Sirlei Theis

Aeroporto não é lugar de professor, disse o governador

Por 01/07/2019, 06h:53 - Atualizado: 01/07/2019, 07h:01

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

 

Quando acordamos pela manhã nem imaginamos os detalhes do dia que teremos pela frente.  Esta é uma das grandes graças da vida, a incerteza que nos ronda e embala nossos sonhos mais íntimos. Não podemos afirmar nada e nada deveríamos esperar. Por isso a plantação é tão importante. Plantar sempre, afinal a colheita é obrigatória, seja vento ou tempestade. 

Na terça (25/06), quatro seres humanos (três mulheres e um homem) abriram os olhos pela manhã cheios de planos e projetos. Elas, professoras e ele governador do Estado do Mato Grosso. Não devem ter rituais matinais muito diferentes. Tomaram banho, escovaram os dentes, tomaram café da manhã e seguiram para seus compromissos diários. O dia já terminava, quando quis o destino que se encontrassem.

Elas a caminho de um seminário em Curitiba, ele a caminho de São Paulo. Vidas que se cruzaram no aeroporto de Várzea Grande onde uma das professoras retirou uma pequena faixa que estava em sua bolsa, com o dizer: “Estamos em Greve”, para surpresa delas, ele proferiu a frase que uso para retratar meu artigo. Do alto de suas verdades ele disse: O que estão fazendo aqui? Aeroporto não é lugar de professor.

Como assim? Onde é o lugar de um professor? Isso significa o que? O professor não tem direito a viajar de avião?

Esquece nosso governador, que se não fosse alguns professores que passaram pela vida acadêmica dele, não teria se tornado o empresário que é, tampouco estaria na função que está hoje, só por isso deveria ter o mínimo de respeito pela categoria.

É triste ouvir uma afirmação como essa da boca de qualquer pessoa, mas ouvir da boca da maior autoridade do Executivo de um Estado é decepcionante.

Sou filha de professora da rede pública de ensino e atualmente minha mãe, mesmo aposentada, continua trabalhando na área da educação.  Posso afirmar que ser professor é mesmo um sacerdócio. Cresci vendo a dedicação e também abdicação da família em detrimento das muitas horas de trabalho não só na escola, como também em casa na preparação de aulas, na correção de trabalhos, provas e muito estudo, pois para ensinar é preciso reciclar sempre.

A profissão de professor é uma das mais antigas do mundo e em alguns países, até nos dias atuais, é tratada com muito respeito e ser professor é motivo de orgulho e honra, com salários supervalorizados, diferente do Brasil.

Encontramos anotações na história, que a há 25 séculos, o filósofo Sócrates já ensinava as pessoas em locais públicos, como praças e Ginásios. Ele formou muitos discípulos e ensinou até Platão, outro grande nome da história. A primeira escola que se tem notícias foi fundada em 355 a.c, por Aristóteles.

O Governador Mauro Mendes, foi muito infeliz na colocação de suas palavras e mais uma vez demonstra o desprezo que tem por aqueles que o ajudam em suas atividades, esta replicando no governo o que fez com maestria na sua vida privada, onde teve empresas denunciadas por trabalho análogo a escravidão e onde deixou de pagar colaboradores e fornecedores, mesmo sendo apontado como sendo uma pessoa física milionária.

O empresário Mauro Mendes, entre preservar a sua riqueza individual e pagar os colaboradores, decidiu por não pagar ninguém. Desta forma não poderia ser surpresa para ninguém quando ele declarou a falência do Estado, o parcelamento do salário dos servidores e também dos fornecedores.

Hoje já entendemos que pagar os salários em dia, cumprir com o pagamento da RGA não eram promessas de campanha, eram mesmo palavras lançadas ao vento carregadas de irresponsabilidade e que faltaram com a verdade.  

