CULTURA

Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2020, 14h:44 | Atualizado: 23/11/2020, 14h:51

Produtora de podcast quer mais conteúdo de MT e ressalta aumento no consumo

Considerado o ano do podcast no Brasil, 2019 foi também o ano em que nasceu a Altia Podcasts Criativos, mais precisamente em 15 de outubro. Doze meses depois, a empresa possui mais de 10 clientes ativos e a vontade de conquistar mais ainda o mercado local, já que é a primeira produtora de podcasts de Mato Grosso. O terreno é propício para este crescimento, já que o Brasil lidera o ranking de países onde a produção de podcasts mais cresceu desde o início de 2020.

É o que demonstra a versão compacta do relatório State of the Podcast Universe, publicado pela Voxnest, empresa americana que é referência em dados para a indústria de podcasts. Já no relatório anual de 2019 o Brasil despontava na segunda posição do ranking de criação, atrás apenas da Argentina. Em 2020, até agora, o Top 3 é ocupado respectivamente pelo Brasil, Reino Unido e Canadá.

A quantidade de ouvintes também vem crescendo. Um indicador importante desta audiência é a PodPesquisa, realizada pela Associação Brasileira de Podcasters que, em 2009, recebeu 2.487 respostas válidas, contra 436 da primeira edição, realizada em 2008. Já em 2019, foram coletadas 16.713 respostas válidas, por meio de formulário digital, durante 55 dias.

A vontade de dar voz aos produtores de conteúdo locais surgiu da percepção dos proprietários da Altia, Gabriela Peixoto e Fred Fagundes, quando se mudaram da capital paulista para Cuiabá, em 2019. “Percebemos esse contraste no consumo de podcast em relação a estados mais centralizados. Em São Paulo há mais de uma década ouvimos falar de podcast e é comum as pessoas comentarem sobre os episódios em rodas de conversas entre amigos, mas aqui pouquíssimas pessoas falavam sobre isso”.

Divulgação

Gabriela Peixoto e Fred Fagundes

Gabriela lembra que algumas pessoas não demonstravam interesse e outras sequer tinham ouvido falar de podcast. Na verdade, eles notaram uma desvalorização do produtor de conteúdo no geral, como influenciadores digitais, por exemplo. Além disso, perceberam o interesse de marcas e agências de publicidade em investir em novos formatos de conteúdo. “Foi quando pensamos tem tanta gente legal produzindo conteúdo, vamos chamar essas pessoas para fazer podcast e popularizar o consumo no estado. Começamos com alguns amigos que tinham muitas ideias, depois comercializamos para produtores independentes e, naturalmente, as empresas nos procuraram para investir em podcasts”.

Ouvir quando quiser

Apesar de ter se tornado popular, muitos ainda confundem este formado com o rádio. A diferença é que o podcast é um arquivo de áudio disponibilizado na internet por meio de um feed RSS, que propaga esse arquivo para qualquer aplicativo de áudio ou site que seja vinculado ao feed. São programas sonoros sob demanda, que podem ser escutados na hora em que o ouvinte quiser e em qualquer local que esteja, ao contrário dos programas de rádio, que possuem hora certa para serem transmitidos.

Para Gabriela, as facilidades não se limitam ao acesso dos ouvintes, mas se estendem à produção. “Se a pessoa tiver um celular e conexão com internet, já é possível fazer um podcast, mas para profissionalizar, deixar o conteúdo mais criativo, é importante que seja feita uma boa edição, o tratamento das faixas, a inserção de trilhas e vinhetas. Para quem quer investir um pouco mais, pode adquirir um microfone, porque aí consegue fazer uma captação melhor”.

Divulgação

Gabriela Peixoto e Fred Fagundes

Outra característica que tem atraído cada vez mais a audiência é a relação mais intimista. “O conteúdo é menos factual que no rádio, mais íntimo e informal. A gente brinca que é a Netflix do rádio, porque você pesquisa no seu aplicativo o tema que desejar,o formato que preferir e ouve quando quiser”, acrescenta a cofundadora da Altia, que também é responsável pela edição dos podcasts.

