O mercado realista

Por 25/04/2019, 07h:28 - Atualizado: 25/04/2019, 07h:36

vivaldo lopes fixo lateral blog

Vivaldo Lopes

Já escrevi antes nesta coluna sobre o quase excessivo otimismo que os agentes de mercado brasileiro apresentavam desde o final do ano passado após as urnas confirmarem a vitoriosa campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

O inusitado e vitorioso formato da campanha e as expectativas criadas com as palestras do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, sugeriam que o país finalmente veria também uma nova política e nova forma de dialogar e negociar com o parlamento nacional

O inusitado e vitorioso formato da campanha e as expectativas criadas com as palestras do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, sugeriam que o país finalmente veria também uma nova política e nova forma de dialogar e negociar com o parlamento nacional. Tudo seria mais rápido e eficaz.

As grandes reformas, a começar com a da previdência, seriam apresentadas ao debate da nação e o Congresso Nacional aprovaria tudo ainda no primeiro semestre. Em seguida viriam a reforma tributária, as privatizações e assim sucessivamente.

A modernização da infraestrutura econômica do país parecia nos remeter ao dourado período de Juscelino Kubitscheck, com o famoso mote publicitário de avançar quarenta anos em quatro de governo.

Os mercados e a confiança empresarial reagiram positivamente. Os indicadores que medem a confiança em investir apresentaram sinais que há tempo não eram vistos no Brasil. A bolsa de valores atingiu níveis de negócios recordes. O dólar ficou menos volátil e até apresentou certa estabilização.

Economistas, consultorias  e bancos convergiam para um crescimento do PIB de 3%. Com a inflação domesticada, a taxa básica de juros ( Selic ) ficaria estabilizada em 6,5% ao ano, com tendências de cair para 6%.

A realidade da cena política mostra-se mais dura que os sonhos políticos 

A realidade da cena política mostra-se mais dura que os sonhos políticos. Os desencontros do staff político presidencial, somados às crises criadas pelos próprios membros da administração federal, colaboram freneticamente para que a grande aposta no projeto da chamada nova previdência sofra atraso desconfortável em sua aprovação, dando sinais ao mercado que, no cenário mais otimista, terá sua aprovação concluída apenas nos últimos meses de 2019. Todas as previsões de crescimento do PIB estão sendo revisadas semanalmente para baixo. Nesta última segunda feira, o Boletim Focus, no qual o Banco Central sintetiza a média das expectativas do mercado, indicava a previsão de crescimento do PIB de apenas 1,71% em 2019, bem abaixo dos 3% do mês de janeiro.

A despeito das dificuldades encontradas (...)  nota-se que o clima otimista prevalece

A reforma da previdência não é nenhuma panacéia para curar todos os males econômicos do país. Especialmente no curto prazo. Ela sozinha não vai gerar crescimento da atividade econômica. Mas é um importante indicador antecedente. No jargão dos economistas, é aquele que primeiro precisa acontecer para que os demais virem realidade. Por analogia, a nova previdência é uma reforma antecedente. A sua aprovação cria condições para aprovação de todas as demais, melhora o ambiente de negócios e cria as condições para a  propulsão econômica que o país tanto precisa e exige, após o longo período de recessão.

A despeito das dificuldades encontradas ou criadas pelo governo federal na condução das negociações com a analógica Câmara de Deputados, nota-se que o clima otimista prevalece entre os empreendedores nacionais e os grandes players do mercado.

Fazem-me lembrar da máxima que aprendi na minha bucólica e progressista Alto Paraguai: a esperança nunca morre!

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

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