ECONOMIA

Quinta-Feira, 24 de Setembro de 2015, 14h:00 | Atualizado: 27/09/2015, 20h:17

Acrimat ressalta ciclo e aponta falta de planejamento dos frigoríficos

Gilberto Leite

José João Bernardes

José João Bernardes, presidente da Acrimat cita capacidade ociosa de abate

O cenário do setor frigorífico do Estado tem sido alvo de muitas discussões. Para se ter idéia, nos últimos 18 meses foram fechadas sete plantas frigoríficas no Estado, o que gerou cerca de quatro mil demissões. Ao todo, Mato Grosso possui 22 plantas operando e 18 fechadas. Mesmo com o cenário não favorável e com Governo e representantes do ramo falando em crise, o presidente da Acrimat, José João Bernandes, em entrevista exclusiva para o Rdnews, explica que a pecuária está seguindo o seu ciclo e garante que o cenário já era previsto.

De acordo com o presidente, o Estado, mesmo com as 18 plantas frigoríficas fechadas, ainda tem uma capacidade ociosa de abate superior a 25%. “Nós gostaríamos de questionar também, como é que com quase metade das plantas existentes fechadas ainda temos essa ociosidade?”, indaga.

E faz outras ponderações: “o nosso rebanho não sofreu grandes alterações, continuamos com o maior do Brasil, e diminuímos pouco o abate, mas isso por si só não justificaria o fechamento de tantas plantas”.

"O nosso rebanho não sofreu grandes
alterações, somos o maior do Brasil"

Para Bernardes, o que pode ter ocorrido foi uma má previsão por aqueles que se instalaram no Estado ou eles imaginaram que o rebanho iria crescer muito além do que cresceu. “Mas de qualquer maneira houve uma falha de planejamento pelas empresas que aqui se instalaram”.

Ações

Por outro lado, pensando em driblar os efeitos da crise econômica que assola o país, o Governo estadual, por meio da secretaria de Estado de Assitência Social, apresentou ao setor de frigoríficos algumas propostas, que visam minimizar os impactos causados pelas centenas de demissões na área.  Durante reunião, realizada no último dia 21, representantes do setor acataram medidas apresentadas pelo secretário de Trabalho e Assistência Social, Valdiney de Arruda.

Mário Okamura

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Secretário estadual de Trabalho e Assistência Social, Valdiney de Arruda

Entre as propostas, está uma parceria na qual a pasta fará o intermédio de mão de obra para o setor com o objetivo de reduzir o desemprego formal e para que os postos de trabalho vagos não sejam extintos. O secretário também propôs a participação efetiva da Setas para agilizar o seguro-desemprego e auxiliar o trabalhador na manutenção e na busca de um novo posto.

Para isso, serão promovidas ações integradas de orientação, recolocação e qualificação profissional. Além disso, a proposta contempla orientações aos proprietários de frigoríficos para a utilização do recurso bolsa de qualificação profissional e também do Programa de Proteção do Emprego, uma bolsa qualificação, conhecido como layoff (ficar em casa, seja por férias coletivas, folgas, semanas reduzidas ou lay-offs).

O presidente do Conselho de Relações de Trabalho da Fiemt, Paulo Bresser, ressalta a importância da proposta apresentada pela Setas. Para ele, esse momento é de União. “Precisamos dar as mãos, caminharmos juntos, aproveitando que o Estado está mais presente”.

Já Roberto Almeida, diretor do Minerva Foods, lamenta o fato do grupo ter fechado uma planta recentemente, mas não descarta a retomada da unidade. “Não temos previsão para, agora, mas, caso o quadro econômico melhore podemos, sim, reativar a unidade fechada e reabrir as contratações”.

Além das propostas apresentadas durante o encontro, também ficou definido que o setor de frigoríficos terá um representante na câmara técnica que está sendo criada para enfrentar a crise econômica que o país vem passando. “O governo está promovendo a discussão entre trabalhadores e empregadores. Não se constrói a superação de uma crise se não houver à frente o diálogo”, finaliza Valdiney Arruda.

Também participaram do encontro a adjunta de Trabalho e Emprego Ivone Rosset, o secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos (Sindifrigo), Josenino Borges, outro representante do Grupo Minerva José Roberto Affonso e representantes do setor jurídico da Fiemt.

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