Sirlei Theis

Se fosse hoje o seu último dia, o que você faria?

Por 15/07/2019, 07h:27 - Atualizado: 15/07/2019, 07h:30

Dayanne Dallicani

Colunista Sirlei Theis

 

Somos rápidos no julgar e lentos no amar. Se soubesse que hoje seria o seu último encontro, o último adeus, a última conversa, a derradeira despedida, o que você faria, como agiria?

Às vezes dedicamos um tempo danado a responder alguém que nos conecta pelo watts e temos dificuldade para ir ao encontro daquele abraço, daquele beijo.

Às vezes dedicamos um tempo danado a responder alguém que nos conecta pelo watts e temos dificuldade para ir ao encontro daquele abraço, daquele beijo.

Peles que não irão se tocar nunca mais. Dedos e mãos que não irão se entrelaçar novamente. Abraços que não serão dados. Tudo pode mudar num instante.

O coração que deixa de bater nos deixa com a sensação de estômago vazio, um oco na alma. A vida que se vai acaba com muito do que estávamos planejando, muitos sonhos deixam de ter sentido, tudo muda numa pequena fração de tempo. Ui e já era, nada volta a ser como antes.

A vida é como um sopro, uma batida de coração nos separa da morte, mas geralmente a tratamos como se fosse eterna. Planejamos o futuro com a certeza que estaremos aqui e nos esquecemos muitas vezes de curtir os momentos bons, que poderíamos ter com aquelas pessoas que amamos. Um abraço e um eu te amo, antes de sair de casa para os filhos e esposa ou esposo, podem fazer toda a diferença, se aquela for a última vez.

Essa semana o Jornalista Paulo Henrique amorim, de 77 anos, morreu quando estava escovando os dentes antes de dormir, teve um infarto fulminante, não teve tempo de se despedir de ninguém.

O que aconteceu com o Jornalista, pode acontecer com cada um de nós, por isso não podemos deixar para amanhã para dizer eu te amo, para dar um abraço apertado naquelas pessoas especiais. Devemos nos estressar menos com os imprevistos que acontecem no nosso dia a dia e nos divertir mais com pequenas coisas, pois sãos esses momentos que de fato fazem a vida valer a pena.

Partir é mesmo inevitável e as vezes as coisas acontecem muito perto da gente e isso nos leva a uma profunda reflexão do que de fato é a vida. Na semana que passou uma pessoa que amo esteve na minha casa, foi embora como sempre, um adeus e um abraço. No dia seguinte ela passou mal e por pouco não nos deixou. Fiquei pensando em tudo que aconteceu e por isso estou compartilhando essa reflexão com você. Se de fato ela tivesse partido, aquele último encontro teria valido a pena ou eu teria ficado com aquela sensação de que deveria ter feito mais, amado mais, abraçado mais?

Essa semana o Jornalista Paulo Henrique amorim, de 77 anos, morreu quando estava escovando os dentes antes de dormir, teve um infarto fulminante, não teve tempo de se despedir de ninguém. O que aconteceu com o Jornalista, pode acontecer com cada um de nós

Um dia seremos nós, aqueles a serem surpreendidos pela inevitável visita da morte. Poderemos ser pegos de surpresa com a escova de dentes na boca, ou então numa esquina qualquer ou de um jeito qualquer. O certo é que precisamos nos preparar para este dia. Quando ele chegar que nos encontre com todos os abraços dados, com todos os toques e beijos distribuídos a cada um daqueles que amamos.

O problema é que seja o tolo ou o sábio, não sabemos e nem saberemos o momento que tudo irá se findar, então vamos amar, mas amar para valer, amar de corpo e alma. Vamos falar para as pessoas que amamos, vamos agir. Menos virtualidade e mais realidade, afinal não sentiremos saudades das curtidas, mas sim do toque. A postagem que não chegará mais, não terá grande importância, mas o encontro será eternamente esperado.

Te amo minha mãe Dulci, te amo meu Pai Miguel, amo minha filha Luna e minhas filhos do coração Aymme, Kauane e Fernando, amo meu marido Luiz Fernando e todos os seus e amo meu cachorro, minhas amigas e amigos, amos meus colegas de trabalho, a vida e o tempo. Amo minhas dores, minhas lutas, minhas conquistas e derrotas. Amo vocês e sei que sou amada e isso faz toda a diferença. Não importa o que aconteça e tão pouco quando, o que sei é que este parece ser mesmo o caminho, valorizar cada um e cada momento como se fosse o último, como dizia o poeta Renato Russo: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, por que se você parar para pensar, na verdade não há”. E aí, se de fato esse fosse o seu último dia, o que você faria?

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: sirleitheis@gmail.com. Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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Comentários (2)

  • Gonçalina | Segunda-Feira, 15 de Julho de 2019, 14h58
    2
    0

    Linda mulher, sábia, corajosa, e de um coração repleto de coisas boas e agradáveis. Amei a sua reflexão, é muito bom a gente ser lembrado de valorizar o que realmente importa na nossa vida.

  • Joel de Aquino | Segunda-Feira, 15 de Julho de 2019, 13h11
    3
    0

    Interessante esse artigo, boa oportunidade para a analisar o que diz o texto. Parabéns a autora

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