ECONOMIA E AGRO

Segunda-Feira, 25 de Maio de 2020, 15h:47 | Atualizado: 25/05/2020, 20h:40

INSEGURANÇA JURÍDICA

Sem incentivos, Grupo Petrópolis sinaliza com demissão de 179 funcionários em MT

Reprodução

F�brica da Cervejaria Petr�polis em Rondon�polis

A sede do Grupo Petrópolis em Mato Grosso anunciou que pode demitir 179 funcionários nessa segunda (25). Segundo nota da assessoria, a justificativa seria a anulação dos incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado de Mato Grosso em meio à crise provocada pelo novo coronavírus (Covid-19). 

Os 179 trabalhadores que ficariam desempregados são funcionários em diversas cidades do estado, como Cuiabá, Alta Floresta, Água Boa, Juína, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra, além de Rondonópolis, cidade onde a empresa mantém uma cervejaria e é uma das principais geradoras de empregos e renda do município.

Desde o final de março, em todo o país, o Grupo chegou a dar férias a 10 mil funcionários que retornam agora no final de maio. O faturamento do Grupo em todo o país chega a R$ 10 bilhões anualmente.

O Grupo Petrópolis reduziu a carga horária e deu férias aos funcionários como forma de evitar as demissões, mas agora chegamos no limite. Não há o que fazer a não ser demitir

Diretor de Controladoria do Grupo, Marcelo de Sá

De acordo com a assessoria, os cortes visam manter a saúde financeira do grupo e o número inicial de cortes representa 11% do quadro total de colaboradores diretos em Mato Grosso, que é de 1.516 pessoas, além da estimativa de seis mil empregos indiretos. A unidade de Rondonópolis, inaugurada em 2008, é uma das mais modernas cervejarias do país e emprega quase 750 pessoas, produzindo marcas como Itaipava, Crystal, Petra, entre outras.

Ao justificar as possíveis demissões, em nota, a empresa alega que foi atraída a Mato Grosso graças ao Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) e pelas políticas públicas que visavam o desenvolvimento regional, em abril deste ano, por decisão judicial, a empresa teve seu incentivo anulado.

O Grupo era um dos beneficiados com a Lei de Reinstituição dos Incentivos Fiscais em Mato Grosso e deixaria de pagar cerca de R$ 200 milhões em ICMS até outubro de 2020. Apesar de alegar perdas, a empresa ainda continua com o benefício de 60% e não mais os 90% que foi ajustado em governos anteriores.

Recente decisão judicial determinou que fosse retomado o incentivo previsto no acordo original assinado em 2008 pelo ex-governador Blairo Maggi. À época, o acordo de 60% foi firmado como incentivo para a instalação da fábrica que deveria, em contrapartida, criar empregos e ajudar no desenvolvimento sócio econômico do Estado. Ou seja, dos R$ 200 milhões em incentivos, o valor seria de R$ 120 milhões.

Pouco competitivo

O fato teria causado surpresa, "visto que, após 10 anos de fruição do incentivo, sem nenhum apontamento em contrário, a companhia sempre cumpriu com todas as obrigações. No entanto, no início de 2018, com a posse do atual Secretário de Fazenda, Rogério Gallo, começaram uma série de ações direcionadas do Estado que resultaram na inovadora decisão do Juiz João Thiago de França Guerra, da vara de Fazenda Pública de Cuiabá", diz trecho da nota.

Para o Grupo Petrópolis, a mudança, além de gerar insegurança jurídica, faz com que o Mato Grosso se torne pouco competitivo frente a outros estados. Aliada à queda na atividade econômica do país, como consequência da Covid-19, a empresa brasileira passou a analisar a necessidade de readequação de suas operações.

“O Grupo Petrópolis reduziu a carga horária e deu férias aos funcionários como forma de evitar as demissões, mas agora chegamos no limite. Não há o que fazer a não ser demitir”, diz o diretor de Controladoria do Grupo, Marcelo de Sá. “Sabemos de nosso papel social na geração de emprego e renda, além de ser um importante fomentador das economias locais, mas, infelizmente, o número de desempregados tende a aumentar caso essa decisão se mantenha”, comenta.

O diretor ainda considera que o tema é colocado erroneamente como prejuízo aos cofres públicos ou perda de arrecadação, "é, na verdade, uma forma de potencializar o desenvolvimento local, gerando empregos e renda para milhares de famílias", diz.

Segundo a empresa, o Prodeic obteve sucesso e, em 2018, uma pesquisa da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), apontou que o programa teve impacto direto na economia e, para cada real investido, gerou R$ 1,25 ou mais de retorno para os cofres públicos.

O grupo

Além da fábrica em Rondonópolis, o Grupo Petrópolis possui no estado outros 17 centros de distribuição próprios. Desde a inauguração, a empresa já investiu mais de R$ 600 milhões no Mato Grosso, tendo folha de pagamento superior a R$ 104 milhões anuais (salários, encargos e benefícios).

No ano passado, foram quase R$ 125 milhões em impostos (ICMS, ST, IPI, etc), R$ 36 milhões investidos em instalações, ativos e maquinário, R$ 10 milhões gastos somente com combustível e mais de R$ 72 milhões na contratação de frete terceirizado no Mato Grosso. (Com informações da assessoria)

 

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Comentários (2)

  • Rubens | Segunda-Feira, 25 de Maio de 2020, 18h03
    0
    0

    A AmBev pagou no mesmo período cerca de 500 milhões de reais, ou seja, cinco vezes mais, porque será?

  • Amaral antunes | Segunda-Feira, 25 de Maio de 2020, 15h51
    0
    0

    Amaral antunes, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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