Sirlei Theis

Consciência ambiental já

Por 09/09/2019, 07h:15 - Atualizado: 09/09/2019, 11h:11

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

Diante do calor que enfrentamos nos últimos dias, somado a baixa umidade relativa do ar e as nuvens de fumaça que encobrem nossa Cuiabá, me lembrei de um filme que já assisti diversas vezes, até porque o meu esposo Luiz Fernando, é apaixonado pelo filme e vira e mexe está assistindo.

A ação do homem é mesmo implacável

Falo do filme “O Livro de Ely”, que desde o início, retrata um mundo destruído pela ação do homem. A primeira cena do filme mostra um lugar onde é preciso máscara para respirar, as arvores estão mortas, a água está escassa e poluída e a morte ronda tudo e todos.

A ação do homem é mesmo implacável, pois embora o filme seja uma ficção, o que estamos vivendo nos últimos dias é muito real e, cenários como o do filme, podem se tornar um fato num futuro breve. Enfrentamos nos últimos dias ondas de calor de até 47°, com umidade relativa do ar equivalente ao Deserto do Saara, contudo com uma grande diferença, pois quem vive lá, está preparado para o clima, enquanto que nós, não temos a mínima estrutura para suportar tal clima. São poucas as residências, comércio e locais de trabalho que possuem umidificadores de ar, que possam minimizar os efeitos do clima que se apresenta nos últimos dias.

A ganância do homem dá sinais de que a “ficção” “de fato” pode virar realidade e irá nos destruir enquanto raça, se não fizermos algo para mudar essa realidade logo.

Ao ver a nossa Chapada dos Guimarães, que mesmo diante de tudo que se investiu para garantir a sua preservação e segurança, queimando e encoberta de fumaça é de cortar o coração.

Um sol para lá de quente aliado a umidade do ar lá embaixo formam a combinação perfeita para a proliferação do fogo. Assim basta um gatilho para tornar a ação incontrolável

 O pior de tudo, é saber que a maioria dos focos de incêndio não acontecem por ação da natureza, mas sim, por uma ação do homem, como por exemplo, uma bituca de cigarro jogada na beira da estrada ou aquela pequena queimada que o produtor resolve fazer em sua propriedade e, aquilo que a princípio poderia ser algo insignificante, pode resultar em grandes queimadas.

Um sol para lá de quente aliado a umidade do ar lá embaixo formam a combinação perfeita para a proliferação do fogo. Assim basta um gatilho para tornar a ação incontrolável, como o que aconteceu no município de Vera no ultimo final de semana. Não se sabe como o fogo iniciou, mas muito se perdeu e o prejuízo para muitos foi incalculável. Um monstro que começa pequeno e insignificante e se transforma num enorme e incontrolável devorador. É assim o fogo.

Sofre o meio ambiente, sofrem as pessoas e os animais. Não existe sistema respiratório que resista a tamanha poluição. Quem passa por uma situação dessa conhece de perto o significado da palavra impotência.

Culpar o Poder Público por tudo é muito fácil, mas a questão aqui é muito mais complexa, pois a situação que se apresenta é o resultado do comportamento da ação de toda a sociedade.

É claro que o Poder Público tem a sua responsabilidade e deve ser cobrado, mas são pequenas ações do cidadão, que podem fazer toda diferença e evitar que queimadas e tragédias como essas ocorram.

O mato-grossense precisa urgentemente investir na consciência ambiental

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Centro da vida, o Estado de Mato Grosso lidera as queimadas no Brasil, com 13.682 focos de calor acumulados até o mês de agosto, tendo um aumento de 87%, comparado ao mesmo período do ano passado. O que demonstra que o mato-grossense precisa urgentemente investir na consciência ambiental da sociedade, para assim evitar que a ficção vivida por Ely se torne uma realidade.

As futuras gerações com certeza irão pagar o preço pelo que estamos fazendo com o meio ambiente. Qual o mundo que nossos tataranetos terão que enfrentar. Será que eles viverão na pele o dilema do fictício Ely. O certo é que tudo vai depender da nossa ação, da nossa geração. Talvez já esteja passando da hora de criminalizar para valer as ações que agridam o meio ambiente e coloque em risco toda a nossa existência.

Pensemos nisso.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (1)

  • Raul Alves Arruda Santos | Segunda-Feira, 09 de Setembro de 2019, 15h49
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    Boa tarde Shirley elogio seu artigo sobre o meio ambiente consciência ambiental já, E a relação que fez com o filme O LIVRO DE ELI, Um homem cego “nós”, o cenário um mundo destruído “o nosso”, com uma missão proteger um livro “ o conhecimento”, alguns dizem ter um apelo a religiosidade, não discordo totalmente dessa maneira de se ver este filme, porém sou mais pragmático do que religioso e teria de acrescentar mais um ponto de vista a essa película cinematográfica. Acredito que a explicação dos fatos que estão acontecendo atualmente nas nossas florestas é bem mais complexa, pois o homem cego que representa a nossa sociedade, que está cega de tanta informação de origem duvidosa, e que defende grupos de interesses diversos, e ataca os nossos de se desenvolver uma consciência ambiental real e sustentável, nega aos Brasileiros e a outros Cidadãos do mundo a real proporção do problema ambiental que representa no filme a luta. Manter o meio ambiente protegido de ameaças depreende, conhecimento “o livro”, o meio ambiente “o cenário”, “e Eli “ vontade social organizada. Pois bater no peito e dizer que temos a Amazônia, Pantanal, Cerrado entre outros paraísos naturais não é só para nos orgulharmos, temos sim é que nos preparar com conhecimento e vontade social organizada para encontrarmos a melhor maneira de preserva-las para as futuras gerações e garantir que os benefícios de sua exploração seja cada dia mais sustentável e mais nosso. É ter paraísos é bom mais custa caro, e o conhecimento é o caminho para que isso seja possível Aa unidades de conservação, possuem responsáveis por elas em algumas é o instituto chico mendes e outras outros responsáveis, que deveriam ter como objetivo usar de conhecimento para preserva-las, pois recebem recursos financeiros para isso públicos ou privados. Ter um parque nacional ou qualquer área que se deseja preservar tem um planejamento estratégico para se defender de ameaças um floresta, uma área de cerrado ou até mesmo uma plantação de soja precisa de manejo adequado , não é simplesmente cercar e deixar lá , tem que se fazer aceiros em volta delas , recolher ao matéria orgânica em decomposição que ´material inflamável em potencial o prejuízo foi menor nas áreas de plantação do que nas unidades de conservação porque os agricultores sabem o valor do que tem nas mãos se preparam e acumulam conhecimento. As nossas unidades de conservação “UC” e parques nacionais “PARNAS” estão malcuidadas mal exploradas sem entrar em questões políticas para não estender. E deixando um bom exemplo para mostrar que é possível a Reserva Particular do Patrimônio Natural do SESC Pantanal ainda resiste, não digo que não vai queimar, mas se queimar eles vão analisar onde está o erro e no outro ano isso não acontecerá novamente. espero que leia minha simples contribuição, e que lhe agrade obrigado.

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