ECONOMIA E AGRONEGÓCIO

Sábado, 20 de Abril de 2019, 08h:04 | Atualizado: 22/04/2019, 16h:41

CASA DOS SONHOS

Imóveis de luxo ao estilo cuiabano, além de lindos, são mais baratos e funcionais

Até pouco tempo atrás, o luxo dos imóveis, seja casa ou apartamento, era calculado em metros quadrados. Outras características também definiam se um imóvel era de luxo, como era o caso dos duplex, dois ou um por andar e o alto valor de compra. Esse modelo de classificação ainda é comum em grandes centros como Rio de Janeiro ou São Paulo, mas, em Cuiabá, estes conceitos mudaram. Os clientes agora buscam a combinação de três fatores: conforto, funcionalidade e tecnologia.

Rodinei Crescêncio

APARTAMENTOS DE LUXO

Ambientes devem ter funcionalidade, ou seja, ser útil aos mordores, ter conforto e também acabamentos altamente automatizados, como na iluminação

Atentas a essa mudança de comportamento, as construtoras também estão com ofertas mais modernas. Em Cuiabá, dificilmente alguém que queira um imóvel de alto padrão vai encontrar duplex ou triplex na planta, ou empreendimentos com um ou dois apartamentos por andar. Em contrapartida, poderá comprar imóveis com hall privativo, espaços diferenciados, áreas cada vez mais guourmetizadas e exclusividade em acabamentos cada altamente automatizados.

O luxo em Cuiabá também está mais barato do que nas grandes metrópoles. Os preços médios dos apartamentos de luxo em Cuiabá se situam entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões. Já as mansões em condomínios de luxo estão entre R$ 2 milhões e R$ 8 milhões. Mas é possível encontrar imóveis de R$ 800 mil com características já consideradas como de alto padrão.

Alguns fatores têm contribuído para essa mudança de paradigma. Para o gerente comercial de uma construtora que atua em Cuiabá, Adriano Melquiades, o perfil dos consumidores é um dos fatores que tem impulsionado as mudanças de parâmetros no mercado de luxo.

“Quando a gente pensa em um apartamento de luxo, pensa em um imóvel, alto, grande e caro. Hoje temos apartamentos de quase R$ 2 milhões. Mas também temos bastante demanda por apartamentos um pouco menor, com a média de 170 metros quadrados, e mesmo assim estarem enquadradas como alto padrão, porque atende a necessidade de famílias menos numerosas”.

Galeria: Apartamentos de luxo na Capital

Outros critérios que entram neste conceito é que os consumidores buscam localização privilegiada, detalhes no acabamento, funcionalidade do empreendimento e proximidade com as áreas de lazer e de trabalho. “Apartamentos com hall social privativo, com elevador dentro do próprio apartamento, sem hall social compartilhado. Varanda com 25 metros quadrados. Integração da área gourmet com a cozinha. É muito mais conforto e exclusividade para receber amigos, ao invés de fazer uma festa no espaço gourmet do condomínio, pode receber até 25 pessoas em seu próprio apartamento”.

Instagram

Simon Bergamaschi

Simon Bergamaschi é especialista em vendas de imóveis

O gerente comercial de outra construtora em Cuiabá, Heitor Barua, avalia que esse mercado de luxo não pode ser comparado com o mercado de outras grandes cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro. “Nestes grandes centros se você mora bem, significa que mora em uma região nobre. Em Cuiabá, você consegue morar bem em qualquer região da cidade. No Rio, por exemplo, tem o atrativo da beleza natural. Em Cuiabá, uma região nobre está muito próxima de uma região menos nobre. O ponto positivo é que conseguimos oferecer um produto nobre, moderno e tecnológico, sem um valor estratosférico”, avalia.

Para Simon Bergamaschi, que é especialista em vendas de imóveis de luxo na Capital, o conceito de mercado de luxo passou da “ostentação” para a “qualidade de vida” nos últimos anos. “Alto padrão hoje é uma construção chamativa, em lugares com segurança. Os ricos não querem mais as casas faraônicas, com 600 a 800 metros quadrados. Hoje o perfil é no máximo 400 metros quadrados, quando falamos em casas”.

Simon explica que o tamanho menor das casas e dos apartamentos de luxo é motivado pelo fator economicidade. “Para manter uma casa de 400 metros quadrados hoje em dia custa entre R$ 7 mil e R$ 9 mil por mês só com condomínio e IPTU. E isso tem pesado muito na hora de escolher um local para morar e que tenha o conceito de alto padrão”.

