Sirlei Theis

Libertação

Por 03/02/2020, 07h:16 - Atualizado: 03/02/2020, 07h:20

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

No último artigo que escrevi, falei sobre o medo que aprisiona física e emocionalmente uma pessoa a um relacionamento abusivo. Muitas pessoas entraram em contato por estarem vivendo relações tóxicas ou abusivas e outras porque conheciam alguém e queriam saber o que fazer ou como fazer?

É muito natural a pessoa não saber o que fazer nestas situações porque existe envolvimento emocional e isso tanto quando acontece consigo mesma, como quando acontece com alguém próximo.

O primeiro passo e o mais importante de todos é reconhecimento/aceitação. Considero o mais importante porque é o mais difícil. A pessoa geralmente vem de um processo de dependência emocional e  perdeu a capacidade de decidir por ela mesma

Exatamente por isso que criei alguns passos para serem observados tanto pela vítima, como por alguém próximo que queira ajuda-la. Os passos para superação, foram desenvolvidos com base na minha experiência pessoal e também de outras mulheres que atendi nos últimos 4 anos.

O primeiro passo e o mais importante de todos é o reconhecimento/aceitação. Considero o mais importante porque é o mais difícil. A pessoa geralmente vem de um processo de dependência emocional e perdeu a capacidade de decidir por ela mesma. Tal situação acaba sendo incompreensível para outras pessoas, que até tentam ajudar, mas acabam desistindo, pois não conseguem assimilar tal comportamento.

Reconhecer que está vivendo um relacionamento abusivo envolve tantas coisas que as vezes acaba sendo mais fácil esperar mais um pouco para dizer um basta. Infelizmente essa espera pode leva-la a morte e invariavelmente a vítima vira mais um numero nas estatísticas de feminicídio. As desculpas para continuar naquela relação são as mais variadas: ele é uma pessoa boa, só faz isso quando bebe, fui eu que dei motivos pra ele explodir e por ai vai.

Reconhecer é o mesmo que aceitar, que fez escolhas erradas e que também é responsável por aquilo que está vivendo. Sim, exatamente isso, ao mesmo tempo que aceita que é vítima de um abusador, tem que encarar que também é responsável por estar naquela condição. Não tem como sair de algo se não reconhecer que está neste local ou situação.

O segundo passo é buscar ajuda. Geralmente as vítimas de relacionamentos abusivos acabam se afastando dos amigos e familiares. Num primeiro momento a ajuda pode vir de uma amiga ou amigo. No meu caso, tive uma amiga que praticamente me sequestrou de dentro de casa. Depois é necessário buscar a ajuda de profissionais, que possam lhe preparar emocionalmente para a decisão que terá que tomar. Em muitos casos há necessidade também de orientação jurídica. Na rede pública esse atendimento é encontrado nos CRAS/CREAS e Defensoria Pública.

O terceiro passo é auto responsabilização. Ao trabalhar a responsabilização a vítima sairá da condição de vitimismo. Irá se fortalecer e entenderá que o poder de mudar aquela situação está em suas mãos. Quando se trabalha a auto responsabilização por meio do autoconhecimento, a mudança de um pode mudar também o outro e relacionamentos serem reestruturados.

Terá que se ver como uma pessoa suficiente e capaz de realizar o que quiser

O quarto passo é a autoestima. Dentro de um relacionamento é necessário o equilíbrio entre o casal. Nenhum deles pode estar em condição de submissão ao outro, pois essa situação gera um desiquilíbrio entre o casal. Nos relacionamentos abusivos é comum a vítima perder completamente o controle de sua vida e por consequência também perde a autoestima, deixando de acreditar em sua capacidade de realizar sozinha.

Para ela conseguir dar o próximo passo terá que se ver como uma pessoa suficiente e capaz de realizar o que quiser.

O quinto passo é agir com cautela e segurança. Nunca se sabe exatamente até onde o agressor pode ir. Por isso, sempre é recomendável cautela no agir para garantir a segurança. Quando a vítima segue esses passos, estará mais segura e menos propensa a se arrepender e ceder as pressões psicológicas.

Tenho tratado em detalhes de cada um desses passos em minha palestra e nas mentorias que faço. A cada dia me convenço mais que sair do ciclo da violência não é uma tarefa fácil, mas com boa vontade e acompanhamento é sim possível recomeçar, mas tudo começa no reconhecimento, um passo que infelizmente a vítima precisa dar sozinha.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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