ECONOMIA E AGRO

Terça-Feira, 17 de Novembro de 2015, 15h:02 | Atualizado: 17/11/2015, 15h:07

Grupo divulga dados para mudar visão da Europa sobre a produção

Gilberto Leite

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Diretor executivo da Aprosoja, Wellington Andrade, revela que ainda há resistência à soja transgênica

Pensando em mudar a visão do Mercado Europeu quanto aos limites impostos a produtos agrícolas brasileiros, a Aprosoja faz um trabalho de divulgação pela Europa.

Além da associação de Mato Grosso, a Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) participa das reuniões.

O trabalho consiste em levar informações qualificadas sobre a agricultura brasileira, que tem sido questionada quanto ao processo produtivo adotado nos campos nacionais. 

Para o diretor executivo da Aprosoja, Wellington Andrade, uma das principais controvérsias que existe no mercado europeu é modo de produção no país. 

Para ele, o europeu ainda tem a visão de que aqui no Brasil, especialmente, em Mato Grosso, ainda é necessário derrubar florestas e cerrado para que tenhamos uma grande produção. "Hoje essa produção é bem diferente. Não derrubamos nenhum pé de árvore, é uma produção sustentável e estamos levando essa visão de como realmente é a produção de grãos aqui,  para os membros do parlamento e países da União Européia", destaca.

O diretor explica ainda que a ida dessa comitiva é estratégica, pois está sendo feita pouco antes da Conferência do Clima em Paris, a COP 21. "Assim poderemos levar as informações corretas sobre a nossa produção, pois é neste evento onde geralmente os ambientalistas constumam questionar. Já estamos dando o remédio antes da doença chegar", frisa. 

Soja transgênica

Revista Plantar

SOJA_PRODUCAO

Soja transgênica ainda enfrenta resistência no mercado europeu, diz Aprosoja

Outra questão que ainda é considerada um tabu em boa parte da Europa é a transgenia da soja e a comitiva também deverá tratar sobre esse tema nesta viagem. "Não há estudos que comprovem de que esse tipo de soja faz mal, ou seja, temos que desmitificar essa situação no mercado europeu. Há países que adquirem esse tipo de produto sem receio e precisamos difundir. Paralelo a isso, temos que orientar o produtor para as adequações legais na produção do campo”, salienta.

O Ministério do Meio Ambiente também está presente na comitiva, que visita a Bélgica, a Holanda e a Inglaterra, pólos centrais do Parlamento Europeu. “É o fórum de debate dos assuntos estratégicos da Comissão Europeia, que reúne representantes políticos dos 28 países membros da União Europeia”, explica Ricardo Arioli, consultor da Aprosoja e um dos idealizadores do road show.

Na tarde da última quarta (11), foi realizado um seminário no Parlamento Europeu tendo como tema central as políticas ambientais brasileiras e as iniciativas dos produtores rurais em prol de uma gestão cada vez mais sustentável de suas propriedades. Neste evento, representando Mato Grosso e Aprosoja, Arioli abordou o programa Soja Plus, em que agricultores são orientados pela entidade sobre como se adequar às leis ambientais, fundiárias e trabalhistas do Brasil. 

“As apresentações foram muito bem recebidas. Até os representantes de organizações não-governamentais, como a Conservation International, elogiaram nossos avanços”, afirma o consultor. Após o seminário, a comitiva brasileira se reuniu com o membro do Parlamento Europeu Francisco Assis, que idealizou o evento. “O feedback foi muito positivo, e já estamos planejando o próximo”, antecipou Arioli.

De acordo com ele, o principal obstáculo é o desconhecimento sobre a rigidez das leis ambientais brasileiras. No entanto, acredita que assim que iniciativas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) são apresentadas, o cenário muda. “Foi após tomar conhecimento com a nossa legislação que Francisco Assis idealizou este evento. A ideia central é divulgarmos todos os avanços que estamos vivendo, o que torna o mercado europeu mais receptivo”, observa Nelson Piccoli, diretor financeiro da Aprosoja e membro da comitiva. 

Na última quinta, a comitiva participou de uma palestra no encontro anual da Confederação das Indústrias Agrícolas do Reino Unido. Esta é a segunda vez que a iniciativa é realizada: em março, Aprosoja e Abiove visitaram Holanda, Bélgica e Inglaterra.

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Comentários (2)

  • Moacir Geringer | Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2015, 19h30
    6
    0

    Pedro Paulo este movimento que acontece hoje na Europa é uma reação da sociedade deles em relação a um composto químico muito utilizado nos agrotóxicos específicos para lavouras transgênicas chamado neonicotinoide que está causando um verdadeiro holocausto na população mundial das abelhas, o que se vê na verdade é um esforço por parte desta associação em camuflar os fatos e vender uma imagem distorcida a nós consumidores aqui no Brasil pois a moratória da soja vetou a compra de soja de áreas de desmatamento, para se ter ideia da real situação todas as lavouras de milho transgênicos da Hungria da safra 2013 foram incineradas por ordem das autoridades, precisamos espalhar essas informações para desmascarar essas atitudes insensatas que vemos hoje por parte de nossos governantes, empresas financiadoras e demais partes envolvidas de facilitar e aprovar a utilização destes venenos que acabam na nossa mesa, se dependermos destas pessoas envolvidas com o agronegócio o que conhecemos como mundo está com os dias contados, o próprio físico Stephen Hawking falou publicamente há alguns meses que a humanidade está fadada à extinção neste planeta se não mudarmos já a forma de produção de alimentos.

  • Pedro Paulo | Quarta-Feira, 18 de Novembro de 2015, 10h36
    7
    1

    Quanta falácia sr. Welington, a preocupação do Europeu não é em relação ao desmatamento e sim com relação aos agrotóxicos que além de impróprios para a saúde humana acaba atingindo os lençóis freáticos e contaminando as populações dos arredores das plantações dizimando todas formas de vida, vocês sabem muito bem que o movimento contra as grandes corporações que estão devastando o planeta na Europa está se espalhando pelo mundo inteiro e cedo ou tarde chegará ao Brasil e os produtores terão que se adaptar a uma forma de produção orgânica e com uma liquidez muito menor do que a forma atual que está destruindo nosso habitat. O Brasil e sua cultura de corrupção é solo fértil para o modus-operandi dessas grandes tradings e o produtor rural só enxerga o próprio umbigo sem se importar com o bem-estar dos demais, é chegada a hora de colocar a barba de molho e aceitar que não dá mais pra continuar destruindo nossas reservas naturais e expondo os seres vivos em nome de uma suposta competitividade em um cenário de livre mercado, os tempos estão mudando, quer vocês queiram, quer não.

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