Passaram-se 6 meses e até agora o Governador não mostrou a que veio. Até agora o que vemos é um piorado governo Taques, seu ex aliado, que ele havia acompanhado de perto e depois atacou com ferocidade na campanha eleitoral. Os gastos equivocados e desperdício continuam, as reformas necessárias, que de fato trariam economia, não tiveram início, mas a arrogância continua e a sua popularidade vem caindo mês a mês.

O que não para são as contratações de mais e mais comissionados, assim como também não cessa os ataques aos servidores.

A bola da vez agora são os professores que em greve são desqualificados, diminuídos e tratados com desdém e ironia como o caso ocorrido no aeroporto.

Mauro não pode esquecer que em 2022 certamente vai precisar dos mesmos eleitores que hora decepciona. Precisa se apressar e implantar logo uma gestão mais participativa e menos arrogante. Se nada mudar o que vai ficar mesmo é o discurso vazio, atrasado e populista.

Para encerrar cito o filósofo Aristóteles que um dia disse: “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”.

O tempo esta passando. Tic tac, tic tac, tic tac...

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (11)

  • Josemar alves | Quinta-Feira, 04 de Julho de 2019, 09h41
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    Kkkkk Nada como ter 4 meses de férias por ano. E o melhor de tudo!!! Pago com dinheiro do povo.

  • Ceriaco | Terça-Feira, 02 de Julho de 2019, 21h29
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    Drª achei o Artigo muito bonito, principalmente pela circunstância do momento, isso nos mostra a tamanha educação intelectual, e Ético do nosso governador Mauro Mendes, o mas interessante é que essa forma de tratamento aos profissionais de educação, nao demonstrava aquilo que o governador descreve nas suas proposta de campanhas durante a eleição 2018. Não o esqueça governador que o vento sopra para o Sul e para o Norte.

  • Hope | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 17h58
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    LCR exatamente isto que eu disse. O corretor do celular que brincou um pouco com minhas palavras, rss mas se tá de greve tem que estar mobilizado e pronto!

  • LCR | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 15h58
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    Não discuto isso nobre advogada e candidata derrotada nas últimas eleições, o contexto é: Se está em greve tem de ficar mobilizado no movimento no qual defende a categoria, não aproveitar a greve e viajar. Todos têm o direito de ir e vir, mas todos sabemos o contexto no qual o governador estava dizendo e olha que sou apartidario

  • Produtor Consciente | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 15h47
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    Em qual Pais a Drª viveu, durante a gestão de Pedrinho deixa rolá!!?

  • Produtor Consciente | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 15h41
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    Quanta hermenêutica em Drª divogada! parabéns! viva a OAB!!!

  • Hope | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 14h12
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    Quanto mínimo. O governador quis dizer que lugar de professor é em sala de aula. Simples assim. Não tá de greve? Então vá ficar em frente à SEC de educação sob sol.sou servidora pública e por estas e outras não faço mais greve, como estás muitos outros estão "descansando " e dando corda pra sindicalistas. Tô com o governador e não abro. Sindicato vai pagar a conta da babá que contratei pra ficar com as crianças no horário em que deveriam estar na escola. Menos, menos ...teoria é fácil.

  • Ana | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 13h56
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    Ótimas palavras Sirlei

  • Gilmar Ferreira Rodrigues | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 10h33
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    Não me admira esse tipo de comportamento dos políticos a tática é a mesma sempre quando em campanha prometem algo que sinceramente jamais irá se cumprir cabe ao eleitor banir da políca pessoas como a figura do senhor Mauro Mendes era sabido por todos que suas empresas estavam falidas ao invés disso a maioria optou em eleger o senhor Mauro Mendes e em grande parte os próprios servidores públicos ou por ignorância ou alguns por motivos pessoais, sou académico de Medicina veterinária na UFMT e por muito tempo venho acompanhando a política em Mato Grosso o repertório é sempre o mesmo a população não acorda para as decisões seja do município, Estado ou mesmo da própria União falta censo crítico e mais Educação a população Matogrossense.

  • Claudia | Segunda-Feira, 01 de Julho de 2019, 10h23
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    Parabéns Sirlei você é uma pessoa muito sábia belas palavras.

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