Rose Domingues

Yoga para estressados e acelerados, como eu

Por 26/01/2020, 07h:35 - Atualizado: 26/01/2020, 07h:51

Dayanne Dallicani

Colunista Rose Domingues

 

O meu primeiro contato com a yoga aconteceu há dez anos, época em que ficar parada e em silêncio por mais de três minutos parecia uma eternidade. De repente estava lá, sentada no tapetinho, fazendo respirações intercaladas entre a narina esquerda e direita, movimentos lentos, em um ambiente aconchegante, cheiroso e com professores firmes e muito calmos. Era um desafio, mas eu gostei.

Viviane foi a minha primeira professora, hoje ela mora em Campo Grande (acho que é isso), continuo seguindo o perfil dela nas redes sociais. De todos os conhecimentos mais marcantes da vida, Viviane me trouxe um: reaprender a respirar.

Que coisa maravilhosa! Aliás, a ciência afirma que a respiração é a fonte da vida, por isso o maior desafio da prática é nos levar à atenção total do ato que até então fazemos involuntariamente ou você pensa para respirar?

Quando nascemos, nós respiramos naturalmente assim: o ar entra pelas narinas devagar, simultaneamente mantemos o diafragma contraído (músculo entre a cavidade torácica e a cavidade abdominal) e, com isso, a barriga se enche, os pulmões se expandem e o ar sai novamente pelo nariz. Essa é a respiração diafragmática. A prática sistemática dessa respiração aumenta nossa capacidade cerebral e tranquiliza.

Nesse período de aprendizado, tive outros professores igualmente dedicados, como a Yasmine, a Lígia, o Rolando, a Mari, e recentemente a Manu. Com o Rolando tive absoluta certeza de que yoga não é apenas ginástica, vai muito além.

“A brisa do amanhecer tem segredos para lhe contar”, ensinava Rumi de Bactro, um poeta, jurista e teólogo sufi persa do século 13. Assim, Rolando iniciava a aula questionando a pessoa que estava dentro de mim, estaria ela desperta? Feliz? O que “meu eu” tem a dizer? Por mais racional, inevitavelmente a combinação de penumbra, música ambiente e a voz do instrutor me faziam chorar (sou emotiva).

O tipo de som faz muita diferença durante a yoga, digo porque uma das professoras era excelente, inclusive mais exigente com as posturas, o que me fez crescer muito em alguns meses do ponto de vista físico: esticando mais e tendo força redobrada! Porém, senti falta de algo fundamental: o elemento místico e espiritual.

Yoga é uma prática interessante, complexa, porque se torna uma filosofia de vida e uma forma de oração

Rose Domingues

Mesmo insistindo, não conseguia ter expansão de consciência ouvindo “Sade” e outras músicas populares ou eletrônicas. Estava tão travada e irritada com a aula que, por fim, desisti. Também tive bastante dificuldade com o estilo mais natural e sem música, que lembra meditação budista. Nenhuma das formas me tocou em profundidade naquele momento.

Mantras, mudras, meditação, sinos, velas e dinâmicas (como usar vendas e apenas ouvir e sentir a aula). Inúmeras técnicas realmente funcionam para silenciar a mente agitada, trazendo mais consciência e conexão para quem é, como eu, muito acelerado.

Parte da aula do Rolando, por exemplo, era dedicada à entonação de mantras que é uma sílaba ou poema, normalmente em sânscrito e que se originaram do hinduísmo. Entre eles, o mais comum é o "OM" ou "Aum" (som do infinito).

No começo eu não conseguia cantar, morria de vergonha. Depois, o mantra passou a ser a chave da minha prática: me ajuda a permanecer no momento presente. Os pensamentos - e muitos deles carregados de emoções - vêm naturalmente. Eles parecem maquinhos travessos gritando e batendo na jaula (a mente). E quando me proponho a ficar em silêncio, eles aumentam. A técnica de usar o mantra para me manter no ‘aqui e agora’ funciona. 

Outra curiosidade diz respeito às posições das mãos e dos dedos. Quantas vezes você uniu as palmas das mãos em prece, para orar ou se conectar com Deus? Esta é uma das formas de usar o mudra, símbolo sagrado que vem da antiguidade como forma de nos comunicar com os outros seres humanos e o universo. Podem parecer simples, mas eles contribuem com a saúde, o equilíbrio e a cura.

