Coronavírus

Sábado, 06 de Março de 2021, 06h:50 | Atualizado: 06/03/2021, 17h:04

Artistas voltam ao "limbo" com decreto que restringe atividades para conter Covid

Reprodução

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Com toque de recolher, artistas ficam proibidosn de exercer suas  atividades profissionais

Com a publicação do decreto estadual que proíbe aglomeração e, com isso, a suspensão de serviços em muitas casas de show e bares de Cuiabá, artistas que se sustentam exclusivamente de apresentações voltam ao limbo que os divide entre a tentativa de prevenção ao novo coronavírus e também a incerteza de como sobreviver, já que se privarão, mais uma vez, dos trabalhos que realizam para o próprio sustento. A Lei Emergencial Aldir Blanc através de editais não contemplou toda classe.

Este é o caso do músico percurssionista profissional Virgilio Ribeiro, 33 anos, que enfrenta novamente o desafio do lockdown e se preocupa. "Infelizmente ao meu ver a maior dificuldade agora é a penitência que pagamos por conta das guerras políticas principalmente no nosso Estado. Não temos um plano de amparo do governo para que possamos parar. As contas permanecem do mesmo jeito e enquanto paramos, os ônibus e supermercados seguem lotados", comenta.

Estagnação do setor sem políticas públicas

O artista concorda com a necessidade do lockdown, mas acredita que seria necessário um amparo dos representantes políticos para essa classe. "Nesse período a minha cabeça chega a 'sair fumaça', pois sou base de minha familia. A sensação é de impotência total", pontua.

O Ministério Público do Estado pediu no início desta semana que a Justiça determinassem que as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande criassem decretos com medidas mais restritivas de prevenção à Covid-19. Na recomendação, o MP pediu o fechamento de qualquer atividade de lazer ou evento que cause aglomeração. A prefeitura de Cuiabá recorreu, pedindo "afrouxamento" de algumas medidas, mas continua seguindo as determinações da justiça.

Para a produtora cultural Monize Lorrana que é responsável pela Oyá Produções, a medida que veta eventos noturnos é radical, pois apesar dos serviços serem para o entretenimento do público, envolve uma cadeia de trabalhadores que se sustentam através destas atividades e ficam totalmente desamparados com a estagnação do setor. "Dentro desses quinze dias determinados pelo decreto estadual, a Oyá Produções suspendeu uma média de 12 eventos. No início da semana semana eu ainda havia fechado parceria com mais dois outros estabelecimentos com a proposta de eventos reduzidos, o que não vai acontecer", comenta.

Para os representantes públicos talvez a imagem dos artistas que trabalham na noite ainda seja a de que eles levam isso como diversão, como se não fossem mães e pais de família buscando o próprio sustento

Produtora Monize Lorrana

Monize ainda argumenta que para a paralização funcionar como um verdadeiro lockdown, pessoas não deveriam aglomerar em lojas durante o dia, supermercados ou outros locais que estão funcionando antes do toque de recolher às 21h. "Para os representantes públicos talvez a imagem dos artistas que trabalham na noite ainda seja a de que eles levam isso como diversão, como se não fossem mães e pais de família buscando o próprio sustento", reforça.

Entre as normas estabelecidas, eventos sociais, corporativos, empresariais, técnicos e científicos, igrejas, templos e congêneres, cinemas, museus, teatros e a prática de esportes coletivos são permitidos com no máximo 50 pessoas por evento, respeitado o limite de 30% da capacidade máxima do local.

Na empresa da produtora cerca de quarenta e cinco artistas se revezam para os eventos, sendo que, no início da pandemia, com a ausência de políticas públicas para o setor - a Oyá Produções teve dois projetos pensados para o momento pandêmico, sendo que um visava proteger mulheres da violência doméstica (pois os índices cresceram durante o isolamento) e, o outro, para arrecadar alimentos e um auxílio para os artistas que vivem exclusivamente da música. Para Monize, entre as soluções mais razoáveis, seria prudente crescer a fiscalização, manter o público reduzido, além de estipulação de horários até as 22h.

Colapso se aproxima

Com taxa de ocupação acima dos 96% na tarde desta sexta (05), o colapso da saúde se aproxima. O índice é o maior desde o início da pandemia e ainda esta semana Mato Grosso pode ficar sem nenhum leito para pacientes graves.

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Comentários (3)

  • ARIOSVALDEZ RODRIGUES DE LIMA | Sábado, 06 de Março de 2021, 20h44
    0
    0

    Arte também é profissão, sim, e havemos de, como sociedade, valorizar aqueles que fazem nossos dias mais belos e suportáveis, entretanto, também é preciso saber que a cultura é o único aspecto da civilização que não precisa de incentivo estatal... com ou sem dinheiro público, a cultura sobreviverá e crescerá, o que não ocorre com a saúde, educação segurança, ect...

  • VIRGILIO ANTONIO RIBEIRO | Sábado, 06 de Março de 2021, 09h42
    6
    1

    Nossa uma pessoa falar que músico não é profissão acho que quem tem que estudar não somos nós né? De que planeta vc veio criatura, se vc não sabe a profissão música é tão rica quanto outras que vc considera profissão, somos marginalizados por pessoas com pouco cerebro como vc. Pra ser músico não é apenas pegar uma caixa de fósforo e sair batendo exige muiiito estudo. Então vá estudar antes de falar merda.

  • Rosilene Tomba | Sábado, 06 de Março de 2021, 07h01
    1
    16

    Música não é profissão, é lazer. Façam uma faculdade à distância on line, trabalhem e parem de se vitimizar.

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