ECONOMIA E AGRO

Quarta-Feira, 26 de Fevereiro de 2020, 18h:05 | Atualizado: 27/02/2020, 08h:53

AINDA É INCERTO

Reabertura dos EUA à carne brasileira pode não favorecer pecuária de MT

Divulgação

Frigor�fico de Mato Grosso - Carne

Fato dos frigoríficos de Mato Grosso cobrarem lexibilização da legislação sanitária pode comprometer exportações regionais para a América do Norte

O anúncio de reabertura do mercado dos Estados Unidos para carne bovina in natura do Brasil pode ser só uma promessa para Mato Grosso. Apesar de ter o maior rebanho do país com 30 milhões de cabeças de gado, a flexibilização da legislação sanitária devido às pressões políticas por parte das indústrias, podem ser o maior empecilho para concorrer no mercado considerado mais exigente do mundo. Os EUA suspenderam, em 2017, a compra do produto brasileiro devido às complicações na saúde dos animais com aplicação da vacina contra a febre aftosa.

Caso os produtores e frigoríficos mato-grossenses desejem conquistar esse mercado de alta exigência, devem superar os problemas identificados durante a Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 2017, que identificou adulteração de carnes para a venda nos mercados interno e externo, levando à prisão executivos de frigoríficos e ex-funcionários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O alerta do economista Vitor Galesso é de que os maiores concorrentes do produto brasileiro, como Austrália e Europa, podem explorar essas fragilidades e influenciar o consumidor estadunidense.

Outro desafio a ser superado, trata da qualidade da carne. A venda de carnes embaladas com restos de pelancas, fibras e peles, por exemplo, pode não incomodar consumidores brasileiros e nem mesmo asiáticos, mas são itens muito valorizados pelo mercado dos EUA.

Quanto aos suínos, especificamente, sabemos que o Japão, por exemplo, não aceita os controles sanitários do Brasil. “Esse é um mercado mais interessante e que poderíamos explorar, fora que a flexibilização da legislação nesse sentido, também é um ponto fraco que os concorrentes devem atacar” avalia o economista.

Para Vítor Galesso, um aspecto promissor para Mato Grosso é que, a médio prazo, o Estado pode atrair investidores estrangeiros interessados na possibilidade de crescimento da produção. “O produtor e os frigoríficos estão se aprimorando e isso chama a atenção de bons investidores”, afirmou Galesso.

De acordo com nota do Ministério da Agricultura (Mapa), desde o início do ano passado, a ministra Tereza Cristina tem se reunido com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, para tratar do assunto. Em junho de 2019, uma missão veterinária dos Estados Unidos esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos de bovinos e suínos. A missão retornou em janeiro deste ano. O FSIS disse que o Brasil corrigiu os problemas sistêmicos que levaram à suspensão e está restabelecendo a elegibilidade das exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos.

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