ECONOMIA

Quarta-Feira, 19 de Outubro de 2016, 17h:59 | Atualizado: 20/10/2016, 15h:07

seminário

Moratória da Soja completa 10 anos e aponta redução do desmatamento

Assessoria

moratória da soja

ONGs e empresas do agronegócio se reuniram em SP  em evento do Grupo de Trabalho da Soja

A Moratória da Soja acaba de completar dez anos de existência. A iniciativa que reúne empresas do setor do agronegócio e ONGs conseguiu evitar que o plantio da oleaginosa culminasse no aumento do desmatamento ilegal no bioma amazônico, que ocupa cerca de 40% do território nacional.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento caiu de 19.014 km² (2005), para 5.831 km² (2015), após a implantação da iniciativa, que coíbe a compra da soja, por tradings e indústrias, que tenha sido plantada em áreas de desmatamento.

Para celebrar o feito e discutir o futuro da Moratória, ambientalistas, representantes de ONGs e de empresas do setor do agronegócio se reuniram nesta quarta (19), em São Paulo, em seminário promovido pelo Grupo de Trabalho da Soja (GTS).

O Grupo é responsável por planejar e executar as ações da Moratória e tem como partícipes representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e de gingantes do agronegócio.

Na oportunidade, membros do GTS afirmaram que a iniciativa inspirou programas de sustentabilidade em outras cadeias e até melhorias na governança ambiental pública brasileira, como é o caso do Novo Código Florestal.

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Diretora de Sustentabilidade da Amaggi, Juliana Lopes, cita resultados de redução do desmatamento

Para a diretora de Sustentabilidade da Amaggi, Juliana Lopes, a Moratória trouxe uma visão muito clara de que não existe uma dicotomia entre produção e recursos naturais. “Uma coisa não é antagônica a outra. Vimos resultados práticos de redução do desmatamento ao mesmo tempo em que identificamos o aumento da produção de soja. Esse é o maior legado que a moratória trouxe”, avalia.

Seguindo o mesmo pensamento está Paulo Adário, diretor do Greenpeace, que foi eleito pela ONU o “Herói da Floresta”, prêmio concedido a pessoas de todo o mundo que ajudaram a proteger florestas e suas comunidades. Em recente entrevista, ele cita que a iniciativa mostrou ao mundo e aos setores do agronegócio, em escala mundial, que é possível produzir sem desmatar. “É possível produzir e aumentar a taxa de lucro e ainda transformar a luta contra o desmatamento como parte do bussines case”.

O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, avalia que a soja não é um vetor importante no desmatamento da Amazônia e destaca os avanços com a iniciativa. "Agora temos um processo de produção absolutamente alinhado com a demanda internacional. Além disso, construímos ao longo de uma década uma relação especial com a sociedade civil e com o Ministério do Meio Ambiente".

Moratória da Soja

Criada em 2006, em um momento de fortes campanhas por preservação da floresta amazônica, a Moratória prevê que grandes grupos não comprem soja oriunda de áreas de desmatamento. Para isso, utilizam documentos e monitoramento via satélite.

Reprodução

soja-campo

Bioma cobre Pará, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e parte do Maranhão, Tocantins e MT 

Atualmente, há 3,92 milhões de hectares desmatados ilegalmente na área de bioma amazônico monitorada pelo projeto. Desse total, apenas 37,2 mil hectares foram cultivados com soja na safra 2015/16, equivalente a menos de 1 por cento do total. Ainda segundo dados do GTS, desde os primeiros anos da Moratória, o índice de plantio de soja em áreas desflorestadas irregularmente manteve-se abaixo de 1%.

O bioma amazônico compreende os estados do Pará, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e algumas partes do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Em maio deste ano, a iniciativa foi renovada por prazo indefinido. “Até que a gente tenha uma efetiva e completa instalação do novo Código Florestal, a Moratória tende a continuar. Após vamos checar o que ambos trouxeram de governança ambiental para pensarmos em inovações”, finaliza Juliana. 

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