COPA-2014

Quinta-Feira, 06 de Março de 2014, 10h:40 | Atualizado: 06/03/2014, 15h:23

Polêmica

Secopa tem medo do sindicato jogar farofa no ventilador, diz presidente

Davi Valle

Joaquim_dias_santana

Joaquim Dias Santana presidente do Sintraicccm em entrevista à Talita Ormond

Um dos motivos para o atraso em boa parte das obras da Copa em Cuiabá é a desvalorização profissional. A afirmação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil (Sintraicccm) da Capital, Joaquim Dias Santana. As propostas de emprego não atraem porque, segundo ele, os salários oferecidos são baixos. Os consórcios que venceram as licitações baseando-se principalmente no piso salarial de R$ 1,1 mil para a categoria e poucos benefícios ao empregado.

A entidade é responsável pela fiscalização de 3 das 7 obras previstas na Matriz de Responsabilidade da FIFA, que são a Arena Pantanal e os Centros Oficiais de Treinamentos (COT’s) da UFMT e da Barra do Pari. Juntas, empregam apenas cerca de 700 trabalhadores da construção civil leve.

Mas, ultimamente, acompanha a execução do cronograma “de longe”, já que a secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa) não tem convidado o sindicato para acompanhar as visitas de autoridades aos canteiros das obras. Isso porque, segundo ele, por medo de que “o sindicato jogue farofa no ventilador deles”.

Cita como exemplo que as más condições de trabalho já levaram o Sintraicccm a denunciar as empresas Engeglobal e Três Irmãos, responsáveis pelo COT da UFMT, por 8 irregularidades. “Temos relatos de horas-extras sem registro, pouca comida para a quantidade de funcionários, água levada no caminhão pipa para os trabalhadores beberem e falta de banheiros químicos”.

Além disso, ressalta que os baixos salários refletem diretamente na qualidade das obras. “Trabalhador mal remunerado, trabalho malfeito, quando você é desvalorizado você vai trabalhar com insatisfação, ele pensa que trabalha por aquilo que é pago”, comenta. Joaquim afirma ainda que o sindicato não mediu esforços para lutar, junto à Secopa, a fim de agregar mais profissionais às obras. “Mas o resultado está aí”, diz, se referindo aos atrasos.

A solução, de acordo com Joaquim, seria deixar de fazer aditivos para tempo de obras e investir na valorização dos trabalhadores. “Se querem terminar obra com tempo hábil, põem trabalhadores com valorização, que é investimento para tempo e serviço bem feito”, garante.

O sindicato também tem buscado, em Brasília (DF), a aprovação de projetos de lei importantes para a categoria, como a aposentadoria com 25 anos de contribuição. Por outro lado, o presidente frisa que o número de parlamentares que representam a classe trabalhista no Congresso Nacional é pouco para aprovação das propostas. 

Por isso, garante que neste ano eleitoral o sindicalismo irá se unir para pressionais os políticos a destravarem os projetos que tramitam tanto na Câmara Federal quanto no Senado. 

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Comentários (3)

  • Fernando | Quinta-Feira, 06 de Março de 2014, 22h25
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    0

    Pergunto? As empreiteiras estão recebendo as medições mensalmente conforme manda o figurino, tipo PADRÃO FIFA , eu vejo muita lentidão em escavação mecânica nas obras , isso ao meu ver e atraso na medição ou será que esses empresários não querem faturar uma receita gorda para o caixa das empresas? Funcionários sem ganhar produção, e poucos funcionários serve apenas para garantir o contrato da licitação e aguardar sair a medição , se estiver atrasando medição antes da copa , imagina depois, pode ir levando no ritmo bem lento . Convém o sindicato expor a respeito desse assunto, pois dizem que quando o Titanic colidiu, o pessoal da parte dos fundos comentaram ainda bem quem foi atingido foi o pessoal da frente, depois o final todo mundo sabe.

  • Eduardo Moki | Quinta-Feira, 06 de Março de 2014, 16h58
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    1

    No dia em que este sujeito gerar UM emprego poderia vir à dar sua opinião. Infelizmente no "brasil" deixamos a vontade de trabalhar em casa, todos conhecem seus direitos, ninguém conhece suas obrigações.

  • Hans Mayer | Quinta-Feira, 06 de Março de 2014, 13h08
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    A justificativa desse cidadão deveria servir para processá-lo, e aos demais que pensam como ele. O trabalhador contratado não foi enganado pelo empregador, pois sabia exatamente o quanto ganharia pelo seu serviço. Justifica-se, apenas, o fato de más condições de trabalho, como banheiros, alimentação decente e suficiente, etc. Não estou defendendo o Governo, que não realiza fiscalizações nas obras no nível de atenção desejado, permitindo essas aberrações que já acontecem, até mesmo antes da entrega das obras. Lamentável a declaração do representante do sindicato.

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