Sirlei Theis

Pode denunciar. Quem tem dinheiro não vai preso

Por 24/06/2019, 07h:35 - Atualizado: 24/06/2019, 07h:40

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

 

No último dia 15, foi a vez do empresário William Wesley Lelis Vieira nos mostrar a que ponto pode chegar a barbárie humana. O caso ocorreu em Taquatinga-DF e teve repercussão nacional, principalmente porque retrata muito bem a falta de sensibilidade do ser humano, que está focado muito mais no ter do que no ser.

William não obteve o desconto pretendido na compra de 3 inocentes balões. Eis que ele decidiu dar uma de “espertão” e fugir com os balões sem pagar. Aproveitou a oportunidade quando a sua acompanhante estava com os balões dentro do carro, fechou o vidro e acelerou a Mercedes Bens avaliada em 220.000,00. O problema foi que os balões estavam presos no braço da vendedora, a Senhora Marina Isidoro de Moraes, de 73 anos, que foi arrastada por mais de 100 metros. Ao se apresentar na Delegacia o empresário disse que tinha feito uma “brincadeira”. Como assim, uma brincadeira??? Desde quando uma tentativa de furto agravada por lesão corporal pode ser tratada como brincadeira.

O interessante é que a ficha do empresário foi levantada e não é das mais limpas, pois não é a primeira vez que se envolve em questões policiais. Há denúncias inclusive por violação à Lei Maria da Penha por ameaça de morte, denúncias de furto de luz, de água e sinal de telefone, dentre outras e já anunciou em outra ocasião que “não tem medo da polícia” porque “quem tem dinheiro não vai preso” e ele estava mesmo certo, afinal depois de ter feito tudo que fez, esperou sair do flagrante e se apresentou. Entrou e saiu pela porta da frente da delegacia, sorriso estampado no rosto. Para dona Marina sobraram inúmeras escoriações e o trauma de por muito pouco não ter perdido a vida.

Cinco reais, esse era o valor que o empresário não queria pagar, e por cinco reais ele quase tirou uma vida. É neste sentido que vou lançar a reflexão do artigo de hoje.

O triste é que o mundo está cheio de Willians por aí, que acham que a justiça não funciona para quem tem dinheiro

Sirlei Theis

Quando nos deparamos com uma situação como esta é impossível não se impactar, primeiro com a agressividade do ato e segundo com a falta de capacidade do ser humano exercitar a empatia, ou seja, de se colocar no lugar do outro antes de agir.

Só o fato dessa senhora de 73 anos estar vendendo os balões em um sábado a noite já demanda sensibilidade, pois se não precisasse daquela renda com certeza estaria em casa com a família e não trabalhando. Aí vem um suposto cliente de posse de seu carrão e por não conseguir o desconto que desejava, se achou no direito de levar os balões sem pagar.

Me pergunto nessas horas, onde está ficando a humanidade? O amor ao próximo? Onde vamos parar se as coisas continuarem desse jeito? O triste é que o mundo está cheio de Willians por aí, que acham que a justiça não funciona para quem tem dinheiro, que podem fazer tudo que quiserem e em muitas situações, literalmente “pagam para ver”, porque acreditam fielmente que vão se “safar” porque no Brasil a justiça só funciona para quem não tem dinheiro, enquanto isso a injustiça segue acontecendo nessa Matrix, onde impera o poder do “ter” e não do “ser”. Assim caminha a humanidade, enquanto dona Marina se cura do episódio, Willian segue livre e solto em algum canto desse mundão e a conclusão é que não precisamos de uma luz no fim do túnel, mas de luz nos corações.

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (1)

  • Jasson Borralho Paes de Barros | Segunda-Feira, 24 de Junho de 2019, 08h27
    2
    0

    Muito bem ponderado Drª. Sirlei, infelizmente os valores se perderam e quem tem mais pode mais, simples assim, a nossa "Justiça" é por demais protecionista e impura... estamos a beira do caos na humanidade, tenho receio de que precisemos de um fim, triste assim..

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