Coronavírus

Domingo, 12 de Julho de 2020, 14h:45 | Atualizado: 13/07/2020, 08h:31

LINHA DE FRENTE

Medo, calor e fome: enfermeira do Samu relata rotina da emergência na pandemia

"Medo, calor, fome, sede, bexiga apertada, olhos ardendo, óculos embaçado e suor correndo pelo corpo". Essas foram as palavras usadas pela enfermeira do Samu, Luciele Benin, de 42 anos, em desabafo publicado nas redes sociais. Ela trabalha há um ano e sete meses no serviço de atendimento de urgência, mas nos últimos meses viu a rotina dos profissionais da saúde ser atravessada pela Covid-19. 

Reprodução

Luciele Benin, enfermeira do Samu

Luciele Benin vestida com o traje que protege profissionais da saúde de possível contaminação pela Covid -19 durante epidemia

Com o aumento de casos e vítimas fatais da doença, Luciele conta ao que, acometida pelas lágrimas e a sensação de despero, procurou tentar conscientizar as pessoas sobre a gravidade da pandemia causada pelo novo coronavírus e da importância do trabalho de quem está na linha de frente dos atendimentos. 

"Já tinha chorado rios de lágrimas. Sabe quando bate o desespero que a gente não sabe nem de onde vem? Depois que publiquei o texto, percebi amigos reagindo a isso. Tenho amigas que falaram que já estavam cansadas de ficar em casa, mas que depois de lerem ficaram com vergonha de querer sair", diz.

Um profissional de saúde, que preferiu não se identificar, afirma ao que, nos últimos dias, o número de vítimas da Covid-19 que morrem em casa aumentou "absurdamente" em Mato Grosso. Os chamados de acidentes, por sua vez, reduziram. 

"No dia-a-dia percebemos que a maioria das ocorrências são de pessoas com sintomas da Covid-19, algumas não resistem. Mesmo em outros chamados, como acidentes, sempre ficamos com receio por não saber se estaremos sendo expostos a doença. São tempos muito difíceis", avalia o trabalhador. 

O atendimento de pacientes da doença atualmente é principal demanda do Samu. Entre as vítimas estão jovens, adultos, crianças e idosos. Mesmo com a gravidade da pandemia, Luciele relata que os trabalhadores ainda sofrem por serem criticados ou ofendidos pela população. 

"Infelizmente nos agridem muito com palavras, falam que está demorando muito. Mas o número de atendimentos é tão grande, é difícil para os funcionários também", conta. 

Acabamos somatizando, tenho rinite e as vezes começo a espirrar, já 'bate' aquele medo. Tenho condições de pagar um plano de saúde, mas até mesmo na rede particular faltam leitos

Luciele Benin

Para Luciele, a gravidade da pandemia tem deixado o emocional dos profissionais de saúde desestabilizados. Há aproximadamente sete meses, ela não vê a mãe, as irmãs e o sobrinho. "Saímos do prumo com mais facilidade, quando começo a desabafar eu choro. Está todo mundo muito nervoso e preocupado, a gente sente o desespero dos familiares, dos pacientes. Não é só o nosso". 

Apesar do medo pela exposição ao vírus por estarem na linha de frente, Luciele ressalta que os profissionais são monitorados e atendidos por uma equipe do Samu. Ela não manifestou sintomas da Covid-19, o que não a impede de sentir medo das incertezas causadas pela pandemia. 

"Hoje, com os hospitais super lotados, acaba sendo o maior medo de todos. Ir para o hospital e não ter vaga ou ir e se contaminar. Acabamos somatizando, tenho rinite e as vezes começo a espirrar, já 'bate' aquele medo. Tenho condições de pagar um plano de saúde, mas até mesmo na rede particular faltam leitos", desabafa. 

Em trecho da publicação, Luciele ainda afirma que não está em busca de "aplausos", mas de que a categoria seja respeitada. 

"Mais do que nunca o profissional de enfermagem precisa ser compreendido, protegido e valorizado. Não queremos palmas, nesse momento queremos respeito e compreensão", escreveu. 

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Comentários (1)

  • Landolfo Garcia | Segunda-Feira, 13 de Julho de 2020, 11h14
    3
    0

    O pior é que são profissionais contratados e até a semana passada, caso contraíssem a doença e tivessem que se afastar, não receberiam salários. Não sei se a situação mudou, mas é assim que tratam esses profissionais.

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