ECONOMIA

Terça-Feira, 18 de Outubro de 2016, 16h:21 | Atualizado: 18/10/2016, 16h:23

crédito rural

Se MT resolvesse captar tudo que precisa, não tinha dinheiro suficiente


Enviada Especial à Serra Gaúcha

Patrícia Sanches

Sicredi resultados retornam para a região

Edson Nassar, CEO do Sicredi, reconhece que MT detém um dos principais mercados em crédito rural

O financiamento rural é um dos principais anseios dos pequenos, médios e grandes produtores. Entre as principais instituições financiadoras aparece o Sicredi. É a segunda instituição financeira privada com maior volume de recursos concedidos em crédito rural no Brasil, sendo o maior operador com recursos do BNDES na modalidade Pronaf Investimentos nas safras 2013/2014 e 2014/2015.

Edson Nassar, CEO do Banco Cooperativo Sicredi, reconhece que Mato Grosso detém um dos principais mercados neste segmento. Ele ressalta que, nos últimos anos, o Sicredi tem dobrado o número de captação em Mato Grosso. “Agora, existe uma correlação: como eu empresto? Eu captei de alguém. E a região de Mato Grosso não é onde você consegue captar mais dinheiro. Então, tem todo um sincronismo que a gente tem que fazer com 121 cooperativas. As mais captadoras e as mais tomadoras”, explica.

Nessa linha, Nassar ressalta que a cooperativa de crédito precisa fazer um equilíbrio entre as regiões que produzem mais e as que produzem menos. “Se Mato Grosso resolvesse captar tudo o que precisa, não tinha dinheiro suficiente. Porque é tanta terra, é tanta produção, que a gente precisa ir aos poucos, mas a gente vem crescendo muito”, disse o CEO durante press trip Sicredi, que reuniu 45 jornalistas de todo o país.

No ano-safra 2015/2016, a instituição liberou cerca de R$ 8 bilhões em todo o país e, para este novo ciclo 2016/2017, que começou em 1º de julho, estima aportar aproximadamente R$ 10,6 bilhões, em 185 mil operações, entre custeio e investimento. Se comparado com o Banco do Brasil, entretanto, o valor é pequeno.

Para se ter uma ideia, o BB anunciou que vai liberar R$ 6,6 bilhões apenas para Mato Grosso, sendo que em todo o país o montante é de R$ 101 bilhões. A diferença se explica pelo perfil totalmente diferente das duas instituições financeiras, especialmente em relação ao modo de captar, gerir e dividir os recursos. Ocorre que o Sicredi é uma cooperativa. Sendo assim, as verbas vêm dos clientes, que são na verdade associados. A política de juros é diferenciada, assim como os “sócios” têm direito a parte dos lucros.

Agricultura familiar

O pequeno e médio produtor rural (agricultura familiar) segue como o segmento preponderantemente atendido pelo Sicredi. No ciclo 2015/2016, cerca de 70% das operações realizadas foram direcionados a esses públicos.

A carteira de Crédito Rural do Sicredi é de aproximadamente R$ 14,1 bilhões. Deste montante, cerca de 57% (R$ 8,1 bilhões) são direcionados para custeio, comercialização e investimento, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e aos demais produtores.

Os outros R$ 6 bilhões, 43%, são liberados em operações com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO). “A gente tem grandes esforços, a gente tem várias linhas. As linhas que a gente tem aumentado com o BNDES são exponenciais. Todas elas renovadas. Tudo que é dinheiro do rural tem vindo para gente. Mato Grosso é o nosso foco de crescimento também, assim como temos outras regiões produtoras, mas é um perfil diferente”, ressalta o CEO.

Nessa linha, o CEO pondera que Estados como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina tem um crescimento da agricultura familiar, enquanto que Mato Grosso detém mais grandes produtores.

Segundo dados da Empaer, existem 104.346 famílias atuando na agricultura familiar. Entre as principais atividades estão hortifrutigranjeiro e pecuária de leite. No ano passado. A Empaer, um dos braços da área, aprovou 1583 projetos, que buscavam crédito rural, totalizando R$ 92.264 mil aplicados.

Pronaf

Reprodução

safra

Perspectivas para safra 16/17 são bastante otimistas. MT espera colher até 54 milhões de t de grãos

Neste ano, a cooperativa espera liberar, até o final do ano, patamar de R$ 200 milhões aos agricultores familiares do Estado. Em 2015 foram 173,7 milhões. Em 2014, o montante em recursos do Pronaf liberado a agricultores familiares da região foi de R$ 92,2 milhões. O Pronaf é uma das frentes de atuação da cooperativa.

Safra

As perspectivas para a safra 2016/2017 são bastante otimistas. Mato Grosso espera colher entre 52,8 milhões de toneladas e 54,2 milhões de toneladas de grãos. Os dados são da Conab e foram divulgados no último dia 6. Caso se confirme, o crescimento será superior a 20%. No ciclo anterior o Estado, campeão na produção de grãos, colheu 43,4 milhões de toneladas, uma redução de 16% se comparado ao ciclo anterior, onde foram colhidos 51,7 milhões de toneladas de grãos.

O desempenho não foi tão positivo em decorrência da instabilidade climática. Choveu pouco. Para se ter uma ideia, os produtores mato-grossenses, amargaram a redução da colheita do milho segunda safra, com redução de 5,2 milhões de toneladas de um ciclo para o outro; e encolhimento de 2 milhões de toneladas na colheita da soja. Os dois itens foram os que mais contribuíram para a redução da colheita de grãos.

Agora, produtores esperam ter melhores resultados neste ano. Isso é importante para manter o crescimento do setor e recuperar um pouco do prejuízo, inclusive para garantir que honrem com os empréstimos feitos junto às instituições bancárias.

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Comentários (1)

  • j.fears | Segunda-Feira, 05 de Dezembro de 2016, 18h51
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