CULTURA

Sexta-Feira, 12 de Maio de 2017, 15h:40 | Atualizado: 12/05/2017, 16h:06

Semana no Palco Giratório trará espetáculos de norte a sul do país

Divulgação

Palco Giratorio

Women's Uma Experiência Subterrânea traz profundas discussões sobre a vida e a morte

Desde o dia 04/05, Cuiabá começou a receber o Palco Giratório, um projeto cujo objetivo é fazer circular artes cênicas apresentadas pelas unidades do Serviço Social do Comércio (Sesc) de todo o país, há 20 anos. Além espetáculos, também serão apresentados em diversas salas do Sesc Arsenal (este ano também estendidas ao centro histórico da capital e à recém inaugurada orla do Porto), haverá oficinas e as palestras integrantes do pensamento giratório.

Conheça um pouco sobre as peças que acontecerão no período compreendido entre hoje (12) até a próxima sexta (20), dentro do maior evento de teatro em Mato Grosso.

Logo mais, às 20h, o Grupo Xperiência Subterrânea, de Santa Catarina, apresenta seu Women’s, Uma Experiência Subterrânea. Nele, o cerne é um momento da vida de uma faxineira cujo local de trabalho é um necrotério. Tudo normal, mas ela começa a dialogar com um corpo à espera de uma autopsia. O espetáculo toca o tema da morte e dos afetos a partir da exploração do risco físico experimentado em cena. O corpo manipulado é um elemento central para colocar em jogo os limites do pudor. No teatro, com indicação para maiores de 18 anos. A entrada custa 2l de leite UHT e está restrita a 210 espectadores.

No sábado (13), também às 20h, quem entra em cena é a mato-grossense Thereza Helena e seu Inhamor. Na peça, a atriz seleciona alguns dos aspectos da vida cotidiana das mulheres tidos como normais, tais quais comportamentos sociais taxativos e reducionistas para expor preconceitos intrínsecos à psique social. Enquanto faz um pão de inhame, Helena problematiza as relações femininas com os próprios corpos, alimentação, maternidade, regras sociais e as expectativas das outras pessoas sobre cada um. No teatro, indicação livre. A entrada, como em todos os espetáculos com bilheteria aliás, será de 2l de leite UHT, e está restrita a 30 lugares.

O domingo (14) chega com outro espetáculo solo, desta vez com a atriz cearense Silvia Moura, de novo às 20h. A sinopse fala da necessidade de estancar sentimentos para daí conseguir falar sobre algo ou sobre uma sensação causada por várias insatisfações. O trabalho trata da busca por um estado de presença que estabeleça com o público uma relação de casualidade. O público ilumina o espetáculo e é levado a procurar um lugar para conseguir ver o trabalho da forma que lhe for menos arriscado. É proposto ao público segurar objetos que podem cair, escolher um lugar para ficar, escolher que parte da peça deve ser iluminada, numa performance de interação direta com o público. Teatro, 2l leite UHT, restrita a 20 lugares. Classificação livre

A semana começa com Andarilhos das Estrelas, às 10h da manhã da segunda (16). O espetáculo do mato-grossense Grupo Tibanaré traz uma trupe de brincantes com seu espetáculo de rua, estruturado num cortejo cênico musical. Transitando por entre ruas, ruelas, praças, estações, ônibus coletivo e outros lugares que surgirem no caminho, os andarilhos buscam uma relação festiva de surpreender o público em qualquer hora e lugar para “desarmar” a urbanidade com dança, cantos populares e representações poéticas. Praças e ruas do Centro Histórico de Cuiabá, começando pela Praça da República. Classificação livre.

No mesmo dia 16, mas às 20h, os paulistanos bastante conhecidos dos cuiabanos dos Parlapatões apresenta Os Mequetrefe. Na peça, quatro palhaços que não por acaso se chamam Dias vivem a jornada de um longo e divertido dia. Do despertar à hora de dormir  revelam, segundo o escrito na sinopse, “como a desconstrução da lógica cotidiana pode abrir espaço para outras maneiras de encarar a vida. Vivendo situações bem comuns esses cidadãos nada comuns provocam uma série de confusões tão hilárias quanto poéticas”. Teatro, entrada padrão de 2l de leite UHT e restrita a 210 lugares. Classificação livre.

