CULTURA

Segunda-Feira, 20 de Agosto de 2018, 22h:00 | Atualizado: 20/08/2018, 22h:27

Evento internacional

Organização está satisfeita, apesar de atrasos e pouco público no Rock Arena

Fernando Martin

Rock Arena

Previsão de 10 mil pessoas para cada dia não se conretizou

O Rock Arena, antes mesmo do lançamento de sua line up, gerou grande expectativa entre os cuiabanos. Ao prometer atrações renomadas, foi o primeiro festival em Mato Grosso a trazer artistas internacionais. A expectativa dada pela organização feita pela Gazaroo na coletiva de imprensa era de 10 mil pessoas para cada dia, mas isso não ocorreu no primeiro dia e no domingo, a pista teve um número ainda menor de pessoas. A organização ainda não estimou o público presente no evento.  

Com uma série de especulações, as redes sociais do Rock Arena receberam a opinião do público ao longo dos meses. Alguns ansiosos e outros decepcionados com as promessas de artistas escalados para o festival.  

No sábado (18), após horas de atraso por falta de alvarás, houve apresentação da banda Strauss, a Banda + Bonita da Cidade, Joan Osborne, Raimundos, Pitty e The Calling. Na estreia, o dia teve a pista lotada, mas a arquibancada ficou desfalcada. Os shows mais aclamados foram os nacionais Raimundos e Pitty, ambos somam outras apresentações na Capital.

No domingo (19), se apresentaram Billy Espíndola, Harmonia do Sampler, Jojo Todynho, Rael, Iza e o rapper Sean Kingston. Mais uma vez o evento teve atrasou na abertura dos portões. A programação previa para 16h30, mas a liberação ocorreu apenas 18h30. Desta vez, menos pessoas, e o encerramento programado para até a zero hora atravessou a madrugada. O show de Sean Kingston não durou muito. Na metade da terceira música, o artista se despediu com um “bye” e deu as costas para o público por volta das 3h da madrugada.

A Arena consome, mensalmente, R$ 400 mil, sendo R$ 220 mil apenas em energia elétrica. Sua finalidade multiuso é pouco explorada, pois são raros os eventos de grande porte em Cuiabá.

Atrasos e falhas técnicas

The Calling, que era uma das promessas internacionais do Arena Rock, passou por falhas técnicas em sua apresentação. O vocalista Alex Band se queixou no palco sobre a falta de retorno, microfone mudo e atraso de quatro horas para a entrada da banda no palco, ao considerar também o atraso do evento. Após várias tentativas com a banda, resolveu continuar o show sozinho na versão voz e violão.

A empresária Eliane Borges, que se sentou na arquibancada no primeiro dia no evento, disse que o melhor show foi o da Pitty, por ser muito fã da artista, mas se decepcionou com o atraso e também com a organização. “Eu queria comprar em um food truck que estava na pista, mas não permitiram. Disseram que tínhamos que comer apenas nos estabelecimentos internos da arquibancada. Achei que poderiam oferecer outro sistema de compra, dificultavam muito. Além disso, ouvimos Alex Band com problemas técnicos durante a noite inteira. Ele foi até a bateria para falar algo, o microfone ficava mudo e chiava, vimos os técnicos de som correndo até o palco e o Alex reclamando bastante”, conta.

Fernando Martin

Rock Arena Jojo Todynho

Jojo Todynho se apresenta no Rock Arena; local consome R$ 220 mil apenas em energia elétrica por mês e finalidade multiuso é pouco explorada

Para a empresária, o evento também deixou a desejar na assessoria e redes sociais. Ela e amigos fizeram comentários nas redes durante a espera da abertura dos portões e também na demora de troca de atrações, mas alega que a equipe apagava as reclamações e não respondia as dúvidas do público, o que a fez desistir de ir ao segundo dia. “Tinha tudo para ser muito bom, mas teve várias falhas. Algo bom que notei é que colocaram muitas mulheres para cantar nos dois dias como a Uyara Torrente, Pitty, Joan Osborne ou a Iza, isso foi algo importante e um ponto positivo”, ressalta.

Estrutura e atrações

A estrutura do evento foi instalada apenas em metade do estádio. O palco central estava cercado de food trucks, patrocinadores, games de realidade virtual e o gramado recebeu um tapete emborrachado para preservar local, que recebe um jogo na noite desta segunda (20).

