Coronavírus

Sábado, 31 de Outubro de 2020, 10h:34 | Atualizado: 31/10/2020, 10h:37

VÁRIOS GATILHOS

"Ainda não saímos da pandemia", alerta infectologista da UFMT após menos casos

Arquivo Pessoal

M�rcia Hueb

Infectologista da UFMT, Márcia Hueb, explica que há hipótese de que, nesse momento, o vírus esteja contaminando pessoas com menos doenças de risco

Os números de mortes e internados (UTIs e enfermarias)  por Covid-19 caíram vertiginosamente em Mato Grosso nas últimas semanas, atingindo o menor patamar desde o início da disseminação da doença. Porém, segundo os especialista, a doença ainda não tem uma vacina, continua a ser transmitida e a quantidade de novas contaminações ainda é alta. Por isso, os cuidados devem ser mantidos.

A volta das aglomerações em bares, shoppings, restaurantes e as campanhas eleitorais podem ser um novo gatilho para transmissão do vírus o que acende o sinal de alerta. 

"Nós temos que entender que ainda não saímos da pandemia", sentencia professora de medicina e coordenadora de infectologia do Hospital Universitário Julio Muller, da UFMT, Márcia Hueb.

A desaceleração do número de mortes pode ser notada se for levado em consideração os cinco maiores municípios com mais casos de Covid-19 no Estado. Nestas localidades, as UTIs e enfermarias vêm sendo desocupada.

Já nas cinco cidades com menos registros de pacientes com coronavírus não notificam novas infecções há semanas. Veja ao lado um quadrado com o acumulado dos cinco maiores e dos cinco menores municípios com mais e menos caso de coronavírus, respectivamente, desde o início da pandemia.

Dayanne Dallicani

Quadro Covid casos 5 maiores cidade de Mato Grosso outubro de 2020

A desaleceração na quantidade de mortes vêm desde agosto. No acumulado da última semana, entre 18 e 24 de agosto, foram 70 óbitos. O menor número desde o início de junho quando, entre 31 de maio e 6 de junho, foram registrados 43 vítimas pela Covid-19. Assim, Mato Grosso atinge a marca de óbitos e internações mais baixas desde o começo da pandemia. "Apesar disso, os números de casos [de infecção] não estão caindo", destaca a infectologista Márcia. Mas por que então há a queda de mortes e pacientes internados?

Segundo a infectologista, uma das hipóteses é que o coronavírus esteja infectando, neste momento, pessoas com menos doenças de risco (comorbidades) ou mais jovens. Assim, eles desenvolvem a forma menos grave da doença. Outra hipótese é que os profissionais de saúde conquistaram as habilidades para diagnosticar e tratar a Covid-19 com mais eficiência. “Com isso, você se recupera de forma mais adequada e, consequentemente, desocupando o leito e significado que tem mais gente tendo alta”.

Márcia explica que é uma dinâmica. A primeira hipótese pode prevalecer, ou a segunda, ou as duas juntas. Independente disso, o impacto é para a queda no número de mortes. Do outro lado, os casos ainda continuam constantes, o que indica que a transmissão pelo coronavírus está ocorrendo.

Campanhas eleitorais

O deputado estadual e médico sanitarista Lúdio Cabral (PT) também alerta que, também entre 18 e 24 de agosto, houve um aumento de 18% no número de casos em relação ao acumulado da semana anterior. Foram 4.460 novos casos de Covid-19 quando, no somatório das sete dias antes, haviam sido notificados 3.930 novos casos.

Lúdio explica que a curva de casos reflete fatos ocorridos duas semanas antes e, por isso, aponta as campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores para a possível alta. Me preocupa a influência que as campanhas eleitorais possam ter nesse aumento", pontua em análise feito a época. “Se os cuidados não forem tomados, pode haver uma explosão do número de casos de covid em função das campanhas eleitorais".

O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figuereido, também está preocupado com os impactos da campanha, das eleições e do início das férias nos números da Covid-19. Ele prevê um crescimento acelerado nos próximos dias em virtude das aglomerações e avisa que a pandemia não acabou. “Estamos com uma média de 700 casos novos por dia, a parte boa é que caiu número de internações e isso nos deixa menos desconfortáveis”.

Segundo a infectologista, vivemos outro momento da pandemia, mais controlado, que pode até permitir a volta do trabalho e de alguns eventos sociais. Mas ainda não podemos aglomerar. “Fazer festas, confraternizar normalmente, com amigos e família, como se não tivéssemos na pandemia, nós ainda não podemos”.

Aumento de casos seria segunda onda?

A queda no número de casos de mortes e internados fez com que mato-grossenses e poderes públicos relaxassem, apesar de uma média alta de notificações de casos diários. O clima é de relativa tranquilidade. O alerta vem de outros locais que já passaram pelo pico de casos e estão vivenciando uma nova alta de casos. É o que se chama de segunda onda.

Não chegamos numa situação para falar em segunda onda. Talvez seja a manutenção de uma onda, que oscila com mais e menos casos

Infectologista Márcia Hueb

Após quase zerar o número de casos de infecção e morte, Europa vive a segunda onda de casos de coronavírus. França e Alemanha planejar adotar novos lockdowns no país para conter a alta, enquanto no Reino Unido, restrições de circulação e funcionamento dos comércios. Até mesmo no Brasil, em Manaus (AM), o crescimento dos casos levou o Governo a proibir o funcionamento de bares, restaurantes e praias ribeirinhas, como forma de conter o pico de internações de pacientes graves em UTI.

Especialistas ainda discutem, porém, se o Brasil, com o crescimento dos casos em Manaus, vive realmente uma segunda onda. Para a infectologista Márcia, mesmo com um eventual crescimento de casos e mortes, ainda assim não poderia afirmar se tratar da chamada segunda onda em Mato Grosso ou no Brasil, pontua Márcia.

“A nossa curva exibe uma tendência de queda, mas ainda como tendência. Não chegamos numa situação para falar em segunda onda. Talvez seja a manutenção de uma onda, que oscila com mais e menos casos”. Márcia acredita que Mato Grosso, assim como o restante do país, “vai mais oscilar”.

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