CULTURA

Sábado, 27 de Abril de 2019, 11h:41 | Atualizado: 30/04/2019, 12h:41

Em show intimista, Nando diz que música contra ditadura começou em Cuiabá veja

Emanoele Daiane

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De peito aberto artista compartilha suas inspirações  e relatos de vida

Um cara com sua voz e um violão, um turbilhão de sentimentos e muita história pra contar, teve o total domínio de sua plateia nessa sexta (26). Após muita expectativa de fãs de diferentes idades, mas também com suas próprias histórias para contar a partir dos “hits” que ganharam significados ímpares em suas vidas, aguardaram e saciaram a ansiedade de ver, muito de perto, Nando Reis.

Histórias que se entrelaçadas, junto a do artista, antes mesmo do show no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros começar. Isso porque na lojinha montada no foyer do teatro com direito a venda de CD, vinil, camisetas e outros acessórios, concentrava uma fila de pessoas uma hora antes do show. Algo em comum prendeu a atenção, porque a maioria dos enfileirados usava um All Star, não coincidentemente. O modelo de tênis também se trata do nome de uma das canções mais famosas de Nando, a que ele compôs na juventude pra sua amiga e rock star, Cássia Eller.

Entre eles, um casal de jovens, eufóricos e que também combinavam o visual com uma semelhante camisa vermelha xadrez e jeans surrado. Era Gabriele e Davi, que com um olhar bobo e apaixonado, revelaram um sorriso tímido e metálico nos dentes ao serem abordados pela reportagem.

Eles viajaram de Rondonópolis até a Capital para conhecer o ídolo em comum e enumeram ao menos dez canções de Nando que embalaram momentos da relação como Segundo Sol, Luz dos Olhos ou De Janeiro a Janeiro. “Em um momento muito difícil da minha vida, enquanto eu tinha crises de ansiedade e ataques de pânico, ouvia All Star para me acalmar, era um mantra”, diz a jovem ao exibir um tênis recém autografado. 

Enquanto eu tinha crises de ansiedade e ataques de pânico, ouvia All Star para me acalmar, era um mantra

Fã Gabriele Caldeira

Não distante dos “pombinhos”, um menino se destaca pela curiosidade em indagar os produtos vendidos. Pedro, aos 11 anos, acabara de ser apresentado ao primeiro CD e ao vinil, e surpreendeu a mãe que lhe explicou de forma didática um pouco das “antiguidades” ainda consumidas pelos fãs nascidos nas décadas passadas. A plataforma que o menino mais escuta Nando e outras sonoridades que distingue como rock n roll, é pelo youtube. “Quando quero ouvir pesquiso pelo computador ou celular, não sabia o que era isso aqui. Nunca ouvi”, completa ao segurar uma de suas descobertas.

O show

O palco lembra a sala de estar de uma casa, com direito a cadeira, luminária e uma mesinha com os papéis do repertório. Proposta que dialoga com o conforto do artista no palco ao compartilhar, neste momento, mais que o trabalho, mas as experiências que teve na vida. Como quem recebe uma visita em casa, coisa que ele gosta muito de fazer, faz com que o público faça uma viagem em seus pensamentos com detalhes de sua trajetória. Veja vídeo e galeria de fotos abaixo.

Isso porque no espetáculo intimista, a cada canção, ele conta um pouco de suas inspirações após a repercussão das músicas que selecionou. Além de alguns sucessos próprios, retomou músicas que compôs e também foram sucesso pelas gargantas de Marisa Monte, Cássia Eller e sem deixar de mencionar sua atual obsessão, Roberto Carlos. A sensação era de um “Acústico MTV”, o mesmo que Nando se fez presente em 2004. 

O público aos poucos ocupa todas as cadeiras, com exceção dos atrasados, que tropeçam e ignoram os que se esforçaram para entrar no teatro quando as portas foram abertas momentos antes, com três sinais de aviso, ao procurar as poltronas enumeradas com uma lanterna de celular. O show teve os ingressos esgotados ainda em fevereiro, apesar da procura ter continuado, outra sessão não foi aberta. 

Ditadura nunca mais

Nando Reis

No fundo de Reis, além do singelo cenário, a iluminação foi uma arte a parte que dialogava com as celebrações de memória e sentimentos do cantor. “Vocês estão tímidos?”, questiona.

O coro se aferventava aos poucos, mas aplaudia em cada introdução feita entre os violões que ele revezava. No meio do show, uma pausa mais longa, e o poeta conta ao público uma relação específica de uma composição que teve o “start” há dois anos, em um quarto de hotel, em Cuiabá. Ele se referiu a música Rock n Roll, onde tece angústias políticas do momento no país. Veja vídeo e letra abaixo.

 

Em outras apresentações pelo Brasil, Nando se posicionou abertamente contra discursos pró a tortura, antes e após as eleições. Em Cuiabá, apesar dos fortes aplausos e "gritinhos" aqui e acolá, a minoria endossou frases de protesto no teatro, no final da canção, encorajado por Nando, fortaleceu-se um coro de “ditadura nunca mais”. Sem mais declarações externas a canção que pudessem polemizar sua passagem por Cuiabá, salientou a suspeita de que, talvez, isso também indique uma das motivações dele se lembrar de ter começado escrever a música Rock n Roll por aqui.

Antes do fim, o poeta foi aplaudido de forma calorosa e distribuiu apertos de mãos aos que se aproximaram do palco, satisfeitos com a apresentação. 

Galeria: Show de Nando Reis emociona cuiabanos

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