Vivaldo Lopes

A expansão econômica de Mato Grosso

Por 19/11/2020, 08h:02 - Atualizado: 19/11/2020, 08h:08

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

O IBGE publicou na semana passada o estudo Contas Regionais 2018, uma radiografia detalhada do comportamento da atividade econômica dos estados brasileiros em 2018. O trabalho faz também levantamento panorâmico da evolução do PIB dos estados no período de 2002 a 2018. O PIB de Mato Grosso teve crescimento excepcional de 4,3% em 2018, ficando atrás apenas do Amazonas (5,1%) e Roraima (4,8%). No mesmo ano, o PIB do Brasil cresceu apenas 1,8%. Em valores correntes, o PIB de Mato Grosso atingiu valor de R$ 137,44 bilhões, representando 2% do PIB nacional. Anteriormente a participação do estado era de 1,72%.

O motor do crescimento da economia mato-grossense foi a agropecuária e os chamados serviços correlatos como transportes, apoio à produção, pós-colheita e cadeia de suprimentos. Os principais produtos são a soja, milho, algodão herbáceo e pecuária (bovinos, frangos, suínos e produção de ovos). O setor de serviços responde por 63,3% do PIB estadual, a agropecuária por 20,9% e a indústria por 15,8%.

Na análise temporal de 2002 a 2018, Mato Grosso é destaque nacional, apresentando crescimento de 5,1% no período. No mesmo hiato de tempo, a economia brasileira cresceu à média anual de 2,4%.

Nas duas últimas décadas o capital agrícola migrou das regiões Sul e Sudeste para o Centro Oeste, região que se tornou o maior centro de produção de grãos e fibras do país. As boas condições edafoclimáticas, geografia favorável, boa oferta de crédito e pesquisa científica contribuíram para a atração de capitais para os estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Tocantins, que passaram a ocupar posições de campeões nacionais da produção agrícola. Posições que antes eram ocupadas pelos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Outra nova área de expansão da fronteira agrícola, que apresenta crescimento acelerado é a conhecida pelo acrônimo MATOPIBA, formada pelas iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Quando fazemos um recorte na análise do PIB somado dessa região, tem crescimento muito idêntico ao de Mato Grosso.

De 2018 em diante as condições de mercado para produtos agrícolas melhoraram. A demanda mundial está aquecida, Mato Grosso aumentou a produção agropecuária e expandiu suas exportações, continuando sua trajetória de crescimento elevado da atividade econômica.

Mato Grosso, o Tigre Pantaneiro, continua seu ritmo acelerado de crescimento econômico

Vivaldo Lopes

Dois fatores surgem da análise da série histórica. O primeiro são as notórias deficiências da infraestrutura logística para suportar o aumento da produção e das exportações. O segundo é o ritmo da industrialização em nosso estado, que não apresenta a mesma dinâmica do agro. A acelerada expansão econômica exige mais rodovias, hidrovias, ferrovias, aeroportos, comunicação em banda larga. Vagarosamente as administrações federal e estadual entregam à iniciativa privada, por meio de concessões, a construção e operação dessa infraestrutura que é de fundamental importância para a continuidade do ritmo de crescimento verificado no período analisado. Praticamente não utilizamos hidrovias para a comercialização da produção, a principal rodovia federal, a BR 163, teve apenas um trecho privatizado e a empresa concessionária não tem capital para executar os investimentos contratados. As ferrovias, exceto o trecho que liga Rondonópolis ao porto de Santos, são apenas projetos que ainda não saíram do papel.

A industrialização, tão necessária para o estado evoluir e se tornar uma economia desenvolvida, apresenta boa performance no setor de alimentos, de enérgica elétrica e, nos últimos anos, do etanol a partir do milho. Mato Grosso é um dos maiores compradores de máquinas e equipamentos agrícolas, colheitadeiras, tratores, caminhões, utilitários.  Mas as fábricas desses produtos estão no Sul, Sudeste e no vizinho estado de Goiás que implantou um bom parque fabril desses produtos.

A concentração de riquezas, desigualdades de renda e descompasso no desenvolvimento regional também são fatores que circundam o forte crescimento da economia estadual. Mas são assuntos que exigem mais reflexão e que pretendo abordar em outro artigo.

O resumo do samba enredo é: Mato Grosso, o Tigre Pantaneiro, continua seu ritmo acelerado de crescimento econômico. Mesmo sabendo que precisa, em algum momento, prestar atenção aos efeitos colaterais sobre a renda, sustentabilidade ambiental e regiões mais vulneráveis economicamente.

Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em  MBA Gestão Financeira Empresarial-FIA/USP  (vivaldo@uol.com.br)

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Comentários (1)

  • Celio Ferreira macedo | Quinta-Feira, 19 de Novembro de 2020, 09h01
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    2

    Um estado tao rico e próspero, que quando vc precisa de um soro contra picada de uma cobra vc nao encontra.....nossa que riqueza né ?

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