Sirlei Theis

Pioneiros, um desafio

Por 23/12/2019, 07h:41 - Atualizado: 23/12/2019, 07h:50

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

 

Pioneiro é aquele que abre o caminho, um descobridor, aquele que é o precursor. Na última semana inúmeros municípios de Mato Grosso comemoraram a data da emancipação político administrativa. Até o final da década de 70, boa parte das cidades do nortão do estado, faziam parte do município de Chapada dos Guimarães. Cidades que começaram se formar ainda no inicio da mesma década, quando os primeiros moradores chegaram à região.

Tive a oportunidade de conversar com muitos desses desbravadores no último final de semana quando estive na cidade de Colíder a convite, justamente, da associação de moradores e pioneiros da cidade. A associação realizou um grande evento e a palestra Supere-se fez parte das atividades. Falar sobre superação para aqueles que superaram todas as adversidades do mundo e se instalaram no meio da floresta foi de fato emocionante e, ao ouvir as muitas histórias que me contaram, fiz uma grande reflexão sobre o que temos vivido ultimamente.

Temos uma geração que costuma reclamar muito. Reclama-se do transito que está lento, da rua que está esburacada, do sinal do celular que está fraco, do pacote de internet que acabou e a conexão ficou lenta, da estrada com acostamento precário, reclama-se do pedágio e da falta dele, dos políticos e daqueles que ingressam na política, enfim reclama-se de tudo e de todos.

Fico imaginando aqueles pioneiros que na década de 60 e 70 se dirigiram para a região norte de Mato Grosso, para implantar as prósperas cidades que hoje nos orgulham tanto. Será que a primeira picada, teria sido aberta na floresta se eles reclamassem da grossura das árvores, será que a primeira casa teria sido erguida se eles pensassem na falta de energia elétrica, nas onças, mutucas e afins?

Por estas e outras, temos mesmo que nos orgulhar desses homens e mulheres que deixaram sua terra natal e partiram em direção ao nada. No caminho destas famílias incertezas, imprevistos e nenhuma expectativa. O que fez com que eles dessem certo foi a capacidade de uma geração inteira de não reclamar, uma resistência aliada à resiliência que fizeram toda a diferença. Plantaram no coração da Amazônia um sonho que floresceu e frutificou.

Ao acompanhar o evento realizado pelo brilhante Joel de Aquino e todos da associação de moradores e pioneiros de Colíder, pude mais uma vez comprovar como estes valorosos homens e mulheres de fato são especiais.

Fica a dica, quando você pensar em reclamar de algo em sua vida, imagine como foi o trabalho dos pioneiros. Imagine as viagens dos bandeirantes que saiam de São Paulo em direção a Cuiabá. Quantos obstáculos não precisaram ser vencidos por Paschoal Moreira Cabral e seu grupo! Enfim, precisamos nos lembrar daqueles que nos precederam e honrá-los. Isso mesmo, honrar os que primeiro chegaram, devemos isso a eles e a atitude da Associação dos Pioneiros em viabilizar a homenagem dos primeiros que chegaram com o Título de Cidadão Colidense é digna de elogios.

Fica a dica, quando você pensar em reclamar de algo em sua vida, imagine como foi o trabalho dos pioneiros

Sirlei Theis

O tempo passa e as facilidades estão cada vez mais a nossa volta e isso não pode nos enfraquecer a ponto de criarmos uma geração inteira de reclamões e pessoas incapazes de serem pioneiros de si mesmo.

Em Colíder conheci famílias que chegaram a região depois de duas, três, até quatro semanas de viagem. Será isso possível nos dias atuais? Teríamos novas cidades se dependêssemos da atual geração? Quero acreditar que sim. Quero acreditar que ainda temos pessoas capazes de se embrenhar em terrenos desconhecidos em prol da coletividade. Vamos aprender com os pioneiros e com o exemplo de cada um deles. Pessoas que no auge da força e juventude fizeram o que era preciso e hoje podemos nos orgulhar do trabalho de cada um.

Em cidades como Colíder ainda podemos encontrá-los pelas ruas, bater um papo e ouvir boas histórias. Talvez na sua cidade isso também seja uma realidade, então aproveite e sempre que possível pare um pouco e procure um pioneiro para conversar, garanto que além de boas histórias você vai descobrir que aquele velhinho tem uma energia vital sem fim e que tem muito a te ensinar.

Eu mesma sou filha de uma pioneira, a Professora Dulci Theis de Almeida, a primeira professora do povoado de Santo Antônio do Rio Bonito, distrito do município de Nova Ubiratã.

Então a todos os pioneiros de Colíder e de cada cidade brasileira, minha eterna gratidão por serem os verdadeiros transformadores desse Brasil.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (2)

  • Joel de Aquino | Quarta-Feira, 25 de Dezembro de 2019, 21h47
    1
    0

    Parabéns pelo texto, retrata a saga e os desafios de varias pessoas do nortão, a cada dia que passa venho observando o quanto essas escritas não podem passar despercebidas

  • Citizenship | Segunda-Feira, 23 de Dezembro de 2019, 08h19
    0
    2

    Se os "pioneiros" não reclamassem das situações que consideravam que os incomodavam, não teriam saído de suas cidades de origem em busca de novos caminhos e oportunidades. Reclamar é a primeira etapa do processo de construção da consciência da necessidade de produzir mudanças. Alguns articulam-se para mudar os ambientes em que vivem. Outros, abrem-se a percorrer novos caminhos e buscar nova vida em situações diversas. Pretender que as pessoas vivam "contentes" é pretender pessoas sem capacidade de sonhar, de inovar, de criar. A criatividade começa com a reclamação e a perspectiva de a realidade pode ser melhor do que a que se encontra. Viva o direito de reclamar. É a fonte primeira da própria democracia.

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