Rastreabilidade ambiental

Por 23/05/2019, 07h:54 - Atualizado: 23/05/2019, 08h:00

Dayanne Dallicani

Colunista Vivaldo Lopes

 

A maioria dos cidadãos matogrossenses estão conscientes que a sustentabilidade ambiental passou a fazer parte da matriz econômica que sustenta o desenvolvimento econômico do Estado. A base de nossa economia é produção de alimentos e fibras. Líderes políticos que ignorarem tais fatores poderão frear o progresso econômico do Estado e perenizar o subdesenvolvimento de nossa economia. Estrategistas de negócios e empreendedores que não levarem em consideração este ativo intangível, a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social, poderão conduzir seus negócios ao fracasso, por desprezarem o pensamento prevalecente no mundo atual.

Estrategistas de negócios e empreendedores que não levarem em consideração este ativo intangível, a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social, poderão conduzir seus negócios ao fracasso, por desprezarem o pensamento prevalecente no mundo atual

Economistas e especialistas em análise de macrotendências indicam que na medida em que são disponibilizadas para a população mundial maior quantidade e qualidade de informações sobre estas questões, mais se consolida o convencimento de que a preservação das boas condições do planeta depende de atitudes e ações cotidianas de todos os seus habitantes-consumidores.

Essas atitudes incluem, naturalmente, os hábitos de consumo das sociedades, com reflexos diretos na industrialização e comercialização de mercadorias e serviços no mercado mundial. O consumidor da Dinamarca, Alemanha ou Noruega vai exigir informações de fontes confiáveis que o tranquilizem que o sapato que ele está adquirindo numa loja de seu país não derivou do couro de um animal criado em pastagens que prejudicaram o meio ambiente. Da mesma forma, a consumidora de uma loja luxuosa de Londres vai querer saber se o algodão do tecido não utilizou fertilizantes ou herbicidas nocivos ao meio ambiente. Ou fez uso de trabalho infantil em seu processo de produção. O designer de interiores de Milão, na Itália, não vai recomendar ao seu cliente, móveis que tenham utilizado madeira de desmatamento degradante da floresta amazônica. É muito provável que a exigente consumidora de cosméticos vendidos na 5ª. Avenida de Nova York vá exigir que a lecitina de soja contida em seu batom de grife não tenha vindo de plantio de soja cujo cultivo possa ter degradado o cerrado ou nascentes de rios que formam o pantanal de Mato Grosso. Enfim, o que no passado eram atitudes exóticas ou coisas de “ecochatos”, passam a ser exigência corriqueira de todos os consumidores.

Torna-se vital que empresas fiquem antenadas às megatendências mundiais nos aspectos do consumo, tecnológico, econômico e ambiental, sob o risco de serem sugadas pela tsunâmica onda verde planetária

Assim, os consumidores farão, sob a forma de ações cotidianas espontâneas, a rastreabilidade ambiental de toda a cadeia produtiva do que consome, com o propósito de contribuir para melhorar as condições de vida do nosso planeta. Cada vez mais as empresas serão cobradas por seus clientes a disponibilizar, em alguns casos em tempo real, informações relevantes da cadeia produtiva de sua mercadoria ou serviço. A constante e persistente luta pela preservação da boa qualidade de vida na terra está deixando de ser algo restrito a militantes ambientais sectários e barulhentos, ONG’s, universidades, instituições de pesquisas científicas e passa a ser prática cotidiana dos consumidores.

E, como o mundo dos negócios já sabe, mudanças de hábitos de consumo afetam drasticamente o faturamento e a sobrevivência das empresas. Torna-se, portanto, vital que estas fiquem antenadas às megatendências mundiais nos aspectos do consumo, tecnológico, econômico e ambiental, sob o risco de serem sugadas pela tsunâmica onda verde planetária.

Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia.  É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP. Escreve nesta coluna com exclusividade às quintas-feiras. E-mail: vivaldo@uol.com.br

Postar um novo comentário

Comentários (1)

  • Hugo werle | Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019, 11h36
    1
    0

    Parabéns pelo texto. Muito bom. O tema pode ter a discussao ampliada, apontando quais efetivamente poderiam ser os cuidados a serem tomados.

De fora da disputa em Rondonópolis

percival muniz 400   O pecuarista Percival Muniz (foto), hoje "mergulhado" nas duas fazendas na região do Xingu, adianta que não será candidato a prefeito de Rondonópolis, posto já ocupado por ele por três vezes. Mesmo com recall junto à população de bom gestor e popular, ele é...

Conselheira e o faturamento familiar

jaqueline jacobsen curtinha 400   Está repercutindo muito mal para a conselheira substituta do TCE-MT Jaqueline Jacobsen (foto) a notícia publicada pelo site O Livre, nesta sexta, de que a sua irmã, advogada Camila Jacobsen, em sociedade com Eveline Guerra, filha da conselheira, são sócias da "Jacobsen &...

Selma vê maior conforto no Podemos

selma curtinha 400   No grupo de WhatsApp "PSL Mulher MT", Selma Arruda (foto) escreveu um texto de despedida do partido. Disse estar chateada "com tudo isso", mas que não perdeu a fé e que o Governo Bolsonaro vai dar certo. Afirma sair do PSL com "coração partido" e que continua com os mesmos ideais no Podemos, onde...

Podemos esperando Selma se salvar

alvarodias_curtinhas   Na busca para ampliar a bancada do Podemos no Senado, o senador Alvaro Dias, derrotado à presidência no ano passado, só correu atrás de Selma, no sentido de convencê-la a se filiar no partido, depois que foi informado que ela tem chances reais de derrubar no TSE a cassação por...

Fávaro e esperança em assumir vaga

carlosfavaro_curtinha   O representante do escritório de MT em Brasília Carlos Fávaro (PSD) está convicto de que a senadora Selma não só será cassada de vez pelo TSE nos próximos meses, como a decisão da Corte lhe permitirá assumir a vaga enquanto não for eleito um novo...

Maturidade e nova visão sobre o TCE

janaina_riva_curtinha   No segundo mandato e sentindo-se mais madura politicamente, apesar de ainda bem jovem – completou 30 anos em 21 de janeiro – a deputada Janaína Riva revela que pensa diferente sobre a indicação de políticos ao cargo de conselheiro do TCE. Ao autorizar os colegas a derrubar a...

MAIS LIDAS

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Na sua opinião, como está indo o Governo Mauro Mendes?

excelente

bom

regular

ruim

péssimo

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.