ECONOMIA E AGRO

Segunda-Feira, 01 de Junho de 2020, 07h:50 | Atualizado: 01/06/2020, 08h:52

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"Febre" delivery invade Cuiabá e vendas pelo Whats crescem até 50% na pandemia

Ana Paula e thais

Lindas cucas (abaixo) feitas por Ana Paula e Thais agitam vendas

Com comércio presencial limitado, a pandemia da Covid-19 provocou, no mundo, “explosão” de vendas on-line, principalmente pelas redes sociais, com entrega em esquema de delivery, e a febre chegou em Cuiabá. Principalmente pelo WhatsApp, vende-se de tudo, com destaque para comidas caseiras. O vizinho desconhecido virou um fornecedor de pães, queijos, perfumaria e uma infinidade de produtos e serviços.

Estrategistas já previam essa transformação comercial mais para o futuro, passando por uma adesão gradativa, de acordo com o economista Vivaldo Lopes. Porém, a fuga do coronavírus pelo isolamento social acelerou o fenômeno. "Isso tem sido bom não somente para os pequenos, mas também os grandes que inclusive já vinham se ajustando a esse padrão".

Para Vivaldo, as pessoas estão tomando contato com o empreendedor que existe dentro delas e, para muitos, estava adormecido. “A pandemia vai estimular o empreendedorismo”, afirma o economista.

Em meio a esta crise epidemiológica, estima-se um crescimento de em torno de 30% a 50% das vendas via aplicativos de bate-papo.

Para quem já está no ramo, e quer aprimorar, ou quem pensa em se agarrar a esta possibilidade para fazer dinheiro urgente, vale conhecer as experiências de quem já está se dando bem nisso.

cucas

Parceria mãe e filha

Antes de amanhecer, quando a madrugada ainda está escura, por volta das 5h, Ana Paula Pires Barboza, de 49 anos, levanta da cama e começa a preparar cucas de goiabada, chocolate e outros sabores. Com a filha Thais, 25, recém-formada em Gastronomia, toca uma padaria virtual e as cucas são o carro-chefe. Mãe e filha juntaram suas habilidades e receitas da família gaúcha, de Vacaria (RS), e começaram neste projeto pouco antes da pandemia de Covid-19 se agravar no Brasil e viram as vendas aumentarem em 30%, pelo WhatsApp e outras redes sociais.

Alessandra

Alessandra: roupas por comidas

“Entregamos de máscara e usando álcool em gel”, afirma Ana Paula, preocupada com o contágio.

Para um negócio deste tipo dar certo, os ingredientes principais, segundo ela, são amor e união da família. Além de caprichar na apresentação dos produtos.

Elas fazem diversos produtos de confeitaria e também cestas de café da manhã.

Dependendo da distância do cliente, cobram uma taxa e vão levar o pedido no carro da família, um Gol.

Resultado econômico disso é o aumento da renda familiar, inclusive de Thais que já é casada.

De roupas a “comidinhas”

Excelente vendedora de roupas, Alessandra Peclat Araújo, 49, se viu numa rua sem saída, quando o isolamento social começou a ser preconizado contra o contágio. Como ir até as clientes, fazer toda aquela festa, mostrando novos modelos, informando preços, experimentando, se o contato tornou-se um risco? “Estava fazendo zero vendas”.

Foi assim que ela resolveu trocar as roupas por comidas, pelo menos por enquanto. No condomínio onde mora, participa de vários grupos e oferece pão italiano, enroladinho de salsicha, biscoito de queijo, rosca doce, canjica, que ela mesmo entrega, sem cobrar taxa. O marido, que trabalha em gráfica, nas horas vagas, também ajuda na entrega.

A maior satisfação, diz, é receber elogios.

O que recebe pelas comidas não supera o que arrecadava com as roupas, mas, neste período de crise, está dando para feira, açougue, mercado. Casada, mãe de 2 filhos, ajuda o marido a sustentar a casa. “E assim vamos vencendo essa fase a cada dia”.

Juliana

Juliana Campos deixou as faxinas, duas por dia, para investir em vendas on line de produtos da roça e já trocou o carro, um March por caminhonete Cangoo

Ex-diarista

Juliana Campos, de 35 anos, foi diarista por mais de dois anos. Pegava duas casas para limpar por dia. Mas, dores nas costas causadas pela rotina puxada a impediram de continuar nesse ritmo doido. Parada, logo veio desânimo e depressão. Resolveu então fazer feira, apresentando uma massa de tapioca caseira que faz, foi o suficiente para ir fechando várias parcerias com pessoal da roça e começou a vender uma lista extensa de produtos, na qual tem torresmo, doces, frango e ovo caipira, queijos e manteigas, e a lista é grande, vai embora, com mais de 30 ítens.

“Aí veio a pandemia e fiquei muito preocupada, pois todas as feiras foram suspensas, inclusive do Sesc Arsenal, que faço também”, diz ela.

Neste contexto, resolveu dar mais atenção à clientela do whatsApp e da rede social, investir no delivery. “Graça a Deus duplicaram os meus clientes e atendimentos, tanto que tive que fazer mais investimentos, comprei carro maior. Hoje trabalho com uma Cangoo (antes um March). E graça a Deus minhas vendas só vão aumentando. Meus clientes estão satisfeitos com atendimento, e com produtos”, afirma.

A clientela dela e vip. Tem grupos com moradores de condomínios de luxo na Capital.

Segredo do sucesso on line, segundo ela, é foco e qualidade dos produtos, não adianta mostrar foto bonita e entregar “porcaria”. Ter um diferencial é importante. “O meu é que vendo produtos frescos, da roça e não industrializados”.

Juliana não cobra entrega, porque dificilmente, segundo ela, alguém pede menos de R$ 70. O valor do delivery deixa como bônus.

Perfumaria

Ana Rita tem apenas 18 anos e, antes da Covid-19, estava estudando para o Enem. No isolamento, entrou em depressão, perdeu o “tesão” de estudar e resolveu ajudar em casa, já que o salário da mãe foi reduzido e o pai, que fazia Uber, está parado. Optou por perfumarias e maquiagem.

“É entranho porque, embora não possam sair de casa muito, as pessoas continuam querendo perfumes, batom, lápis, e ainda mais para presentear, sem sair de casa, porque, associando a entregadores que estão de serviço, faço entregas”.

Ela também fala em diferencial. Ofereço bilhetinho, com dedicatória. Associo com flores também.

Quando tudo isso passar, esperar retomar a vontade de estudar. Porém, as vendas despertaram nela uma empreendedora que estava adormecida. “Vou procurar semi-jóias e roupas também e não vou deixar mais de ganhar meu dinheirinho”.

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Comentários (4)

  • Juliana | Segunda-Feira, 01 de Junho de 2020, 20h42
    1
    0

    Oi o contato do produto da roça é 65 993431816 pedidos via whatsapp

  • Natascha Lopes | Segunda-Feira, 01 de Junho de 2020, 11h48
    2
    0

    Faltou colocar o contato dessas pessoas, principalmente das mulheres que vendem cuca. Pode nos informar esses contatos por favor?

  • fabio juliano vargas | Segunda-Feira, 01 de Junho de 2020, 11h22
    2
    0

    qual o telefone do produto da roca por favor

  • Eleitor Atento | Segunda-Feira, 01 de Junho de 2020, 08h55
    1
    2

    Tudo parece muito facil...mas não é bem assim.

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