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Sexta-Feira, 26 de Abril de 2019, 14h:25 | Atualizado: 27/04/2019, 13h:46

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Cantor Nando Reis fala de inspirações e sua relação com a música e poesia - ouça

O romantismo de Nando Reis é memorável, pelo menos, este é um dos principais adjetivos que lhe atribuem nos últimos anos em carreira solo. Na maior parte da sua vida, foi um apaixonado, colado ao violão, para compor letras do cotidiano. Mas ele garante, em entrevista ao , que sua liberdade poética nem sempre se baseia em tudo que viveu, de fato.

Para ele, há um senso comum de achar que tudo que é dito nas músicas, seja um reflexo de suas ações ou comportamentos, o que em partes ele confessa que sim, mas faz ponderações. “Muito dali partiu de experiências emocionais, mas não quer dizer que o está ali é o que eu sou. Música é mais um desejo, porque quando leio minhas músicas tem muito mais do que eu gostaria de ser do que o que o que eu realmente sou”, reflete Reis. 

Quando leio minhas músicas tem muito mais do que eu gostaria de ser do que o quê eu realmente sou

Nando Reis

Às vezes, com acordes mais suaves e outras com um percurso musical latente, propício para não negar que em suas veias sempre irão correr os timbres do rock n roll. 

Nando é mesmo um apaixonado pela intensidade, letras que se identifica ou por histórias que tem uma mensagem que acredita.  Por isso, mesmo desde os anos 80, percebe que nem sempre é fácil falar de amor. Houve períodos da música no país, inclusive, que esse termo era quase proibido – e essa sempre foi uma das maiores discrepâncias do ex-baixista do Titãs (que é músico, poeta e compositor). Ele sempre quis falar sobre seus sentimentos, aventuras ou maneiras de ver e viver no mundo.

Desta vez, prestes a realizar mais um show em Cuiabá, ele revela parte de suas ideias ao e fala um pouco de seu momento na carreira. No seu 13º álbum da discografia solo, lançado no dia 19, interpreta Roberto Carlos e provoca batizando o álbum com o nome “Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes Chego Perto”.

Foto divulgação

Nando Reis

Nando Reis fala sobre novo trabalho e semelhanças com o Rei

Questionado pela reportagem sobre suas possíveis semelhanças com “o Rei”, e se pelas semelhanças da forma em compor, pretende ser lembrado como Roberto é. Sem se esquivar muito, responde: “não tenho como saber a maneira como as pessoas vão se lembrar de mim, se é que vão se lembrar de mim, mas acho que minha forma e a de Roberto têm sim semelhanças, principalmente nas particularidades, e próprio modo de falar sobre o amor”, acredita o músico. 

Ele, que em outro momento da carreira já afirmou que gosta mesmo das músicas que transparecem certo ar “desesperador da busca” por algo, seja amor, desejo ou outras sensações, acredita que o novo trabalho foi bastante envolvente nos estúdios, enquanto gravou.

“O ápice desse trabalho foi ser espetacular, porque esse é daqueles discos que podemos dizer que acontece uma magia. Isso foi decisivo pra resultante musical”, defende.

Porque gravou Roberto Carlos

A história de Nando e Vânia, sua esposa, foi permeada pela obra de Roberto, sobretudo a produção dos anos 1970. Logo que chegou em sítio em uma de suas férias em 2016, Nando pegou o violão e começou a tocar, uma por uma, as músicas que mais faziam parte dessa conexão.

Depois, passou a investigar o que de Roberto Carlos há na obra de Nando Reis. Um ano e meio depois, Nando convidou o amigo Marcus Preto, com quem tinha acabado de trabalhar no projeto Trinca de Ases (em que dividiu o palco com Gilberto Gil e Gal Costa) para trabalharem na seleção do repertório.

Nas férias de 2016, Nando Reis partia com a mulher para mais uma temporada no sítio da família no interior de São Paulo. No carro, levavam algumas malas com as roupas e os mantimentos necessários para os 15 dias de descanso: o violão e uma caixa com 10 ou 12 discos de Roberto Carlos.

Na estrada que separa a Capital paulista da cidade de Jaú, o reencontro com aquelas canções - as mesmas que costuraram tantos momentos do casal desde o início do namoro – fez surgir o embrião de "Não Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes Chego Perto". Inteiramente dedicado à música de Roberto Carlos foi lançado no mesmo dia em que Roberto completou 78 anos. O trabalho tem produção de Pupillo e direção artística de Marcus Preto.

As 12 faixas abrangem 23 anos da obra de Roberto, entre 1971 até 1994. Nando optou por não ter nenhuma canção do período primordial da Jovem Guarda, concentrando-se na chamada fase adulta de Roberto. “Ele teve um papel muito importante em minha vida. Ninguém melhor do que ele para ter dado vida à canção”, conclui em uma de suas declarações sobre o disco.

 O show de Nando acontece no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, nesta sexta (26), a partir das 21h. Os ingressos se esgotaram semanas antes do evento, o que demonstra profundo afeto do público pelo artista.

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