Sirlei Theis

A renovação na política aconteceu. Será?

Por 30/12/2019, 09h:45 - Atualizado: 30/12/2019, 09h:53

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

 

O ano de 2019 chega ao fim e é hora de desacelerar um pouco, avaliar vários aspectos não só da vida pessoal, como também da situação política de Mato Grosso e do Brasil. Como articulista, aproveito o último artigo do ano para lançar uma reflexão não sobre este ou aquele tema ocorrido ao longo dos últimos 365 dias, mas sobre a tão almejada renovação na política que começou pra valer nas eleições de 2018, um ano de muitas expectativas em relação a uma possível mudança na política brasileira. O combate a corrupção foi a onda surfada por muitos candidatos, alguns vitoriosos. O maior símbolo desta onda, a Senadora Selma Arruda, acabou 2019 cassada, triste caso que entra pra historia da politica mato-grossense como a maior decepção que o eleitor já viveu. Mas vamos aos fatos.

À primeira vista, a ideia que se tem é de que ocorreu uma grande renovação na política brasileira. A Câmara Federal, por exemplo, reelegeu pouco mais que 50% dos deputados eleitos em 2014. Já no Senado Federal apenas um em cada 4 candidatos a reeleição conseguiu retomar a cadeira. A média nacional de reeleitos foi um pouco superior a 50%, no caso da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, os reeleitos ficaram abaixo disso, somando pouco mais de 40%.

Sem entrar na seara da postura dos “novos” eleitos como parlamentares, ressalto que a tão esperada renovação foi bem menor do que imaginávamos de acordo com um estudo realizado pelo Blog sigalei.com.br. Quando considerarmos os retornantes, que são aqueles que estavam afastados da política e os detentores de outros mandatos, como vereadores por exemplo, percebe-se que a situação é bem diferente. O estudo mostra que apenas 17% dos deputados estaduais eleitos em todo o Brasil em 2018 são de fato “estreantes” na política.

Como a maioria dos eleitos já faziam parte do sistema, passado o primeiro ano da legislatura, qual a avaliação que podemos fazer sobre essa renovação? Ela de fato aconteceu ou apenas elegemos mais dos mesmos? Qual foi a prioridade nas votações nas casas legislativas, as necessidades do cidadão ou as demandas de interesse do governo?

Tem pré-candidato ao senado que acabou de ser eleito, não teve nem tempo de mostrar para que veio e já rasga o voto e a confiança que recebeu do eleitor. Esse comportamento não reflete a mudança almejada pelo cidadão, é a assinatura inconteste do mesmo dos mesmos

Sirlei Theis

No Estado de Mato Grosso, embora a suposta “renovação” tenha sido de 58,4%, o Governo não teve nenhuma dificuldade em aprovar a grande maioria de seus projetos de lei que tramitaram na Assembleia Legislativa, mesmo aqueles eivados de vícios, como foi o caso da Lei que decretou o Estado de Calamidade Pública Financeira, situação que posteriormente não foi reconhecida pelo governo federal, medida que gerou prejuízos incalculáveis aos fornecedores, servidores públicos e ao comércio do Estado. Um projeto aprovado logo no inicio do mandato da suposta renovação, tema que tratei aqui no meu segundo artigo. Percebe-se que os estreantes, mesmo aqueles bem intencionados, em sua maioria foram engolidos pelo “sistema”.

O que acontece no Poder Legislativo de Mato Grosso, se replica também em outros Estados onde a “velha” política ainda está no controle e segue forte garantindo que o modelo existente, mesmo que reprovado pela população, se perpetue.

Agora, as vésperas de uma eleição suplementar para o senado federal, em razão da cassação da Senadora Selma Arruda, nos deparamos com o comportamento de inúmeros pré-candidatos que ainda não entenderam que as coisas na política estão mudando, mesmo que de forma tímida. Se Selma Arruda tivesse entendido isso, ainda estaria no cargo.

Tem pré-candidato ao senado que acabou de ser eleito, não teve nem tempo de mostrar para que veio e já rasga o voto e a confiança que recebeu do eleitor. Esse comportamento não reflete a mudança almejada pelo cidadão, é a assinatura inconteste do mesmo dos mesmos. A simples possibilidade de ocupar um novo posto, tráz a amnésia eleitoreira, esquecem rapidamente que assinaram um contrato de 4 anos com a população no momento que foram diplomados. Na minha opinião, nestes casos, deveriam ser afastados de seus cargos definitivamente independentemente de serem eleitos ou derrotados nas novas eleições. Talvez isso freasse um pouco o ímpeto de muitos que querem agora surfar uma nova onda, pelo visto ainda não entendida.

A Senadora Selma Arruda, foi eleita com uma votação expressiva, o que demonstrou de forma clara o descontentamento da população em relação a velha política. Eleitores que acreditaram na mudança e que vão continuar acreditando. Independente da cassação daquela que era a esperança, penso que estes eleitores voltarão as urnas ainda mais seletivos e isso sim vai definir quem vai levar a vaga ao senado.

A leitura que faço desse momento é que o sentimento de mudança que começou em 2018, vai continuar em 2020 e depois em 2022. O Brasil quer e merece políticos éticos, qualificados e que de fato se preocupem com o melhor para o coletivo.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (2)

  • Joel de Aquino | Segunda-Feira, 30 de Dezembro de 2019, 21h55
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    Mais um artigo que chama a atenção de quem gosta de se manter informado e ter um lado critico de tudo que diz respeito ao nosso dia/dia. Parabéns.......Até a próxima segunda feira

  • Gonçalina | Segunda-Feira, 30 de Dezembro de 2019, 15h01
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    Sou sua fã Sirlei, gosto muito da su fala, você é objetiva e usa de muita clareza. Amo ler o seu artigo.

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