O corretor também aponta que este tipo de mercado não está servindo à “tradicional especulação imobiliária”, que até há pouco tempo era considerado como um nicho de investimento. “A revenda de imóveis de luxo está muito lenta, além de existir muita desvalorização. O momento econômico não tem favorecido a revenda. Apartamentos que custam em torno de R$ 1,8 milhão têm sido vendidos a R$ 1,4 milhão”, exemplifica.

Financiamento

Rodinei Crescêncio

APARTAMENTOS DE LUXO

Gerente comercial Adriano Melquiades explica formas de financiamento desses "palácios"

Adriano Melquiades relata que os financiamentos de imóveis de luxo têm funcionado de forma muito similar aos imóveis convencionais, com entradas mínimas e financiamentos que duram entre 20 e 30 anos.

“A diferença é que muitos consumidores conseguem pagar essas parcelas em menor tempo, mas o financiamento é muito comum. Evidente, que existem aqueles que preferem pagar de uma única vez, mas como os juros imobiliários estão baixos, a maioria dos consumidores prefere financiar e utilizar aquele dinheiro que gastaria pagando de uma única vez, aplicando em sua empresa e fazer o valor lucrar acima dos juros que pagará ao banco”, exemplifica.

Já Simon explica que outro tipo de negociação tem sido muito comum na aquisição de imóveis de luxo. “Hoje não se consegue fazer uma venda de R$ 2 milhões que não se entre pelo menos a metade do valor em outros imóveis, terrenos, apartamentos. O mercado não está tão aquecido, aumentou a procura, mas os consumidores ainda estão com receio de investir. Existem casas novas que estão fechadas há quase um ano e que não aparece comprador”, relata.

Detalhes caros

Se na estrutura, os imóveis menores conseguem alcançar o alto padrão dos imóveis maiores, um fator tem contribuído para essa diferenciação, os acabamentos e a decoração. Neste mercado, o que até então parecia ser excêntrico, também ganhou novos conceitos nos últimos anos.

Rodinei Crescêncio

APARTAMENTOS DE LUXO

Mesas que podem custar R$ 100 mil e cadeiras de R$ 5 mil seguem tendência da moda, possuem cores do ano e design exclusivo para diversos gostos

A empresária Adria Muniz é proprietária de uma loja de decoração e móveis de luxo, em Rondonópolis, cidade onde o mercado de luxo está em expansão. Adria atua na área há 18 anos, e afirma que os móveis de alto padrão e itens de decoração tem sido o grande diferencial no complemento ao conceito “luxo” nos imóveis.

Mesas que custam R$ 80 mil, sofás de R$ 40 mil ou cadeiras de R$ 5 mil, são algumas das mil peças que Adria tem à pronta entrega.

Arquivo Pessoal

Empresária Adrya Muniz

Empresária Adria Muniz destaca que o diferencial pago compensa na qualidade de vida

“O mercado de móveis e decoração de alto padrão se assemelha ao mercado da moda. Temos uma renovação de tendência anual, que inclui cores do ano, designers em evidência que assinam peças exclusivas, além de um mercado que se inspira nos lançamentos de Milão, na Itália, e também das grandes feiras de decoração em São Paulo (SP). A produção nacional não está devendo nada ao mercado internacional, e consegue oferecer produtos de altíssima qualidade”.

Adria avalia que apesar de os produtos de alto padrão ter valores incomparáveis com os produtos convencionais, algumas características produzem o diferencial buscado pelos consumidores. “Não se pode falar que se trata de produtos excêntricos. Pelo contrário, são altamente funcionais, pois, possui tecnologia diferenciada aplicada na produção, o que garante maior durabilidade, conforto, além, é claro, de maior beleza”.

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Comentários (3)

  • Andre | Domingo, 21 de Abril de 2019, 02h31
    0
    0

    Andre, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Carlos | Sábado, 20 de Abril de 2019, 20h55
    5
    1

    Prefiro ter minha casinha no Osmar Cabral, meu uno 95, e não dever nada pra banco nem pra fdp nenhum. Impostos em dia, ninguém bate em minha porta pra cobrar. Nunca tive stress. Se precisarem de orientação financeira me procurem.

  • alexandre | Sábado, 20 de Abril de 2019, 15h09
    6
    0

    Muito caro, não compro, ,40 mil é preço de carro, não mesa , só o agronegócio compra.. não tem custo de fabricação, nem tecnologia que justifique o valor..

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