Sirlei Theis

Não violência contra a mulher. Supere-se

Por 02/12/2019, 09h:55 - Atualizado: 02/12/2019, 10h:32

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

Na semana em que se comemorou o dia da “não violência contra a mulher”, eu tive o privilégio de ver o meu nome e o projeto supere-se, citados pelo Senador Wellington Fagundes, no plenário do Senado da República, num evento preparado especialmente para tratar do tema. O Senador ainda deu destaque ao fato de ter aprendido muito sobre a questão, na ocasião em que fomos candidatos ao Governo do Estado do Mato Grosso, em 2018, principalmente ao definirmos nosso plano de governo para esta área no Estado. O pronunciamento teve destaque no site do Senado e em outras mídias nacionais ao ressaltar a importância e necessidade de envolver o homem não só nos debates como também nas ações de combate a violência contra a mulher.

Este tema é complexo e tenso o que leva muitas pessoas a não se envolverem

Como militante da área quero aqui parabenizar o Senador Welington pelo posicionamento, uma vez que este tema é complexo e tenso o que leva muitas pessoas a não se envolverem, principalmente os homens. Infelizmente para muitos o envolvimento só chega quando uma mulher que faz parte do núcleo familiar sofre algum tipo de abuso.

Como ex-vitima de violência doméstica posso afirmar que ninguém está livre deste tipo de crime pois toda mulher é uma “vítima” em potencial, independentemente da classe social, grau de instrução ou idade. É um tipo de violência que pode atingir a todas da mesma forma, por isso o tema deveria ser de interesse de toda a sociedade, pois só assim, seria possível projetar um futuro diferente para as mulheres.

Neste processo de  combate a violência contra a mulher o homem é de suma importância para essa luta, principalmente porque na maioria dos casos “ele” é o “agressor”.

A mulher como “vitima” da violência, precisa da proteção e a garantia de um atendimento adequado em todas as esferas da administração pública, bem como a orientação para se proteger e evitar um relacionamento abusivo. As ações hoje existentes não estão obtendo o resultado almejado, sendo necessário muito mais.

Outro ponto a ser debatido é o machismo reproduzido de geração em geração por  homens e mulheres, se não mudarmos este comportamento produzindo uma verdadeira mudança social vamos avançar muito pouco ou quase nada no combate a violência contra a mulher. Alias não há como se falar em combate se homens e mulheres não pararem para reavaliar o seu comportamento enquanto seres humanos, até porque, o pensamento machista já toma conta de todo o núcleo familiar, o que acaba por colocar a figura do homem em posição superior a da mulher. Essa relação de superioridade e submissão vista como uma questão natural, dificulta para a mulher identificar que está em um relacionamento abusivo, principalmente nos casos onde a violência “física” ainda não se apresenta.

O preconceito que se vê em relação a violência contra a mulher é tão latente, que impede as pessoas de se envolverem com a causa. Nos eventos que tratam o tema dificilmente as “vítimas” e “agressores” participam. Geralmente apenas as pessoas que trabalham com o tema se envolvem com a questão.

Entendo, que o Poder Público, precisa sim fazer sua parte, investir intensamente em programas de combate a violência contra a mulher, melhorar a infraestrutura para o atendimento às vítimas em todo o País e também rever a legislação penal, prevendo penas mais severas para os agressores.

A grande mudança vai acontecer quando toda a sociedade entender que também é responsável pelo cenário que se apresenta, havendo a necessidade de uma mudança geral no padrão de comportamento

Porém, a grande mudança vai acontecer quando toda a sociedade entender que também é responsável pelo cenário que se apresenta, havendo a necessidade de uma mudança geral no padrão de comportamento, a começar pela própria mulher, que precisa se enxergar em seus relacionamentos como um ser humano de direitos e valores iguais ao do homem e nunca como uma pessoa submissa ou inferior.

Pensando nisso, o projeto Supere-se, foi desenvolvido para ir a todas as pessoas, homens e mulheres, em todos os seguimentos da sociedade, propondo uma auto reflexão e isso tem resultado em mudança de pensamento e comportamento. A receita é simples uma linguagem não agressiva e uma história de vida que tem inspirado pessoas.

O projeto Supere-se, será apresentado essa semana (04/12), em Brasília em um evento nacional, promovido pelo Movimento Ordem e Progresso – MOP, na Câmara federal, mais um importante passo nesta cruzada pessoal de mobilização social, trabalho este que convido você a conhecer e participar. Se eu consegui, você também pode, bem vinda ao mundo onde a superação é possível e viável. Desde o inicio esta foi minha escolha, apresentar um caminho seguro para toda mulher que decidir dar um basta e a todo homem que aceitar se tratar. Investir na recuperação da família, célula máter da sociedade deve ser um compromisso de todos nós.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (1)

  • Joel de Aquino | Segunda-Feira, 02 de Dezembro de 2019, 11h02
    1
    0

    Parabéns.....Tenho observado, através de depoimentos os benefícios que essas palestras tem proporcionado, por isso resolvi fazer com que fosse ministrada também em Colíder , no dia 20/12, e boa parte da população aguardam com uma certa ansiedade Mas uma vez PARABÉNS, que continue..!!! Pois os benefícios tem sido grande.

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