Vivaldo Lopes

O dragão espirrou

Por 06/02/2020, 07h:17 - Atualizado: 27/02/2020, 08h:29

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

Neste mesmo espaço, escrevi anos atrás que toda vez que o dragão, apelido dado à China, espirrasse, a economia mundial poderia sofrer uma pneumonia.

A crise causada pelo tal Coronavírus fez o dragão espirrar neste início de ano

A crise causada pelo tal Coronavírus fez o dragão espirrar neste início de ano. Nas últimas semanas, a economia global luta galhardamente para evitar que o espirro se transforme em pneumonia e contamine negativamente o crescimento mundial.

O curioso, se não fosse trágico, é que o turbilhão surge justamente no momento em que o mundo respira mais aliviado, comemorando o acordo firmado por Estados Unidos e China após o tenso período da fratricida guerra comercial entre os dois países.

A integração e a interdependência dos mercados e das cadeias de suprimentos impostas pela globalização fazem com que a epidemia surgida numa longínqua província da segunda maior economia do mundo paralise fábricas, circulação de pessoas e mercadorias no mundo inteiro, aumentando freneticamente a volatilidade dos principais mercados financeiros do planeta. O ineditismo da doença não permite comparativos com outras situações para diagnosticar o tempo que se levará para controlar a doença. Por consequência, os mercados não estão conseguindo “precificar” o estrago na produção e consumo chineses e o impacto disso na redução do crescimento do seu PIB, previsto, inicialmente, acima de 6% em 2020. As primeiras revisões de expectativa de crescimento da economia chinesa já sinalizam que o PIB chinês crescerá abaixo desse patamar inicial, aproximando-se de 5,5%.

A retração da economia chinesa afetará, certamente, a economia brasileira

A China é grande fornecedora mundial de componentes para a indústria de tecnologia, comunicação, autopeças para os maiores fabricantes de automóveis. A restrição de circulação de pessoas e mercadorias está afetando a produção de fábricas de países europeus, mercado asiático (Coréia do Sul e Japão), Estados Unidos, Canadá e américa latina. Ao mesmo tempo, como grande consumidora de bens e serviços, o foco no combate à epidemia leva o país a reduzir fortemente suas importações, impactando, por sua vez, a produção dos países exportadores.

A retração da economia chinesa afetará, certamente, a economia brasileira. Resta dimensionar o tamanho desse impacto. A China é a maior compradora das três maiores commodities que o país exporta: minério de ferro, petróleo cru e soja. A retração de consumo desses produtos, forçado pelo cenário caótico do país, forçou revisões das previsões de crescimento da atividade econômica do Brasil no primeiro semestre.

O anúncio de hoje, 05, feito pelo Banco Central de mais uma redução da taxa básica de juros (Selic) para 4,25%, pode ter a interpretada que a autoridade monetária reconhece a lentidão da retomada do crescimento de nossa economia e seu possível agravamento pelas incertezas ocasionadas com a contração da economia chinesa.

Os reflexos na economia de Mato Grosso são inevitáveis. Nos tornamos muito dependentes da longa cadeia produtiva do agronegócio. Esta, por sua vez, ficou altamente dependente das exportações para o mercado chinês. Aquele país compra o maior volume dos nossos principais produtos de exportação: soja, milho, carnes bovina, suína e de frangos. Não sem razão, todas as atenções, mentes e corações de Mato Grosso monitoram, em tempo real, a solução que as autoridades chinesas encontrarão para um problema grave de saúde pública que pode se transformar em gravíssimo problema para a economia estadual.

A expectativa dos agentes do mercado e dos líderes políticos mundiais e locais  é conhecer o tempo até a solução do problema. Uma espécie de “fim de linha” já foi demarcada: última semana de fevereiro. Se até lá o problema não estiver satisfatoriamente equacionado, é muito provável que o espirro vire pneumonia e o tratamento deverá ser outro, mais forte e profundo do que o ministrado até agora.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

Postar um novo comentário

Janela tira muitos políticos do calvário

gilberto figueiredo curtinhas   O fechamento da janela partidária, que encerrou-se no último sábado, dia 4, marcou o fim de um longo calvário aos partidos, que tiveram que suportar em seus quadros políticos que não estavam mais de “alma”, mas somente de “corpo”. Na Câmara...

Só 2 vereadores não vão à reeleição

felipe wellaton curtinha 400   Apenas dois entre os 25 parlamentares cuiabanos não vão buscar a reeleição. O licenciado Gilberto Figueiredo, que trocou o PSB pelo DEM, quer concorrer a prefeito, assim como Felipe Wellaton (foto), que até trocou de partido, saindo do PV e agora no Cidadania. Pretende disputar...

4 fora da reeleição em Rondonópolis

thiago muniz 400 curtinha   Dos 21 vereadores de Rondonópolis, somente quatro não vão à reeleição, sendo eles Thiago Muniz (foto), agora no DEM, Hélio Pichioni (PSD), Jailson do Pesque-Pague e Rodrigo da Zaeli (ambos do PSDB). Eles garantem se tratar de um caminho sem volta. Destes, dois tentam...

Redes sociais, lives e efeito colateral

Em tempo de coronavírus, as redes sociais têm sido fundamentais para disseminar informações. As plataformas são utilizadas, por exemplo, para realização de coletivas, mas, nesta segunda (6), houve um efeito colateral. O governador Mauro Mendes e o secretário de Saúde Gilberto Figueiredo foram "vítimas" de ferramenta de animação do Facebook. Os dois falavam sobre ações para combater a doença...

DEM agora sem amarras dos Campos

frankes siqueira curtinha 400   Sem o controle absoluto dos Campos, como nas últimas duas décadas, desde quando era PFL, o DEM, que não elege vereador em Cuiabá desde 2004, vive melhores expectativas, agora sob comando da ala ligada ao governador Mauro. É presidido pelo secretário de Estado de Governo,...

O pulo de Elias do PSDB para o DEM

elias santos 400 curtinha   Elias Santos (foto), irmão do deputado Wilson, agiu como estrategista na construção de sua pré-candidatura a vereador por Cuiabá. Concluiu que teria mais dificuldades de obter êxito nas urnas no PSDB porque os dois vereadores tucanos que vão à...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Você concorda com a decisão de prefeitos, que começam a decretar estado de emergência, fechando comércio, serviços públicos e o transporte coletivo?

sim

não

sei lá!

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.