ECONOMIA E AGRO

Terça-Feira, 19 de Maio de 2020, 11h:11 | Atualizado: 19/05/2020, 16h:56

RISCO DE FERRUGEM

Embrapa critica insistência da Aprosoja em plantio irregular e vê risco de ferrugem

Divulgação

Colheita da soja em Mato Grosso

Após questionamentos da Aprosoja sobre a competência e idoneidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a entidade divulgou uma nota pública em seu site reafirmando ser contrária ao plantio de soja em fevereiro, como o feito pela Aprosoja este ano em 30 áreas do estado.

A questão é discutida judicialmente. O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com ações contra a Aprosoja e seus produtores. Em sua última decisão, o relator dos processos, desembargador Mario Kono, determinou que os grãos colhidos na plantação supostamente irregular devem ficar armazenados em locais indicados e com acompanhamento do Indea-MT.

“O posicionamento técnico da empresa, assim como da maior parte das entidades, sempre foi contrário à liberação em razão do grande risco que a extensão da ponte verde traz para a sustentabilidade da cadeia produtiva da soja”, informa a Embrapa em trecho da nota.

A instituição de pesquisa, que é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) explica o que o melhor período para semeadura da soja no Brasil é nos meses de outubro e novembro, sendo que a colheita das lavouras é feita até março. Essa ação, chamada de calendarização de plantio, interrompe o ciclo reprodutivo do fungo da ferrugem asiática, pior doença que ataca a soja. Este argumento da entidade já foi utilizado diversas vezes pelo Indea-MT, MPE e Procuradoria Geral do Estado (PGE) contra o plantio irregular da Aprosoja.

“Ao se semear em fevereiro, amplia-se até junho o período com plantas vivas no campo. Chamada de ponte verde, essa situação aumenta o número de gerações do fungo em uma única safra. Isso resulta na aceleração do processo natural de seleção de resistência do fungo aos fungicidas”, informa a Embrapa em outro trecho.

No mês passado, a Aprosoja fez vários questionamentos sobre a capacidade e idoneidade da Embrapa por meio de nota pública em seu site. Em um trecho a nota diz que “a Embrapa se recusou a fazer a pesquisa que agora está sendo realizada pela Fundação Rio Verde”. Já em outro momento questiona a seriedade da empresa: “Pergunta-se, a Embrapa, a qual embasou as conclusões do Ministério Público, estaria realmente interessada na busca da verdade?”.

Para estes questionamentos, órgão do Mapa foi taxativo: “A Embrapa nunca se recusou a realizar pesquisas, desde que elas tenham como objetivo gerar novos conhecimentos e que não coloquem em risco a segurança fitossanitária do País.”. Tais pesquisas sobre a soja, incluindo a semeadura em fevereiro, são feitas desde 2015 com universidades, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e representantes do setor produtivo.

“A posição da Embrapa é técnica e se baseia em pesquisas realizadas ao longo de sua história e na literatura científica sobre dinâmica de populações e controle de epidemias.”, explica a nota.

“Os conhecimentos, tecnologias e recomendações gerados não segregam e nem são direcionados a quaisquer grupos isolados de produtores. São dirigidos, indistintamente, aos pequenos, médios e grandes produtores de todo o Brasil. Busca-se, na verdade, atender aos interesses de todos aqueles que compõem a cadeia da soja, procurando garantir a maior sustentabilidade deste importante setor do agro brasileiro”.

A nota pública também explica que o Consórcio Antiferrugem, que é uma parceria público-privada, vem constatando a redução da eficácia dos fungicidas utilizados no combate a ferrugem asiática e outras doenças. Essa redução da eficiência é um risco a mais na propagação da doença se agricultores insistirem em fazer plantios irregulares.

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