Além das produções originais, a Altia produz atualmente programas corporativos, como o podcast nacional do Sebrae, idealizado pelo Sebrae-MT; o podcast da Pfizer, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria; da Rede ILPF, associação formada por grandes marcas, como o Bradesco, John Deere e Embrapa; da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso; da FCS Comunicação e do Escritório Fukui Rebouças. Também é responsável pela produção de podcasts independentes, como Visto Permanente (gravado por duas jornalistas); Bolo de Caneca (apresentado por duas publicitárias); MT Business (gravado por um executivo); Menstruar, Gozar e Parir (gravado por duas médicas) e Magra por Inteiro (gravado por uma médica). A empresa produz ainda o podcast do Hospital Geral, feito de forma filantrópica.

Os resultados variam de acordo com os objetivos de cada cliente. “Por exemplo, no caso do Sebrae, tivemos o feedback de que a audiência do podcast é quase o dobro da audiência das lives transmitidas por eles no mesmo período. No Menstruar, Gozar e Parir, que é apresentado por duas ginecologistas, a maioria das pacientes que elas atendem no dia comentam sobre os conteúdos do podcast, seja com relação a um diagnóstico, um comentário feito em determinado episódio ou até para sugerir temas. As pacientes passaram a enxergá-las como amigas”, conta Gabriela.

No caso dos podcasts independentes, os feedbacks chegam diretamente nas páginas das redes sociais de cada um deles. Os apresentadores sempre recebem mensagens dos ouvintes cobrando o próximo episódio porque já ouviram todos os disponíveis, e também com elogios e sugestão de temas.

Outro reconhecimento importante veio por meio de um patrocínio conquistado pelas idealizadoras do Visto Permanente, Caroline Lanhi e Fernanda Curtarelli. O podcast compartilha vivências de quem migrou para outros países, e de estrangeiros que também migraram para o Brasil. O formato atraiu o Cambly Brasil, uma plataforma de ensino personalizado de inglês, que conecta alunos com tutores nativos, a qualquer hora do dia ou da noite, disponível em inúmeros países.

“Ficamos muito felizes com esse incentivo que as idealizadoras conseguiram para continuar produzindo o podcast. Ter marcas globais apoiando podcasts cuiabanos só nos mostra que estamos no caminho certo e talvez ajude o mercado local a finalmente valorizar as produções feitas aqui”, conta Fred Fagundes, que também é gerente de projetos do podcast mais premiado do Brasil atualmente, o Não Ouvo Podcast, junto com Maurício Cid, do Não Salvo.

Do roteiro à publicação

O trabalho da Altia Podcasts Criativos começa na definição do roteiro e passa pela captação do áudio (seja online ou com os equipamentos profissionais oferecidos por eles). Em função da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), as gravações foram adaptadas para o modo online, desde março deste ano. Mas, mesmo assim, o acompanhamento é feito por chamada de vídeo para garantir a qualidade do áudio.”Os participantes gravam em casa, pelo celular e nós acompanhamos para checar se não tem outro som interferindo, ou alguma fala incompleta. Também damos dicas na mesma hora para aprimorar outras questões técnicas”, explica Gabriela Peixoto.

Depois disso, os clientes enviam as faixas e a Altia se dedica ao tratamento dos áudios, que inclui a limpeza do som e decupagem, e depois parte para a edição. Nesse processo, são cortados detalhes como erros de gravação, ruídos, batidas, entre outros. Todo este trabalho já rendeu até um jargão entre os participantes: “Corta, Gabs”.

Por último, são inseridas as vinhetas, feitas com participações de locutores profissionais e sonorizações, e a trilha sonora. A produtora também faz a publicação do arquivo nos principais aplicativos de áudio. Mensalmente, a Altia entrega ainda um relatório, com os resultados detalhados da audiência do podcast, para aprimoramento do conteúdo.

“Nosso objetivo é informar, mas também aproximar marcas e consumidores, por meio de conteúdo relevante e criativo, além de dar voz a quem sempre sonhou em ter um podcast, seja ele pessoal ou corporativo”, frisa a sócia fundadora.

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