CULTURA

Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017, 13h:50 | Atualizado: 30/04/2017, 09h:30

Duas seletivas nacionais de slam poetry invadem a Capital no sábado

Divulgação

Luciene Carvalho

Luciene Carvalho, poetisa e imortal da AML, é uma das protagonistas

Dois eventos de slam poetry tomam conta da cidade neste fim de semana. Um é promovido pelo pessoal do Capim Xeroso e será realizado, como acontece todos os últimos sábados de cada mês, na rua Ricardo Franco, já nas imediações da Praça da Mandioca. A outra será na Casa Cuiabana, também no sábado, mas a partir das 18h.

O lado ruim é o racha evidente entre as organizações. Ao invés de fazerem um evento conjunto, o que possibilitaria a participação de muito mais artistas num só lugar, cada grupo realiza o seu, em lugares e horários diferentes. Outra má notícia para os praticantes do esporte da poesia nascido nas ruas, entre os operários dos grandes aglomerados urbanos dos Estados Unidos (assim como o rap, com a diferença que foram os brancos os pioneiros nessa), é o fato de os dois eventos serem seletivas para fases finais de seus respectivos campeonatos.

Na Casa Cuiabana, quem comanda as ações de organização são a poeta Luciene Carvalho e seu marido, Mano Raul. O Capim Xeroso é organizado por dois estudantes universitários: Emily Almeida, 22 anos, e Luís Guilherme Raeder, 21. Ninguém fala diretamente o motivo de não realizarem os eventos juntos.

De qualquer forma, em ambos a regra é a mesma: cada recitador tem até três minutos para recitar um texto autoral. Em ambos, quem for campeão aqui vai representar o estado em competições em São Paulo. No da Casa Cuiabana, além do Slam BR, quem lá vencer vai pra Copa do Mundo Slam.

O Slam do Capim Xeroso acontece todo último sábado de cada mês. Eles farão um evento maior no dia, chamado por eles de Edição Cultural, no dia 13 de maio, no Clube da Música. Lá, participarão o DJ Taba e a rapper PachaAna (a página do evento no Facebook explica que Pacha significa mundo, universo, do Quechua, a língua antiga dos povos Incas e pré Incas). PachaAna é conhecida por utilizar temas como empoderamento e resistência para as mulheres e minorias.

Luciene Carvalho, além de escritora e imortal da Academia Mato-Grossense de Letras, junto com Mano Raul, participou da Festa Literária das Periferias (Flupp), no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado. Foi lá que eles conseguiram serem os organizadores do evento cujo prêmio será uma vaga para o Slam BR.

São seis eliminatórias até novembro. Todas também acontecem nos últimos sábados de cada mês até lá. Como em toda competição de slam ao redor do mundo, quem decide os vencedores é um pequeno júri formado na hora, entre o público.

Em Cuiabá e no Brasil, slam poetry é próximo dos rappers. Isso não é comum no exterior

Breve história do slam

A seguir o velho adágio judaico de que no princípio era o Verbo, os adeptos do slam poetry promovem encontros de poetas cujo objetivo é apresentar seus textos de maneira recitada, em performances onde se prioriza o poder da palavra enquanto som e significado. É uma modalidade artística performática nascida nas ruas de Chicago, em meados dos anos 1980, por obra e iniciativa de um grupo de trabalhadores da construção civil norte-americana.

Diferentemente do que acontece em Cuiabá e no Brasil, essa é a maior proximidade da arte com o rap. A variedade dos temas também é uma marca nos países onde ela é praticada, como Alemanha, França, Bélgica Irlanda, Inglaterra, Austrália, Zimbábue, Madagascar, Israel, Singapura, Polônia, Itália e mesmo os Estados Unidos. Enquanto aqui a maior parte do que é falado envereda pela denúncia social, nos outros países se canta de tudo: da efemeridade das horas ao inferno da depressão. Há denúncia social, mas o gênero não se reduz a ela.

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