Sirlei Theis

Como vai seu casamento?

Por 21/10/2019, 07h:50 - Atualizado: 21/10/2019, 08h:57

 

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

Muitos já discorreram sobre o casamento, feras da escrita como Artur da Távola, Arnaldo Jabor e Augusto Cury, dentre outros. Eu, que vivi um relacionamento abusivo por quase nove anos, quanto mais estudo para entender esse fenômeno, mais aprendo sobre o casamento saudável e quero aqui deixar minha contribuição, sabendo é claro que quando o assunto é casamento não existe uma fórmula, tão pouco uma forma de fazer desta união algo duradouro e feliz.

Qual seria a receita para manter unidas duas pessoas que cresceram em ambientes diferentes, que tiveram criações diferentes, que muitas vezes vieram de classes sociais diferentes e invariavelmente pensam diferente

Qual seria a receita para manter unidas duas pessoas que cresceram em ambientes diferentes, que tiveram criações diferentes, que muitas vezes vieram de classes sociais diferentes e invariavelmente pensam diferente.

O problema geralmente está no inicio do relacionamento. Vivendo em casas separadas os dois se preparam ao máximo para um encontro. Um ritual que conta com perfume da moda, roupas bem passadas e cabelo impecável. Sapato brilhando, carro limpo e pronto, lá vai o casal para mais um encontro regado a amor e romantismo. Vale lembrar que nesta fase a academia de ginástica é um acessório que não pode ser esquecido.

A paixão dita o tom da relação. Nesta fase imaculados e perfeitos seres se relacionam num mundo habitado apenas e tão somente pela perfeição das máscaras que se apresentam, mas existe um limite de tempo para homens e mulheres sentirem os arroubos da paixão.

Uma pesquisa realizada na Universidade Cornell de Nova Iorque mostrou que os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados entre 18 e 30 meses. O estudo mostrou que este tempo é longo o suficiente para que o casal produza uma criança.   

Então vá com calma, por que invariavelmente os pequenos ou grandes defeitos do parceiro ou da parceira só vão ficar imperceptíveis por no máximo dois anos e meio.

Depois disso, muita coisa vai mudar e o que vai garantir que esse relacionamento dure, será a inteligência emocional do casal para lidar com as diferenças.

Amar as qualidades de alguém é uma tarefa simples, o duro é amar os defeitos e, para isso, necessariamente é preciso desenvolver a empatia e aprender a se colocar no lugar do outro.

Quando um casal resolve se casar, com certeza, terá que abrir mão de desejos pessoais para construir um projeto a dois, se não for assim não funciona, mas é preciso ficar atento, pois isso não significa que um passa a ser dono do outro

Num mundo, cada vez mais individualista, temos que ficar atentos às armadilhas do “eu” e começar a pensar um pouco no “nós”.

Quando um casal resolve se casar, com certeza, terá que abrir mão de desejos pessoais para construir um projeto a dois, se não for assim não funciona, mas é preciso ficar atento, pois isso não significa que um passa a ser dono do outro. A individualidade de cada um deve persistir e precisa ser respeitada pelo parceiro.

Com a chegada dos filhos, mais mudanças acontecem e as viagens a dois que eram frequentes, dão lugar às da família. As idas aos restaurantes, podem se transformar em idas ao pediatra, ao obstetra, ao ginecologista. O tempo fica curto, pois as necessidades de ambos acabam por impedir pequenos luxos, pequenos prazeres e é nesse momento que o amor precisa estar presente, pois, somente a paixão não resiste.

Quando a vida a dois começa de fato e de direito, tudo muda. A academia pode até persistir por um tempo, mas basta o primeiro filho para que tudo mude. Como deixar o pequeno e se esbaldar entre pesos e esteiras, mãe que é mãe não consegue e o pai precisa dar o apoio necessário, então esqueça a academia, pelo menos por um tempo.

E por falar em filho, geralmente numa gravidez, a mulher engorda alguns quilos e pra perder leva um bom tempo ou as vezes não perde quase nada.

Se o relacionamento era pautado pela beleza, pela estética, tem tudo para naufragar entre fraldas, cabelos despenteados, mau humor, noites em claro, roupas mal passadas e pequenos detalhes impensados na época da paixão.

Neste momento, entra em cena um ingrediente que é fundamental para a vida a dois, o amor inteligente. Se ele não existir, não existe casamento.

O amor inteligente é o único ingrediente que não é egoísta, que não prende ou pressiona o outro, enquanto que a paixão doentia, aprisiona, humilha, julga, diminui, ofende, pressiona, puni, cobra, é muito exigente e competitiva.

Não perca de vista sua história, sua família, seus amigos. Entenda que um relacionamento a dois ou um casamento é uma união e não uma fusão e principalmente que ambos precisam estar no mesmo nível, um não pode estar numa posição inferior ou de subordinação ao outro.

A dependência do outro não vai fazer bem a ninguém, pelo contrario, alguém vai se anular e a tristeza provocada por esta situação invariavelmente vai gerar consequências desastrosas para o relacionamento.

Pense nisso e pare de reclamar do parceiro ou da parceira. Se o prazo de validade da paixão venceu, não tem jeito. A única saída vai ser mesmo aquela que apenas o amor pode indicar. Viva, ame e seja feliz.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (1)

  • Gonçalina | Terça-Feira, 22 de Outubro de 2019, 21h16
    4
    0

    Obrigada Sirlei por suas palavras, elas sempre me ensinam um pouco mais.

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