Para o produtor cultural e músico Henrique Maluf, havia boa iluminação e o som estava bom, mas ele avalia que havia pouca gente na equipe de palco para tornar ágil a troca de atrações. Ele considera que a demora foi longa, entre 40 minutos e uma hora para cada atração. “O palco estava bonito e foram boas atrações, mas era pra ter uma equipe muito maior. Cheguei a conversar com alguns amigos que as principais atrações deste evento seriam o Rael e a Iza, dois rappers. O Rael é um cara politizado e alcançou a grande mídia com uma música comercial, porém ainda assim consciente. Foi o primeiro show dele que vi ao vivo, e ele é muito musical, bom de palco, canta bem e faz arranjos modernos. Em alguns momentos soando uma banda norte-americana quando fez soul, reggae e black music”, descreve.

Ele ainda salienta a artista Iza, que mesmo com o joelho torcido na mesma semana, se apresentou. “É uma verdadeira diva pop e com uma identidade visual muito forte, lado a lado com Beyonce e Shakira. Ela se posiciona como mulher e negra, dança, canta e faz o público refletir também”, considera.

Para o músico, Mato Grosso é carente neste tipo de evento e precisa de uma formação de público para que festivais do tipo se consolidem. “Público interessado tem e o pessoal daqui está acostumado ir em São Paulo, Brasília, Curitiba ou Rio de Janeiro para assistir aos festivais. Como existe uma carência dessas ações para esse tipo de evento, as pessoas ainda não comparecem em peso”, salienta.

Outro músico da região, Paulo César, o P-Brother vocalista da banda Salomanos, comenta que a importância de um festival deste porte é grandiosa. “A galera ainda não tem a cultura de vir em festivais daqui e não fortalecem essa cena. Quando tem festivais fora do Estado, todos vão e pagam caro. O show que mais gostei no domingo foi o Rael, que é bastante afinado e  bastante participativo com o público. A Iza veio com um show pesado, cheio de coreografias e efeitos de luzes. Mesmo mancando com o joelho torcido, cantava muito e os backings vocals eram de uma maestria invejável”, acredita.

Para ele, o festival também deixou a desejar com a troca de bandas e no show do Sean Kingston. “Deixaram a desejar na troca de atrações. Foi um tempo longo parar troca, isso gera um estresse ao público. Já o último show foi à decepção do evento, o Sean Kingston cantou três músicas. Ainda haviam umas 100 pessoas no local, ele estava rouco e mandou a música carro chefe dele para ir embora”, finaliza.

O outro lado

Segundo um dos organizadores do evento, Cassio Oliveira, todos ficaram satisfeitos com o resultado da primeira edição. “Ficamos bastante felizes, esperávamos mais pessoas, mas Cuiabá não tinha um histórico de eventos desse tipo, então não tínhamos idéia de quantas pessoas compareciam”, explica.

Cassio afirma que não é surpresa a força dos artistas nacionais como Pitty, Raimundos, Rael e Iza. “Sabíamos dessa força e por isso os contratamos, a Pitty foi muito pedida nas nossas redes sociais. Não é uma surpresa que algumas atrações tenham uma receptividade maior que o The Calling. O cuiabano não tem a cultura de ficar domingo até tarde na rua, esperávamos mesmo menos pessoas neste dia”, conta ao .

Ele ainda alega que o atraso do primeiro dia foi porque a Arena Pantanal não tem alvará de funcionamento. O Corpo de Bombeiros apareceu no local no sábado e solicitou, a equipe entrou com mandato judicial e não funcionou, mas a situação só foi resolvida quando o Governo do Estado auxiliou no processo e horas depois a entrada foi liberada. No domingo, ele comenta que o evento demorou para ter início por conta do atraso do vôo de uma das atrações.

Sobre a liberação da pista para quem tinha adquirido ingressos na arquibancada, a organização afirma que não houveram prejuízos e nem problemas com o Procon para quem adquiriu os ingressos. “No domingo, quem pagou pela cadeira pagou até mais caro”, diz ao relatar uma das promoções ofertadas nos últimos meses.

Já sobre o show do rapper Sean Kingston, ele argumenta que a produção foi avisada pela polícia para a finalização do evento. “Para não termos nenhum problema com a cidade, decidimos finalizar”, argumenta.

Cassio revela que o Rock Arena é um evento itinerante, e pretende passar por outros locais do país para propor atrações fora do eixo Rio e São Paulo, mas não pode dizer se haverão outras edições na Capital. “Isso só Cuiabá poderá nos dizer”, finaliza.

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