Vivaldo Lopes

Perspectivas econômicas para 2020

Por 19/12/2019, 09h:33 - Atualizado: 23/01/2020, 07h:25

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

Os indicadores da atividade econômica local, nacional e mundial conspiram favoravelmente para que Mato Grosso tenha em 2020 um ano de forte crescimento econômico, retomando uma performance que poderia muito bem ser alcunhada de “milagre econômico pantaneiro”.

Os indicadores da atividade econômica local, nacional e mundial conspiram favoravelmente para que Mato Grosso tenha em 2020 um ano de forte crescimento econômico

Após longo período de letargia econômica iniciada em 2014 e que perdurou até 2017, a economia do estado voltou a crescer de forma consistente nos dois últimos anos, tendência que deve seguir em 2020.

Já citei anteriormente nesta coluna estudo divulgado pela secretaria estadual de Planejamento, a partir do qual é possível estimar que o crescimento da economia de Mato Grosso em 2019 ficará acima 4%, desempenho bem superior ao do PIB do país que deve crescer 1,3%.

Os setores que mais impulsionarão a atividade econômica de Mato Grosso no próximo ano serão novamente as grandes safras agrícolas de soja, milho e algodão. Em 2020 a pecuária, especialmente a bovina, assumirá mais protagonismo em razão do aumento de consumo interno, elevação de preços e expansão das exportações para a China. Especialistas do setor de carnes apontam que os preços elevados e as exportações para os chineses continuarão ao longo de 2020 e 2021, favorecendo os pecuaristas mato-grossenses, o que ajudará a atrair investimentos e modernização para segmento. Em consequência, a pressão de demanda e preços da carne bovina vai também beneficiar o aumento da produção de carnes suínas, de frangos e a produção de ovos. Mato Grosso é um dos maiores produtores brasileiros de ovos.

A indústria já apresenta sinais de recuperação, inclusive aumentando sua participação relativa no PIB estadual, alavancada pelo setor de processamento de alimentos, industrialização de etanol de milho e energia elétrica. O comércio surfa na boa onda do aumento do consumo das famílias e reaquecimento do mercado de trabalho. Inflação baixa e maior oferta de crédito para o consumo também são ingredientes importantes para o bom desempenho do setor no ano vindouro. A instalação em Cuiabá e Várzea Grande de lojas da maior varejista do país, a Magazine Luiza, é um sinal inquestionável das boas expectativas do comércio em 2020.

No plano nacional, trabalho com o cenário básico de crescimento de 2,5% do PIB, com inflação de 3,65%, taxa Selic de 4.5% e dólar estabilizado próximo de R$ 4,20. Iniciaremos 2020 com os primeiros três meses sendo positivamente impactados pelos efeitos do crescimento mais forte do último trimestre de 2019. A maioria dos analistas do mercado financeiro apostam que o Banco Central deve manter a taxa básica de juros em 4,5% durante todo o ano, monitorando cuidadosamente os efeitos da retomada do emprego e aceleração do consumo das famílias sobre a inflação.

O cenário internacional indica a maior incerteza, simbolizada pelo imponderável “gran finale” para a estúpida guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump contra a China

O cenário internacional indica a maior incerteza, simbolizada pelo imponderável “gran finale” para a estúpida guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump contra a China. Pelos efeitos recessivos que essa insana guerra pode irradiar sobre toda a economia mundial. No plano racional, a decisão do Fed, o Banco Central americano, de manter a taxa básica de juros em níveis baixos, aliada ao bom desempenho da economia americana em 2019, apontam para uma redução da volatilidade cambial nas economias emergentes, como o Brasil. Os dois gigantes estão próximos de anunciar um acordo parcial, fato que já será suficiente para acalmar economia global ao longo de 2020.

Vislumbro em Mato Grosso os primeiros sinais de um ciclo de crescimento econômico menos dependente de investimentos e incentivos fiscais estatais e com mais protagonismo do capital privado. A instabilidade da governança pública faz com que empresas que possuem estratégias de crescimento sustentado de longo prazo não queiram ficar tão dependentes de decisões ou políticas públicas que podem ser alteradas com a alternância democrática do poder, afetando os seus negócios e até mesmo colocando em risco suas existências.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

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