Sirlei Theis

Confronto de Ideias - Mulher debatendo política

Por 14/10/2019, 00h:00 - Atualizado: 14/10/2019, 07h:56

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

Dia 8 de outubro, participei do programa de televisão, “Confronto de Ideias”, apresentado pela Socióloga Christany Fonseca, na TV Gazeta, com a participação da gestora pública Bárbara Pinheiro. Mulheres debatendo sobre questões políticas, deveria ser, mas não é muito comum até os dias atuais e, os temas abordados pela apresentadora foram relevantes.

A política vai muito além de um mandato ou pela busca dele, é muito mais abrangente. Envolve questões do dia a dia, homens e mulheres são regidos por políticas públicas, sejam elas educacionais, profissionais, sociais, assistenciais, normas e leis.

Desta forma, como a mulher faz parte da sociedade e sofre os reflexos das decisões definidas pela política, nada mais justo que participar efetivamente dessas questões, seja mediante o debate ou da política partidária.

No programa, falamos de assuntos como o da nova lei de Abuso de Autoridade e seus reflexos, a cassação da senadora Selma Arruda e sobre o próximo pleito eleitoral no município de Cuiabá.

Recebi um feedback positivo da repercussão do programa, principalmente por mulheres debaterem sobre assuntos políticos em geral e não apenas de assuntos relacionados a políticas públicas para mulheres.

E pensar que até bem pouco tempo, nós mulheres sequer tínhamos direito ao voto. No Brasil, somente em 1932, as mulheres casadas conquistaram o direito ao voto, desde que fosse com a autorização do marido e somente em 1934, as viúvas e solteiras passaram a ter esse direito.

O voto obrigatório foi estendido para todas as mulheres somente em 1946, fruto de muita luta em busca de direitos de cidadania para a mulher, que começou antes mesmo da proclamação da República.

Exatamente por essa causa, que a participação da mulher na política ainda está muito vinculada a tratar de assuntos de gênero, mas a grande verdade é que estamos preparadas para muito mais que isso.

Embora em número bem menor que o de homens em cargos de poder e decisão, as mulheres têm se destacado nessas funções, mesmo que em muitos casos ainda recebe menos que eles.

A mulher está preparada não só para o debate sobre questões políticas, como também para participar da política partidária efetivamente

Sirlei Theis

Vejo, que a mulher está preparada não só para o debate sobre questões políticas, como também para participar da política partidária efetivamente, porém o principal empecilho ainda é o machismo inconsciente que por si só já exclui a mulher das rodas de conversas e das possibilidades de pleitear um cargo político e assim, ela acaba se acomodando e focando em outras prioridades. 

Mesmo insatisfeitas com governos que não priorizam a sociedade como deveriam fazer e tampouco investem em ações que proporcionem o desenvolvimento da população, a grande maioria delas, segue alheia, sem querer se envolver, porque de certa forma trazem “crenças” em seu subconsciente de que a política partidária é um ambiente masculino. Afinal, fomos criadas para acreditar nisso.

Falo por experiência, porque até bem pouco tempo, eu também pensava dessa forma. Eu me considerava bastidor e me sentia satisfeita com o resultado. Minha satisfação sempre foi de “fazer” e ver o fruto do meu trabalho resultando numa melhor prestação de serviço para a sociedade, mas fui impedida de fazer muita coisa, que poderia ter ampliado ainda mais esses benefícios.

Não demorou muito para eu perceber que as coisas precisavam ser diferentes e esse sentimento crescia, conforme eu enxergava o desperdício do recurso público, ocasionado pela ineficiência e corrupção de gestores.

Tudo isso despertou em mim a vontade de entrar para a política partidária, pois me sinto capacitada para “fazer” muito mais, do que já fiz sem poder político, mas sempre que essa vontade surgia eu mesma dava um jeito de esconde-la, porque me ensinaram que a política partidária não era lugar de mulher.

A partir de então, foquei nas políticas sociais e foi exatamente a ausência de políticas efetivas nessas áreas, que me levou no ano e 2018, a decisão de me filiar a um partido político, o Partido Verde, que resultou 3 meses depois, na minha candidatura a vice-governadora do Estado do Mato Grosso, ficando em segundo lugar.

Se eu tinha dúvidas de que está na política a possibilidade de se implementar grandes ações transformadoras para a população, agora não tenho mais, porque mesmo sem ser eleita, eu não parei, meu projeto cresceu, muitas parcerias se formaram para leva-lo ao maior número de pessoas e chegou ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no Senado e nessa semana vou estar na secretaria Nacional de Políticas para Mulheres em Brasília, levando dentre outros o projeto Supere-se.

Ainda este ano vou palestrar em dois eventos nacionais, um em João Pessoa, em 15 de novembro e outro em Brasília, em 7 de dezembro. 

Desta forma, da para ver que mesmo sem ter sido eleita, a política já abriu portas para eu desenvolver um trabalho que tem transformado vidas, não só em Mato Grosso, como em outros Estados da Federação.

E, para concluir, respondo a pergunta que tenho recebido de muitas pessoas acerca de uma possível desistência minha da política partidária, por conta do meu projeto. Quem me conhece intimamente sabe muito bem que eu não desisto de nada, sou impulsionada pelo desafio,  então, além de continuar na política partidária, agora na condição de secretária Estadual do PV Mulher MT, recebi uma oportunidade ímpar de fortalecer a mulher na política, porque sei que a força está na união, na sororidade.

 Entendo que a mulher precisa ocupar o seu espaço na política para continuar tratando de questões de gêneros sim, mas temos muitas mulheres preparadas para debater qualquer assunto e para fazer parte da política partidária de igual para igual com os homens, e por isso, eu sou responsável.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (1)

  • Marta | Segunda-Feira, 14 de Outubro de 2019, 10h30
    1
    0

    Concordo e muito com tudo isto,temos capacidade sim,não somos melhores que os homems,nem piores em fazer política,mas,tenho certeza que juntando o conhecimento e experiências vivenciadas em campos opostos,quando somadas,a sociedade ganha como um todo.

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