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Palco Giratorio

Caliban - A Tempestade, dos gaúchos do Ói Nóis Aqui Traveiz, dá sua interpretação sobre o clássico de Shakespeare com foco no personagem Caliban

Quarta (17), às 18h é a vez da CiaSenhas de Teatro, do Paraná, apresentar seu FUI! A peça é livremente inspirada na obra literária Tchick, de Wolfgang Herrndorf, com texto e direção de Sueli Araujo. O espetáculo apresenta quatro personagens que se encontram após 15 anos para, através da criação de uma peça de teatro, lembrarem e reviverem as experiências que compartilharam quando eram jovens. Temas como amizade, solidão, confiança e sexualidade são abordados. Teatro, entrada padrão para até 210 espectadores. Classificação: 12 anos.

Mais tarde, às 20h, quem entra em cena é a Cia do Tijolo, de São Paulo. Eles apresentam Ledores no Breu, peça inspirada no pensamento e na prática do educador Paulo Freire, nas obras do poeta Zé da Luz e do ficcionista Guimarães Rosa e trata das relações entre o homem da leitura, das letras e do mundo ao seu redor. Ledores no Breu traz histórias que acompanham leitores na escuridão e analfabetos em pleno século XXI, seres que percorrem distâncias para elucidar suas dúvidas, seus erros e seus crimes. Um homem que por não poder ler as letras comete um crime contra seu amor e contra si mesmo; outro homem que desperta para as artimanhas e dubiedades da palavra ou alguém que reinventa o afeto a partir das letras que formam um nome. Personagens que têm suas vidas transformadas a partir de suas relações com as letras e as palavras. Salão Social. Entrada custa 2l de leite UHT e restrita a 50 espectadores. Classificação: Livre.

Na quinta (18) às 18h é a vez do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, apresentarem seu Abrazo. É a segunda parte da trilogia que compõe o projeto de pesquisa latino-americano (as outras duas são Nuestra Senhora de Las Nuvens e Dois Amores y um Bicho) do grupo. Abrazo é uma obra voltada para o público infanto-juvenil, que pode ser assistido por crianças e adultos de todas as idades. Num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio, afeto e liberdade. O espetáculo não verbal conta com a música especialmente composta para a cena e com vídeo de animação para narrar essa aventura inspirada em O Livro dos Abraços, de Eduardo Galeano. Teatro. Entrada custa 2l de leite UHT para até 210 espectadores. Classificação: Livre.

Mais tarde, às 20h, entra em cena os atores da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de outro Rio Grande, o do Sul. Eles apresentam a desmontagem Evocando os Mortos – Poética da Experiência, com Tânia Farias. A desmontagem refaz o caminho da atriz na criação de personagens emblemáticos da dramaturgia contemporânea. Constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. Desvelando os processos de criação de diferentes personagens, a atriz deixa ver quanto as suas vivências pessoais e do coletivo Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz atravessam os mecanismos de criação. Salão Social, 2l de leite UHT, restrita a 50 espectadores. Classificação: 16 anos.

A semana encerra com Caliban – A Tempestade, de Augusto Boa, novamente com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. A figura de Caliban ratifica a fundação mais firme de uma representação voltada para as margens. Falar em Caliban como símbolo de nossa identidade e do teatro latino-americano os leva a explorar novas sendas, novas categorias e a possibilidade de pensar e fazer teatro de outro modo. Implica em tornar visível as inumeráveis contradições e complexidades que configuram as sociedades contemporâneas marcadas pela ferida colonial. Orla do Porto (Em frente ao Museu do Rio). Classificação livre e acesso gratuito. 

Por fim, no mesmo dia 19, às 20h, será apresentado no Jardim do Sesc Arsenal o espetáculo Ninhos, com os paulistanos do Balangandança Cia. São imagens e poesias de movimento apresentando Ninhos como lugar de partida para voos, descobertas, passeios. Neste jogo, brincadeiras de crianças confundem-se com movimentos de animais lembrando as similaridades entre movimentações de diferentes espécies. Os ninhos são os momentos de recolhimento que fortalecem relações mais sutis, íntimas e subjetivas, tão importantes para a criança. Classificação livre.

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