Já entrei e saí da aula de yoga inúmeras vezes, o que pouco importa, pois me sinto caminhando gradativamente na prática que me traz efeitos benéficos e mais qualidade de vida. A cada nova experiência tudo que aprendi faz mais sentido e se torna uma parte de mim. Utilizo a técnica da respiração para relaxar em momentos de tensão e medo, resgatar o sono em noites em claro e oxigenar o cérebro para ativar a criatividade.

Mais recentemente, conheci a professora Manu, que tem uma voz tão suave que me faz ficar na posição mais difícil e acrobática (para um corpo tenso e rígido) rindo! Ela sempre explica que as expressões faciais impactam nas energias e hormônios que circulam pelo corpo, se contraímos e fazemos caretas estamos emitindo sinais importantes (e negativos), por isso sorriam! Relaxem!

Como proposta para 2020, ela lançou aulas abertas ao público no sábado, às 7h, na pracinha do bairro Jardim das Américas, em Cuiabá, onde a brisa da manhã, a textura da grama, o céu azul, o barulho dos pássaros e os raios do sol nas árvores fazem da prática algo ainda mais prazeroso e contemplativo! Sei que também existem opções gratuitas nos fins de semana no Parque Mãe Bonifácia (com outros instrutores).

“Sabe qual o pré-requisito para praticar yoga?”. Após breve pausa, Manu apenas sorri e responde: “Respirar”. Todos os seres humanos que respiram (e vivem) podem fazer, independente de idade ou condição física, porque o objetivo principal é que cada praticante avance individualmente e se mantenha no momento presente.

Ela explica que a sonhada flexibilidade vem, mas não é o principal, já que o intuito é utilizar os exercícios para conhecer melhor a si mesmo, despertando consciência corporal e mental. Durante a aula, o convite é sempre olhar para onde dói, que partes estão mais rígidas, que lado do corpo encontro mais resistência, consigo me manter em uma posição de equilíbrio por quanto tempo?

Avance pouco a pouco e respeite os seus limites. Pare quando sentir dor, não foque no seu colega, observe a si mesmo. Se caiu não tem problema, tenha paciência, retome a posição e abra um sorriso. Vire devagar, sinta cada movimento, expanda e contraia, busque a harmonia, permaneça sempre mais um pouco e, principalmente, fique aqui comigo (diz a voz), estamos juntos neste momento que é um presente!

Posso assegurar, todos os exercícios realizados proporcionam um estado físico, mental e energético ótimos e que podem ser utilizados em momentos da vida. “Quem usa a yoga como ginástica – o que é muito agradável e eficaz - está comendo a casca e jogando o miolo fora”, ensinava o professor Hermógenes, um militar, escritor, professor brasileiro, divulgador do hatha ioga.

Yoga é uma prática interessante, complexa, porque se torna uma filosofia de vida e uma forma de oração: “Não queira ser melhor que os outros, seja melhor para os outros”. Fica o convite!

Rose Domingues Reis é jornalista graduada pela UFMT, especialista em Liderança e Coaching – MBA pela Unic, com formação em Psicologia Positiva pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC) de São Paulo e escreve exclusivamente neste espaço aos domingos. E-mail: rosidomingues@gmail.com

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Comentários (2)

  • Severino Cavalcanti Barbosa | Segunda-Feira, 27 de Janeiro de 2020, 16h05
    1
    0

    Olá! Parabéns pela publicação! Tenho uma dica que pode ajudar seus leitores; Muito melhor que falar de Yoga é praticar Yoga! Quer ter acesso a uma aula de mais de uma hora 100% GRATUITA e conhecer todos os benefícios que o Yoga nos proporciona? Acesse esse link e surpreenda-se com essa MARAVILHA para sua SAÚDE física e mental chamada YOGA: http://bit.ly/auladeyogatotalmentegratis

  • Marcelo | Domingo, 26 de Janeiro de 2020, 23h03
    1
    0

    Texto bastante motivador! Deu até vontade de praticar!! Parabéns

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