ECONOMIA E AGRONEGÓCIO

Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 19h:20 | Atualizado: 11/07/2019, 19h:25

inovação banal

Ampa pede anulação na Justiça Federal de patente de algodão da Monsanto entenda

Gilberto Leite/Arquivo

Alexandre Schenkel

Alexandre Schenkel, da Ampa, que ingressou com ação para anular patente da semente de algodão da Monsanto

A Associação dos Produtores de Algodão do Mato Grosso (Ampa) ingressou hoje na Justiça Federal com o pedido de anulação da patente da semente de algodão da Monsanto denominada Bollgard II RR Flex. A Ampa sustenta que não há inovação relevante para novas patentes daquilo já utilizado pelos produtores há anos, objeto de gerações anteriores dessa tecnologia com patentes expiradas.

Lançada em 2013 pela Monsanto, a B2RF, nome popular da Bollgard II RR Flex entre os cotonicultores, é a combinação da segunda geração do Algodão Bollgard, que combate lagartas, com a segunda geração do algodão RoundupReady, tolerante ao glifosato. Entre os benefícios da B2RF estão a redução no desenvolvimento de resistência aos inseticidas, maior eficiência no controle de pragas, maior sobrevivência de insetos benéficos e melhor controle biológico de pragas secundárias.

O presidente da Ampa, Alexandre Pedro Schenkel, lembra que o produtor é quem mais se beneficia com novas tecnologias que chegam ao campo e tem o maior interesse em pagar por elas. “O que não aceitamos é pagar royalties por inovação banal que não tenha tecnologia suficiente que preencha os requisitos técnicos para concessão da patente”, destaca Schenkel.

Mato Grosso é o maior produtor de algodão do Brasil. De acordo com levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na safra 2017/2018, o Estado ocupou 66% da área plantada no Brasil e colheu 64% da produção de algodão do país.

De acordo com a AMPA, desde o início da comercialização da semente B2RF, o cotonicultor mato-grossense já entregou à Monsanto US$ 151 milhões, mais de meio bilhão de reais pelo cambio de hoje, em royalties no cultivo dessa tecnologia. Se o pedido da nulidade for aceito, além de receber os valores já pagos, o cotonicultor vai economizar, nas próximas safras, US$ 240 por hectare, custo pago pelos royalties da B2RF.

Na safra de seu lançamento 2014/2015, a B2RF ocupou apenas 3,9% da área plantada do Estado. Na safra atual (2018/19) já ultrapassou todas as tecnologias aplicadas no plantio de algodão do MT e ocupa 28,01% da área plantada.

Esta não é a primeira vez que a Monsanto é questionada na Justiça. Em novembro de 2017, Associações de Produtores de Soja de 12 Estados brasileiros pediram na Justiça Federal a anulação da patente da soja Intacta. Os produtores sustentaram que a patente do Intacta não cumpria os requisitos de patenteabilidade,violando a Lei de Propriedade Industrial.

Essa sucessão de questionamentos na Justiça - em 2012 os produtores também sustentaram que as patentes que protegeriam a tecnologia RR (RoundupReady)estariam vencidas - começam a despertar no produtor a necessidade de ter acesso a mais informações. Já é consenso entre as associações de produtores que a Lei de Propriedade Industrial precisa se atualizar para contemplar invenções aplicadas especificamente ao agronegócio.

“A Monsanto persiste na estratégia de cobrar royalties sem fornecer informações básicas a respeito das patentes, o que gera grande insegurança no mercado, já que o produtor nunca sabe pelo o que está pagando e se a cobrança é legitima”, diz o advogado da AMPA, Sidney Pereira de Souza Junior.

Para se proteger, o produtor é obrigado a buscar as informações por conta própria, o que leva muito tempo e gera mais custos. “A falta de transparência é uma estratégia perniciosa a todo o sistema patentário, que precisa ser revisto nas biotecnologias aplicadas na agricultura brasileira, onde, a cada safra, o produtor tem que pagar royalties para fazer uso da tecnologia”, diz Souza.

De acordo com o último levantamento feito pela Conab para a safra 2018/2019, a área plantada de algodão do Mato Grosso deverá apresentar aumento de 38,3%, ao sair de 777 mil hectares plantados na safra 2017/2018 para um pouco mais de 1 milhão de hectares na safra 2018/2019.

O Estado também crescerá 36% em volume produzido. A previsão de colheita para esta safra é de 1,7 milhões de toneladas contra 1,2 milhões de toneladas na safra 2017/18.

Outro lado 

Em nota, a Bayer/Monsanto diz que não foi notificada pela Justiça a respeito de qualquer pedido de anulação de patente da tecnologia de algodão Bollgard II RR Flex.

"As patentes dessa tecnologia seguiram as mais rigorosas regras de exame e todos os requisitos de patenteabilidade foram devidamente atendidos. A tecnologia BOLLGARD II RR FLEX® está disponível comercialmente no Brasil há cinco safras. Combina a proteção da lavoura contra as principais lagartas do algodoeiro à tolerância ao herbicida glifosato".

A empresa aponta que o produtor rural escolheu adotar a inovação trazida por essa tecnologia por entender "os grandes benefícios que ela traz para a lavoura e, por consequência, para o seu negócio", tais como econômicos e ambientais. "Essa é a razão da sua rápida adoção nas principais regiões produtoras de algodão no Brasil e também a razão de ser a tecnologia mais adotada em Mato Grosso, maior região de produção algodoeira do país".

A Bayer pontua que tem certeza de que, assim como inúmeras outras empresas de pesquisa e desenvolvimento, contribui com inovações importantes para o crescimento da agricultura no Brasil. "Somente com a intensificação desses investimentos, o país superará os grandes desafios que a agricultura tropical apresenta" (Com Assessoria e informações do Canal Rural).

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