Rose Domingues

A viagem dos sonhos com pouco dinheiro

Por 19/01/2020, 07h:00 - Atualizado: 19/01/2020, 07h:14

Dayanne Dallicani

Colunista Rose Domingues

O primeiro ponto a se esclarecer é que viagem não é gasto, quando bem planejada, é investimento. Viajar é uma experiência de grande aprendizado cultural, mental, emocional e até financeiro, porque não podemos fazer tudo e estar em todos os passeios e lugares.

Viajar é uma experiência de grande aprendizado cultural, mental, emocional e até financeiro, porque não podemos fazer tudo e estar em todos os passeios e lugares

Vamos desmistificar. Esse projeto não é coisa de gente rica, ou seja, se você abrir mão do hotel cinco estrelas e da lagosta com Chandon, pode ter certeza que conseguirá conhecer lugares incríveis e fazer passeios maravilhosos guardando uma pequena parte da sua renda mensal.

Um ponto importante a se considerar: escolha com pelo menos seis meses de antecedência qual o seu destino. Em geral, eu listo três lugares para onde eu gostaria de ir naquele ano, costumo viajar na baixa temporada, entre agosto e outubro, porque é mais em conta e menos lotado.

A dica número um, portanto, é definir para onde deseja ir sozinho ou com a família. Em seguida, passe para a número dois: acompanhar os preços das passagens aéreas semanalmente (coloque um ‘alerta’ de promoções no celular) para os destinos da sua preferência. Comprar as passagens baratas é fundamental e também quitar qualquer parcelamento antes da viagem.

Como ainda é janeiro, a terceira e importantíssima dica é  avaliar, conforme o roteiro escolhido, quanto vai ter de dinheiro para “investir” e já iniciar uma poupança. Esse recurso precisa estar separado, eu abri uma conta digital (Nubank) onde deixo o dinheiro rendendo (mais que a poupança) e com liquidez instantânea. Se guardar 150 reais, até outubro terá mais de 1,5 mil reais.

Observe na sua rotina o que é possível economizar ou cortar em nome da viagem

Observe na sua rotina o que é possível economizar ou cortar “em nome da viagem”. A família certamente embarcará e vai curtir essa trajetória (digo por experiência própria), o que gera um grande aprendizado para a vida financeira dos filhos. Como todas as conquistas da vida, eles entenderão de modo prático o que é resiliência: abrir mão do prazer momentâneo (como comer um hambúrguer) para obter algo maior!

A não ser que pretenda fazer um mochilão pela América do Sul, Europa ou algo nesse estilo, a quarta dica é ficar no máximo sete dias, pois são suficientes. Se for com crianças e adolescentes, mais um motivo, porque pode ser estressante estar em uma ambiente diferente. Em 2016, passei 16 longos dias longe de casa, não quero repetir!

Comecei a poupança, escolhi o destino e até já consegui um preço ótimo nas passagens, qual o próximo passo? Pesquise minuciosamente os pontos turísticos do local, entre eles, passeios, preços, tabela de marés (se for mergulho/flutuação), vida cultural, se tem shows, peça de teatro, bares, restaurantes, transporte, etc.

É a terceira vez que estou no Rio Grande do Norte, onde me hospedo no hotel da família e não pago (um custo importante a menos), que é um dos meus estados do nordeste preferidos, com belezas estonteantes. Também quis rever locais místicos onde estive há 8 anos (como a Árvore do Amor e o mergulho em alto-mar em Maracajaú, no litoral norte). Por mais que já conheça, tudo está sendo novo!

Viajar é curativo. Já viajei muitas vezes com pouco dinheiro (...) de noite eu passava no mercadinho para comprar legumes e fazia sopa. Eu mesma preparava nosso café da manhã com leite, pão e manteiga

“É para o baú das boas memórias, mamãe?”, indaga Julia. É que ensinei às crianças que nossas viagens geram emoções positivas que ficam guardadas na memória, para serem usadas cada vez que estivermos tristes. “Feche os olhos e viva aquele mergulho, sinta novamente a brisa do mar batendo nos seus cabelos, o barulho das ondas, a nossa risada mais gostosa, o grito no passeio pelas dunas, as conchinhas na areia da praia...”. Assim, a cada viagem, ressignificamos a própria história, gerando muitas sinapses cerebrais maravilhosas e que liberam o peso da violência, do medo e das frustrações. (é verdade esse bilhete!)

Viajar é curativo. Já viajei muitas vezes com pouco dinheiro, comprei as passagens para o Rio de Janeiro, reservei uma quitinete simples (mas limpa) no posto cinco, divisa com o Leblon, em Copacabana, e fomos felizes comendo em restaurante por quilo, dividindo milho verde, de noite eu passava no mercadinho para comprar legumes e fazia sopa. Eu mesma preparava nosso café da manhã com leite, pão e manteiga!

Na segunda vez no Rio, deixei a Julia se divertir pensando em um roteiro para nós, que deveria ser um pouco diferente da primeira vez que lá estivemos. Realmente foi legal fazer o pedalinho na Lagoa Rodrigo Freitas e a tirolesa no Parque da Catacumba (escolhas dela). O mais incrível foi incentivar a minha filha a descobrir os roteiros, ver horários e localização, ou seja, uma verdadeira aula de vida!

Foi assim que fiz quando fui para Morro de São Paulo, na Bahia, em outubro de 2018, e garanti uma boa hospedagem (em hostel – alguns são muito baratos e bons!), colocação na embarcação sem enfrentar fila e tumulto no local de embarque (comprei antecipado via celular) e como fui sozinha fiz muitas amizades com pessoas de vários locais do país (São Paulo e Minas Gerais) e do mundo (espanhóis e uruguaios).

A sexta dica é para escolher pousada, hotel ou mesmo "hostel" com bastante cuidado. Hoje existem aplicativos no celular que mostram avaliação por preços, classificação (por estrelas) e recomendação, ou seja, quando é bom as pessoas recomendam e deixam comentários (leia todos!). Preste atenção nos detalhes e veja o custo/benefício inclusive em relação à localização.

No mais, a sétima dica é relaxar, você está de férias! Não seja totalmente rígido, porque muitos imprevistos podem acontecer, como o voo atrasar (aconteceu comigo recentemente) e você perder parte de uma programação. Ao pisar o pé no aeroporto, pense firmemente: é melhor ser feliz do que estar certo, permita-se ser mais leve.

O poeta Mário Quintana dizia que “viajar é trocar a roupa da alma”. Concordo com ele, desde que a gente tome a decisão e faça o planejamento tudo é possível. Estou subindo um degrau, quero embarcar em uma viagem internacional. Será que vou conseguir? É meio loucura?

Outro poeta, Fernando Pessoa, responde: “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer. Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura (...)”. Portanto, invistam bem seu dinheiro e tempo , invistam em seus sonhos, viajem!

Rose Domingues Reis é jornalista graduada pela UFMT, especialista em Liderança e Coaching – MBA pela Unic, com formação em Psicologia Positiva pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC) de São Paulo e escreve exclusivamente neste espaço aos domingos. E-mail: rosidomingues@gmail.com

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