio de alertar sobre os efeitos nocivos de se conviver com esse tipo de vilão com pose de mocinho. Ele costuma estar no lugar e hora certos e conquista a confiança de todos em prol de algo maior (como fez Hitler na Alemanha). 

No entanto, a motivação de uma mente psicopata é conquistar poder, dinheiro e prazer. Eles são predadores naturais nos ambientes onde vivem e fazem qualquer coisa para alcançar seus objetivos. Nem sempre têm as mãos sujas de sangue, mas costumam ter bilhões de reais (ou dólares) em paraísos fiscais à custa de corrupção com o dinheiro público, por exemplo. São sedutores, inteligentes e inescrupulosos. 

Sabe aquele entrevistado excepcional para a vaga de trabalho? Há uma grande chance de ser um psicopata, porque o ambiente competitivo empresarial é perfeito para a atuação de quem passa por cima de qualquer coisa para obter lucro. Já a área da política, na avaliação de Ana Beatriz, é um reduto de psicopatas desde a Grécia antiga: mentirosos compulsivos, ladrões despudorados e manipuladores da opinião pública.

Nelson Rodrigues dizia que ‘o dia que as pessoas de bem tiverem a ousadia dos cafajestes o mundo muda’. Mesmo que a maioria da população não seja psicopata, vem sendo governada por mentes doentias, seja por falta de educação ou de consciência. Psicopatas não se importam com a fome, a pobreza ou a destruição dos recursos naturais (entre eles, a água).

“Onde há poder, há psicopata”. Para reverter o problema, a especialista acredita que é preciso conhecer primeiramente o perfil. O psicopata possui um modus operandi muito típico, ele sempre planeja o que quer. Possui uma mente privilegiada, tanto que ao se candidatar para uma vaga em uma empresa, costuma ser de longe o mais cognitivamente preparado. Adota inclusive uma estratégia de sedução usando a roupa certa e dizendo exatamente o que o entrevistador deseja.

Um psicopata não leva em consideração ninguém mais além dele mesmo, porque é incapaz de sentir amor ou compaixão. Por isso, eu me pergunto, é preciso realmente matar pessoas para promover segurança? Esse raciocínio faz sentido?

Na segunda etapa, uma vez na empresa, o perverso faz um estudo de território, identificando quem são os componentes importantes e as pessoas próximas do poder. Seduz quem está no entorno sendo amigável, solícito e um ombro amigo. No próximo nível, promove a discórdia, manipula pessoas, faz chantagem, mas se mantendo camuflado. Apenas na quarta etapa ele vai para o confronto e se mostra, com o intuito de tomar o poder.

Catraca Livre, 22 de julho de 2018: "Eles não viram que eu estava com a roupa da escola, mãe?”. Marcus Vinícius, 14 anos, assassinado pela polícia do Rio de Janeiro. O pai do adolescente contou que ele estava indo para a escola, mas resolveu voltar para casa após ouvir os primeiros tiros disparados do helicóptero da polícia. Foi alveado na barriga quando chegava à residência e se deparou com o caveirão.

Um psicopata não leva em consideração ninguém mais além dele mesmo, porque é incapaz de sentir amor ou compaixão. Por isso, eu me pergunto, é preciso realmente matar pessoas para promover segurança? Esse raciocínio faz sentido? Como cidadãos, vamos ficar paralisados enquanto milhares de psicopatas e afins saem dos armários da sua própria ignorância e egoísmo para bradar contra pobres, negros, gays, índios, mulheres e trabalhadores? De que lado eu estou?

'Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira’. Nesta madrugada, às 04h50, começa a Primavera no hemisfério sul. Sou uma otimista e acredito que em meio a este inverno rigoroso de perversidades vão desabrochar novas flores e uma nova ordem mundial. Aceitaremos finalmente o convite feito por Jesus: Amar ao próximo como a si mesmo. Amar é sem dúvida, nos dias atuais, é o maior ato revolucionário e o que nos distingue dos psicopatas. 

Rose Domingues Reis é jornalista graduada pela UFMT, especialista em Liderança e Coaching – MBA pela Unic, com formação em Psicologia Positiva pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC) de São Paulo e escreve exclusivamente neste espaço aos domingos. E-mail: rosidomingues@gmail.com

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