Vivaldo Lopes

Decisão tardia

Por 01/08/2019, 07h:12 - Atualizado: 01/08/2019, 07h:17

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

Em linha com tendência mundial já adotada por bancos centrais europeus e dos países emergentes, o Banco Central do Brasil anunciou ontem ( 31) a redução da taxa básica anual de juros (Selic) de 6,5% para 6,0%. O menor patamar de juros básicos da economia brasileira desde 1996. O comunicado emitido pelo Banco Central sinaliza que virão outros cortes, sendo possível terminar 2019 com juros básicos de 5,0% ao ano.

Comunicado emitido pelo Banco Central sinaliza que virão outros cortes, sendo possível terminar 2019 com juros básicos de 5,0% ao ano. A medida, que ajudará no reaquecimento da atividade econômica, foi tardiamente tomada. Poderia ter sido efetuada bem antes sem nenhuma ameaça ao aumento da inflação

A medida, que ajudará no reaquecimento da atividade econômica, foi tardiamente tomada. Poderia ter sido efetuada bem antes sem nenhuma ameaça ao aumento da inflação, ao contrário do que sinalizou até ontem a atual e a anterior diretoria do Banco Central.

Era tão necessária e evidente a decisão de baixar o patamar da Selic que os agentes do mercado já a aguardavam e não houve nenhuma surpresa. No mesmo dia o Federal Reserve – FED, o banco central americano também anunciou a redução da taxa básica anual de juros para a variação de 2 a 2,25%. Ambos seguiram uma tendência mundial já adotada por outros bancos centrais europeus e de países emergentes. As duas decisões colaboram para retirar o país da letargia produtiva em que se encontra desde 2014.

A taxa de juros é o principal instrumento de política monetária utilizada pelo Banco Central para preservar o valor da moeda nacional e manter a inflação em níveis baixos, conforme meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Por esse instrumento, assim que os indicadores da inflação dão sinais de aumento, elevam-se os juros para reduzir a oferta de crédito e o consumo, contendo a inflação. Em situação contrária, a diminuição dos juros atua como estímulo monetário, aumentando o volume de crédito e elevando o consumo, aquecendo a economia.

Para uma economia como a brasileira que passou por profunda recessão e a retomada do crescimento segue em ritmo muito lento, ao mesmo tempo que convive com as maiores taxas de desemprego de sua história e inflação dentro das metas a vários anos, não faz nenhum sentido manter em nível elevado a taxa básica de juros nos últimos dezoito meses seguidos.

A taxa de juros é o principal instrumento de política monetária utilizada pelo Banco Central para preservar o valor da moeda nacional e manter a inflação em níveis baixos

Por justiça, ressalto que a taxa de juros sofreu redução considerável desde 2016. Saiu de 14,25% no início de 2016 para 6,5% em março de 2018, mas empacou, inexplicavelmente, nesse patamar do qual somente agora se moveu para baixo. No mesmo período a inflação desceu do patamar de 10,7% para 3,37% ao ano. Como a redução dos juros não produz efeitos imediatos, caso essa medida tivesse sido tomada anteriormente, o país poderia estar colhendo seus frutos desde o final de 2018 e início deste ano. Tomada agora, o país sentirá seus primeiros efeitos a partir do último trimestre de 2019.

A direção do Banco Central esperava a boa evolução da aprovação da reforma da previdência pela Câmara de Deputados e a confirmação da reforma tributária, programa de privatizações e reformas microeconômicas para destravar os investimentos e reaquecer a atividade econômica no curto prazo.

A equipe econômica liderada pelo ministro Paulo Guedes já anunciou que estas são as prioridades após a aprovação definitiva da nova previdência. Parafraseando Winston Churchill durante a segunda guerra mundial: “... nunca tantos dependeram tanto de poucos”.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

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