Sirlei Theis

Botão do pânico

Por 09/03/2020, 08h:10 - Atualizado: 09/03/2020, 08h:15

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

Ela é morena, bonita, cabelos cacheados e atriz. Cristiane Carvalho, é uma mulher de talento e assim como a maioria dos brasileiros precisou trabalhar muito para vencer na vida e realizar o sonho de viver de arte. Poderia ser mais uma história de sucesso se não fosse a história que Cristiane viveu num relacionamento. Casada com um empresário rico e ex-diplomata ela vivia os horrores de um relacionamento abusivo. As agressões ocorreram já antes do casamento, mas o pedido de perdão e as promessas de mudanças fizeram com que ela consumasse o casamento.

Desde o início do casamento as agressões começaram e com apenas quatro meses de casados o caso veio a tona depois que ela espalhou câmeras pela casa do casal e conseguiu registrar as agressões. As cenas ganharam a TV e Cristiane ganhou uma “suposta” liberdade, pois o medo a acompanhava o tempo todo lhe mantendo prisioneira. Foram muitas ameaças não só a ela, como também aos seus familiares. Ela lutou e conseguiu. Hoje o botão do pânico lhe acompanha em todos os lugares. O dispositivo lhe permite sair de casa, trabalhar e ter vida social, mesmo que ainda tenha medo.

Pude ouvir este relato dela mesma, num evento que participei no Rio de Janeiro. Ela contou que no primeiro dia que pegou o dispositivo, ele disparou anunciando que seu agressor estava por perto. Logo a polícia entrou em contato, dando todo o suporte que precisou, o que lhe permitiu testar a importância e garantia do botão do pânico.

Eu, como qualquer pessoa que conhece de perto a vulnerabilidade em que vive uma vítima de violência doméstica depois da denúncia, com certeza fico na torcida para que isso aconteça o mais rápido possível

Sirlei Theis

O que me frustra é que enquanto pessoas como Cristiane encontram coragem para sair de casa justamente por terem à mão um dispositivo desses, em Mato Grosso ainda estamos aguardando a lei que regulamente a questão.

Em dezembro do ano passado o Governador Mauro Mendes vetou a lei que criava o dispositivo “botão do pânico” no estado. A justificativa foi de que ela tinha vício de iniciativa, que deveria ser proposta pelo executivo.

O projeto de lei é de autoria do deputado Delegado Claudinei e seguiu o trâmite legal na casa legislativa, além de ser aprovado pelos deputados nas duas votações.

Compreendo a justificativa do veto do governador por entender que de fato a matéria se trata de iniciativa privativa do chefe do Executivo, mas espero que o Governador Mauro Mendes, se ainda não deu início a outro projeto com a mesma finalidade, que o faça o mais rápido possível pois isso pode salvar a vida de muitas mulheres.

Eu, como qualquer pessoa que conhece de perto a vulnerabilidade em que vive uma vítima de violência doméstica depois da denúncia,  com certeza fico na torcida para que isso aconteça o mais rápido possível.

O projeto do deputado Delegado Claudinei previa a implementação do “Botão do Pânico” mediante ações integradas entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário na forma de parcerias e convênios. Um projeto muito bonito, que tiraria a mulher do cárcere e garantiria a distância do agressor.

Mato Grosso, de acordo com o mapa da violência divulgado no início de março, novamente figura como um dos Estados que mais mata mulheres no Brasil, perdendo apenas para o Acre e Amapá, que estão empatados no primeiro lugar. O botão do pânico poderá ser uma medida que irá colaborar para tirar o Estado dessa triste posição.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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