Sirlei Theis

E a família? Como vai?

Por 19/08/2019, 12h:09 - Atualizado: 19/08/2019, 17h:03

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

A família vai bem. Essa é a resposta que gostaríamos de ouvir, mas será que a família vai bem mesmo?

 Se a família não vai bem, com certeza a sociedade também não vai

Com tantas opções interessantes que existem no momento, promovidas principalmente pela internet, como mídias sociais, TV a cabo, jogos, dentre outros, o que mais temos visto atualmente é um amontoado de estranhos habitando o mesmo espaço.

É triste ver essa realidade porque se a família não vai bem, com certeza a sociedade também não vai e aí, quando acompanhamos diariamente o que tem acontecido no âmbito familiar é desesperador, pois é o reflexo da desestrutura familiar.

A célula mater da sociedade é composta hoje por membros de duas eras, os pais que eram analógicos e precisaram se modernizar para acompanhar o desenvolvimento do mundo e os filhos que já nasceram na era dos bits e bites e estão cada dia mais acelerados. A verdade é que nós não estávamos preparados para educar nossos filhos, nessa transição da evolução da tecnologia, tudo aconteceu rápido demais. A globalização das informações e a avalanche de novidades lançadas diariamente, têm sido motivos do afastamento das pessoas. O que temos visto é o crescimento dos relacionamentos com desconhecidos, as conversas trocadas nas mídias sociais acabam sendo mais profundas e completas do que a troca existente no ambiente familiar. Aos pais, é muito cômodo naquele momento que o filho está exigindo muito deles, colocar o celular em suas mãos, pois assim ele ficará quieto e aquilo que era só alguns minutos no início, acaba por se tornar rotina de muitas horas.

No dia dos pais, fui almoçar com meu esposo e minha filha em um restaurante e me chamou a atenção, a família que se sentou numa mesa próxima a nossa. Mãe, pai e três filhos, sendo um de colo. Assim que se instalaram, os dois filhos mais velhos e o pai se entregaram ao celular. Nenhuma conversa, nenhuma troca, apenas olhares perdidos na tela e sorrisos solitários, cada um em seu mundo, a mãe dividiu a atenção com o bebê e o celular. Dia dos pais, todos juntos e tão distantes ao mesmo tempo.

Isso é preocupante, pois a família é a maior e mais antiga instituição que existe e se não estiver estruturada, reflete diretamente no desenvolvimento da sociedade e, pensando nisso, a igreja católica promoveu a semana nacional da família, com o tema: A família, como vai? Com uma programação extensa, igrejas de todo o Brasil, se movimentaram na semana do dia 11 a 17 de agosto de 2019, para tratar de assuntos relevantes que envolvem a família.

A igreja preocupada com o aumento desenfreado da violência doméstica, colocou dentro da programação esse tema e a Pastoral da Família do Município de Primavera do Leste, organizadora da programação naquele município, me convidou para ministrar a palestra SUPERE-SE, em uma audiência pública, realizada em parceria com a Câmara Municipal, no dia 14 de agosto.

A advogada Mariele Muniz, uma das minhas parceiras desse projeto, que visa reestruturar famílias envolvidas no ciclo da violência, me acompanhou na viagem. No Horário marcado, o carro da pastoral chegou para nos buscar e desde o princípio fomos recebidas com muito carinho pelo casal Kleber e Luciana Lazzari, também pelo Flávio e todos os membros da Pastoral, o Padre Eanes e seus seminaristas. Ao chegar na Câmara Municipal, fui surpreendida, ambiente lotado, diversos seguimentos. O Legislativo, parceiro da Pastoral na organização do evento, representado pelos vereadores, o executivo, a igreja católica, a evangélica, o Ministério Público e a sociedade organizada, todos participando efetivamente dos debates após as palestras. Esse é mesmo o caminho.

Enquanto o agressor não se enxergar como um agressor, enquanto ofender, humilhar e diminuir sua companheira e continuar se colocando em posição superior naquele relacionamento, a violência continuará imperando em nosso meio

Me surpreendi novamente porque o que geralmente ocorre são ações isoladas que poderiam atingir um resultado muito maior se fossem integradas. No caso do combate à violência dentro da família, somente encontraremos a solução quando a sociedade se conscientizar da importância de sua participação efetiva, pois todos nós “de certa forma” contribuímos para essa realidade que se apresenta. O pensamento machista que habita em nós (homens e mulheres), somente será vencido se de fato a sociedade se envolver nesta discussão. Esta não é uma responsabilidade exclusiva do poder público, mas de toda a sociedade. Por isso, a mudança depende do envolvimento das igrejas, escolas, universidades, empresas, terceiro setor e com certeza do poder público. Primavera do Leste conseguiu colocar tudo isso em prática e tenho certeza que este encontro, esta audiência pública vai produzir resultados altamente positivos. Ressalto que não adianta esperar que somente a edição de leis possa mudar essa realidade, se não mudarmos o principal, que é o modelo de pensamento e compreensão da sociedade sobre essa questão, que se reproduz de geração para geração.

Enquanto o agressor não se enxergar como um agressor, enquanto ofender, humilhar e diminuir sua companheira e continuar se colocando em posição superior naquele relacionamento, a violência continuará imperando em nosso meio.

Chegou a hora de todos nós revermos nosso comportamento e fazer a nossa parte para construirmos um futuro diferente para nossos filhos.

Pare tudo que você esta fazendo. Faça uma análise detalhada de sua vida e responda: Como está sua família?

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (2)

  • Joel de Aquino | Terça-Feira, 20 de Agosto de 2019, 17h54
    1
    0

    Muito bom, vale a pena uma reflexão. PARABÉNS

  • Gonçalina | Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 20h35
    1
    0

    Parabéns Sirlei, gosto muito de ler seu artigo

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