Vivaldo Lopes

Os desafios da próxima safra

Por 26/09/2019, 07h:45 - Atualizado: 26/09/2019, 07h:50

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

Com a proximidade das chuvas, os agricultores mato-grossenses preparam-se para iniciar o plantio da próxima safra de grãos tendo pela frente cenário desafiador, recheado de incertezas no mercado interno e no externo.

Cenário é desafiador, recheado de incertezas no mercado interno e no externo

No campo externo, as incertezas são ocasionadas principalmente pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, gerando pressão para baixo dos preços dos nossos principais produtos agropecuários, que são a soja e o milho.

O dólar apreciado diante do real os custos dos insumos elevados, mesmo com quedas externas de preços com excesso de oferta e sinais de recessão nas economias desenvolvidas. O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), estima que os custos com fertilizantes importados para a próxima safra de soja e de milho devem sofrer alta próxima de 16% no estado. Ainda assim, as estimativas indicam que a safra de soja de 2020 deve superar a casa de 33 milhões de toneladas.

No caso da soja, nosso principal produto de exportação, os estoques elevados nos Estados Unidos e na Argentina limitam prêmios de exportação no Brasil. Ao mesmo tempo, a previsão de o dólar chegar ao final do ano a R$ 3,90 pressiona os custos dos insumos importados. Para compensar, o real depreciado melhora os ganhos com as exportações. Se a guerra comercial de americanos e chineses gera incertezas na economia mundial, ajuda os exportadores do estado, pois a China reduziu de forma expressiva as compras da soja americana e aumentou as importações da soja brasileira e mato-grossense. Como efeito disso, o USDA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, prevê que, pela primeira vez na história, a safra de soja do Brasil de 2020 deve superar a americana, chegando a 123 milhões de toneladas.

No âmbito doméstico, o desafio é como superar os estragos econômicos que a questão ambiental está causando à imagem do país e do agronegócio brasileiro. Ao mesmo tempo, manter a verve empreendedora e ambientar as vendas de alimentos numa economia que está estagnada desde 2014

No âmbito doméstico, o desafio é como superar os estragos econômicos que a questão ambiental está causando à imagem do país e do agronegócio brasileiro. Ao mesmo tempo, manter a verve empreendedora e ambientar as vendas de alimentos numa economia que está estagnada desde 2014.

Decisões comerciais começam a ser anunciadas como forma de pressionar o governo federal a mudar sua postura de olímpico menosprezo com a proteção ambiental.  A posição do país em enfrentar a tudo e a todos em questões ambientais proporciona reações que afetam frontalmente os negócios agropecuários.

Medidas como as de grandes marcas mundiais de artefatos de couro anunciando que não mais comprarão couro produzido no Brasil e os criadores de salmão da Noruega informando ao mercado que suspenderão a compra de nossa soja, principal componente da ração daqueles peixes. Os duzentos maiores fundos de investimentos do mundo, que administram R$ 65 trilhões, também anunciaram que poderão retirar suas posições de empresas que não exijam ações de sustentabilidade ambiental e social em toda sua cadeia de suprimentos.

Como se já não fossem enormes os desafios, foi apresentado recentemente no congresso nacional projeto de emenda constitucional para a extinção da Lei Kandir, que desonera de todos os tributos nacionais as exportações de produtos primários e semi-elaborados. Ainda que não se torne realidade, diante do grande poderio político-econômico do agronegócio, os seus principais líderes terão de despender muito tempo e energia para evitar a alteração, que, certamente, implicará na queda de competitividade mundial das commodities agrícolas com a tributação das exportações.

Apesar do cenário desafiador, nota-se elevado o ânimo dos produtores agropecuários. Especialistas estimam que a próxima safra de soja e milho serão as maiores de nossa história.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

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