Vivaldo Lopes

Águia ferida

Por 30/04/2020, 07h:07 - Atualizado: 30/04/2020, 07h:12

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

O cenário econômico internacional apresenta sinais sombrios com a divulgação dos dados de desempenho das duas maiores economias do planeta: Estados Unidos e China.

Com menos de  60 dias desde o seu início, a atual crise é mais intensa e profunda que a de 2008, com um número nunca visto antes de pedidos de seguro desemprego e retração assustadora do consumo das famílias, principal motor da economia americana

Ontem (abril,29) o Departamento do Comércio dos Estados Unidos divulgou os resultados da atividade econômica no primeiro trimestre. A taxa anualizada do PIB foi de queda de 4,8%. Desde a grande crise financeira de 2008, quando a economia americana encolheu 5,1%, o país não enfrentava uma recessão econômica com a dimensão da crise causada pela Covid-19.

Com menos de  60 dias desde o seu início, a atual crise é mais intensa e profunda que a de 2008, com um número nunca visto antes de pedidos de seguro desemprego e retração assustadora do consumo das famílias, principal motor da economia americana.

O índice que mede os gastos do consumidor caiu 7,6% no período. Como a maior parte dessa queda deu-se no mês de março, quando a pandemia começa a se espalhar nas cidades americanas, analistas econômicos consideram que os efeitos no segundo trimestre serão ainda muito piores, prevendo todos uma verdadeira “hecatombe” no segundo trimestre.  Forte queda no consumo das famílias, retração de investimentos e comércio exterior quase paralisado, forçam uma taxa de desemprego próxima de 15%, estonteantemente superior aos 3,8% dos últimos dois anos. A maioria dos analistas, organismos internacionais e bancos de investimentos estimam retração acima de 6% para a economia daquele país em 2020. Numa analogia com a águia, ave-símbolo do país, a economia americana está como uma grande águia ferida.

A China também divulgou nesta semana o desempenho do seu PIB no período de janeiro a março. Queda de 6,8%. Queda maior que a americana. Mesmo sendo a primeira grande economia a anunciar a saída da crise sanitária, ainda colhe os resultados da parada brusca que teve de fazer nas atividades produtivas industriais, comerciais e de serviços para combater a doença. O grande esforço despendido para combater o coronavírus deve resultar em retração próxima de -3% da economia chinesa, fato nunca registrado desde que o gigante asiático passou a divulgar os números de sua economia. Além do desempenho ruinoso de Estados Unidos e China, a Alemanha já atualizou estimativa de queda de 6% do seu PIB em 2020.

crise

Os reflexos das recessões nas principais economias do planeta refletem imediatamente sobre toda a economia global. Estados Unidos e China respondem por quase 50% de toda a economia mundial e os vinte maiores países, todos paralisados para enfrentar a pandemia, representam 85% de toda a atividade econômica global. Uma simples gripe nessas economias se transforma em verdadeira pneumonia para os demais, com as respectivas consequências econômicas e sociais.

No Brasil, as revisões mais atualizadas indicam retração acima de 5% no PIB neste ano. Resultado da drástica paralisação econômica provocada pelo necessário isolamento social, única medida preventiva recomendada pela ciência médica para evitar a rápida propagação da doença. Um dos países que mais demoraram a dimensionar o tamanho da ameaça sanitária o que levou as autoridades do país a retardarem a implantação de medidas profiláticas, o Brasil será também um dos últimos a retomar plenamente sua atividade econômica ao status anterior ao da pandemia. As duas maiores economias globais, EUA e China, são, também, os dois maiores parceiros comerciais do Brasil. Suas retrações produzem efeitos contracionistas quase na mesma dimensão em nossa economia. Os perversos efeitos da crise econômica serão mitigados no Brasil pelo bom desempenho do agronegócio que colhe safra recorde neste ano e as exportações das commodities agrícolas não foram afetadas.

O grande debate que se estabelece é quando e como o país sairá da crise econômica e como conviverá com o aprofundamento do déficit fiscal com o qual convive seguidamente desde 2014.

O grande debate que se estabelece é quando e como o país sairá da crise econômica e como conviverá com o aprofundamento do déficit fiscal com o qual convive seguidamente desde 2014. E qual estratégia financeira a Nação utilizará para financiar a conta de R$ 600 bilhões que teve de assumir para enfrentar a crise sanitária, ajudar empresas a se manterem vivas, preservar parte dos empregos e proteger os mais vulneráveis sociais. A baixa capacidade de alocar recursos para investimentos em obras de infraestrutura econômica e social, pode ser boa oportunidade avançar nas reformas, estabelecer novos marcos regulatórios para atrair capitais privados para privatizações e concessões. Isso exige boa articulação com o congresso nacional, responsável pela aprovação das reformas e da nova estrutura regulatória. Capital político para articular maioria parlamentar e promover a aprovação dessas leis regulatórias e alterações constitucionais não é algo que o governo federal disponha neste momento. A conferir. Tema para um próximo artigo.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

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