ECONOMIA E AGRO

Quarta-Feira, 15 de Julho de 2020, 12h:24 | Atualizado: 15/07/2020, 17h:08

IMPACTO ECONÔMICO

Petrópolis demite 280 empregados e deputados criticam incentivos de Mauro

O anúncio de mais 101 demissões da cervejaria do Grupo Petrópolis e o fechamento da unidade em Várzea gerou repercussão na Assembleia, nesta quarta (15). Deputados questionaram a falta de isonomia do Governo do Estado quanto aos incentivos fiscais. Já são 280 demissões na cervejaria, que justifica não conseguir arcar com a folha de pagamentos por não sido contemplada no Prodeic.

Divulgação

Cervejaria Petr�polis - cerveja Itaipava

A Petrópolis fabrica cervejas com a Itaipava e tem uma fábrica instalada em Rondonópolis

No total, 280 trabalhadores ficaram desempregados. São funcionários em diversas cidades, como Cuiabá, Várzea Grande, Alta Floresta, Água Boa, Juína, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra, além de Rondonópolis.

Desde o final de março, em todo o país, o grupo chegou a dar férias a 10 mil funcionários que retornam agora no final de maio. O faturamento da Petrópolis em todo o país chega a R$ 10 bilhões anualmente.

Ao justificar as demissões, em nota, a empresa alega que foi atraída a Mato Grosso graças ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) e pelas políticas públicas que visavam o desenvolvimento regional. Em abril deste ano, por decisão judicial, a empresa teve parte de seu incentivo anulado.

O grupo era um dos beneficiados com a Lei de Reinstituição dos Incentivos Fiscais em Mato Grosso e deixaria de pagar cerca de R$ 200 milhões em ICMS até outubro de 2020. Apesar de alegar perdas, a empresa ainda continua com o benefício de 60% e não mais os 90% que foi ajustado em governos anteriores.

Recente decisão judicial determinou que fosse retomado o incentivo previsto no acordo original assinado em 2008 pelo ex-governador Blairo Maggi. À época, o acordo de 60% foi firmado como incentivo para a instalação da fábrica em Rondonópolis que deveria, em contrapartida, criar empregos e ajudar no desenvolvimento sócio econômico do Estado. Ou seja, dos R$ 200 milhões em incentivos, o valor seria de R$ 120 milhões.

Deputados questionam Governo sobe isonomia

O tratamento para empresas terem acesso aos incentivos fiscais estaria sendo desigual segundo alguns deputados estaduais. Eles acusam ainda que haveria interesses econômicos de membros do governo e não estão sendo seguidas as normas para garantir a isonomia.

O deputado Paulo Araújo (PP) criticou o secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, a quem se referiu como “primeiro-ministro” por sua atuação.

Mayke Toscano

Secret�rio da Casa Civil Mauro Carvalho

Secretário da Casa Civil Mauro Carvalho é sócio de empresa concorrente da Petrópolis

“Ele não está honrando compromissos. Temos interferência dele em quase todos os processos, não tem secretário da Casa Civil que segure essa relação contaminada, não vai adiantar a habilidade do Mauro Carvalho com as interferências negativas do Gallo em todas as secretarias do Estado, prejudicando a relação institucional do governo com os outros poderes".

No mesmo sentido, Max Russi (PSB), ironizou os privilégios de Gallo enquanto secretário de Estado e que não estaria olhando para o desemprego. “É fácil para quem ganha bem, tem jetons, não querer saber do trabalhador e das empresas fechando”.

A crítica mais incisiva ao governo veio do petista Lúdio Cabral, que se referiu a Gallo como “escudo para o governo de Mauro Mendes”. E ao comentar as 280 demissões da cervejaria disse que vê interesses econômicos. "Até que ponto esse imbróglio não tem a ver com os interesses do secretário chefe da Casa civil, Mauro Carvalho, que é empresário do mesmo ramo?", questionou.

Carvalho é sócio da empresa responsável pela distribuição das bebidas da Ambev em Mato Grosso e concorre diretamente com a Petrópoles no mercado. O procurou o secretário, que informou, pela assessoria, que não vai se manifestar sobre o assunto.

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