Coronavírus

Quarta-Feira, 15 de Julho de 2020, 16h:23 | Atualizado: 15/07/2020, 16h:32

PANDEMIA EM NOVEMBRO

Secretário teme crescimento de casos de Covid com eleições e retorno das aulas

Mayke Toscano

Gilberto Figueiredo

O secretário Gilberto Figueiredo (Saúde) em evento no Palácio Paiaguás; gestor fala sobre risco de crescimento de casos da Covid durante eleição

As eleições e o retorno presencial das aulas na rede estadual, ambas previstas para novembro deste ano, preocupam o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figuereido. Ele acredita que ambos os movimentos "ensejam risco", pois poderá aumentar o número de casos de pessoas infectadas com o coronavírus. O gestor acredita que, mesmo que se tome atitudes para minimizá-los, "ele não vai ser extinto 100%".

Pouco antes, na coletiva virtual desta manhã (15), Gilberto já tinha dito que Mato Grosso deve permanecer nesse estado de crise até outubro e novembro e chegou a comparar a Covid-19 (a doença causada pelo coronavírus) como uma nuvem de gafanhotos que destrói tudo.

Conforme divulgado pela secretaria estadual de Educação (Seduc), as aulas serão retomadas em 3 de agosto. No primeiro momento, as aulas serão on-line. Mas, embora não tenha divulgado datas, a pasta trabalha com o mês de novembro para o retorno das aulas presenciais. Por enquanto, a posição oficial é que a definição de tal medida vai depender do comportamento da pandemia.

Gilberto pontua que atualmente é baixo o número de crianças internadas em estado grave. "O que demonstra que, quando infectadas, dificilmente se agravam. Graças a Deus, por que senão seria o caos maior", pontua secretário.

Em todo Mato Grosso, há 25 leitos de UTI pediátricos, reservados exclusivamente para atender crianças em estado grave da Covid-19. Destas unidades intensivas, apenas 4 estão ocupadas, sendo duas no Hospital Estadual Santa Casa e outras duas no Pronto Socorro de Cuiabá. A taxa de ocupação nas duas unidades é de 20% e 13,3%, respectivamente.

"As crianças não são as mais vulneráveis com o vírus, mas elas transmitem. Elas movimentam o vírus. Por isso, a preocupação com o início das aulas. Ela vai ter contato, de alguma forma, com alguém infectado, vai levar essa infecção para dentro de casa e vai infectar aqueles que são vulneráveis (pais e avós, principalmente aqueles que tem cormobidades)", explica

O secretário está bastante preocupado com esse trânsito em um possível retorno as aulas. Disse que é quase impossível, senão uma utopia, garantir a segurança entre crianças. "Se é difícil convencer e manter distanciamento social nos adultos, como fazer isso com crianças? Como fazer uma criança usar máscara?", questiona.

Eleições

Gilberto pontua que as eleições são "mais um ingrediente" nesse aspecto que pode contribuir com o agravamento da crise no sistema de saúde mato-grossense. Com ela, haverá filas e aglomerações de pessoas em colégios eleitorais. Mesmo que haja medidas para garantir distanciamento, o secretário prevê que o pleito "vai trazer consequências".

"São riscos que o país vai correr. Não tem outro jeito. Se manter essas decisões, isso vai aumentar, talvez, bastante o ritmo da infecção aqui no Brasil, no estado e aonde for", pontua.

Não só no dia da votação, mas toda a campanha - prevista para começar já a partir de 31 de agosto. "Qual candidato vai seguir parado sem promover alguma reunião?", questiona. Para ele, esse é o jeito de fazer campanha, estando próximo das pessoas, "por mais que hoje existe recursos das mídias". Uma prova disso é que ele recebe denúncias de prefeitos que descumprem as medidas de prevenção e se reúnem com liderenças de bairro.

"Sabendo que vai ocorrer [as eleições], teremos que tomar todas as medidas necessárias para minimizar. Mas 100% não vai conseguir. A gente nota que as pessoas, para entrar em uma farmácia e mercado, tem que manter distanciamento. Mas, quando você vai lá, não dá nem 1 metro de distância. É difícil. As pessoas não tem essa percepção que precisa manter o distanciamento de segurança. Não é fácil fazer isso".

Para Gilberto, Mato Grosso também entra em uma fase bastante complicada. Não só por conta do aumento da crise no sistema de saúde, mas por conta da chegada do clima seco e baixa umidade com o período de estiagem, com queimadas e piora na qualidade do ar. "Tudo isso contribui para o incremento das doenças respiratórias", disse.

Além disso, cita também os casos de Influenza (vírus que causam as gripes), que costumam chegar com mais força neste período.

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Comentários (1)

  • Adriano | Quarta-Feira, 15 de Julho de 2020, 17h23
    0
    1

    Não existe um Matogrossense mais pessimista do esse sujeito. Não tem uma palavra de consolo sobre a Pandemia. Até parece o Mandetta enquanto era ministro da Saúde. Pelo amor de Deus tenha paciência.

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