ELEIÇÕES 2020

Domingo, 25 de Outubro de 2020, 14h:10 | Atualizado: 26/10/2020, 07h:16

CAMPANHA ELEITORAL

LGBTs são "esquecidos" em planos de candidatos na Capital; só 2 citam o tema

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Em 2020, crimes contra a população LGBTQIA+ aumentaram 108% em relação a 2019 em Mato Grosso. Apesar disso, tal parcela da população não ganhou o mesmo espaço nos planos de governo dos candidatos à Prefeitura de Cuiabá. Dos oito que concorrem ao Palácio Alencastro, apenas dois falam explicitamente sobre o tema.

Conforme dados do Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH), Mato Grosso registrou 160 ocorrências de crimes contra a população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queers, intersexuais e assexuais, entre janeiro e agosto deste ano.

Do total de registros, quatro são homicídios, quatro de suicídios e duas mortes ainda a esclarecer. Se comparado com o mesmo período de 2019 – que teve 77 boletins – o número aumentou em 108%.

A violência contra a população LGBTQIA+ sempre existiu, mas deixou de ser silenciada, principalmente, a partir do ano passado, quando houve uma mudança significativa no aspecto jurídico deste tipo de crime com a punição prevista na Lei de Racismo, a chamada criminalização da LGBTfobia, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Cuiabá, a prefeitura mantém desde a gestão do ex-prefeito Mauro Mendes (DEM) o Conselho Municipal de Atenção a Diversidade Sexual de Cuiabá (CMADS), que debate políticas públicas para o tema.

O analisou os planos de governo dos candidatos para ver qual espaço dado para a questão. Apenas Gisela Simona (Pros) e Julier Sebastião (PT) citam a sigla.

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

MONTAGEM PREFEITOS INTERNA 810

Membro da Assembleia de Deus, Abílio Júnior (Podemos) não aborda o tema em seu plano de governo. O mais próximo que chega é no trecho em que fala de Justiça e equidade. Diz estar determinado a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Quanto à discriminação, o foco é apenas em relação as “mulheres e meninas”. “Não pode haver desenvolvimento sustentável sem igualdade de gênero e paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável”.

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) também não traz propostas especificas à população LGBTQIA+, apesar de ter mantido em sua administração o Conselho Municipal de Atenção a Diversidade Sexual de Cuiabá (CMADS). De forma genérica, o emedebista fala apenas sobre manter e ampliar programas de cidadania e inclusão social.

Os planos de governo de Aécio Rodrigues (PSL), Gilberto Lopes Filho (Psol), Paulo Henrique Grando (Novo) e Roberto França (Patriota) também não abordam a discriminação e violência contra essa parcela da população.

Gisela, única mulher na disputa, aborda o tema já no eixo 3 de seu programa, quando fala sobre cultura, turismo e esporte e lazer, e propõe criar o Festival de Cinema LGBTQIA+. No eixo 5, que trata das suas propostas na assistência social, Gisela propõe criar política de combate às violências racial, de gênero, orientação sexual e intolerância religiosa. Não há, no entanto, explicação sobre quais seriam essas políticas.

Defendendo maior inclusão social, Julier também aborda o tema em seu plano de governo. Diz que as populações tidas como “periféricas”, como a LGBTQIA+, terão lugar prioritário nas ações de sua gestão.

“Precisamos discutir a melhor forma de configurar, paisagisticamente, os espaços livres públicos através da implantação dos espaços ainda não configurados e requalificar os existentes para que se orientem pelo atendimento do direito à cidade, direito ao meio ambiente equilibrado e direito ao lazer para todos, especialmente aos grupos vulneráveis como crianças, mulheres, idosos e grupos LGBTQ+I+ que devem ser prioritários na formulação de políticas públicas”, diz trecho do programa que cita a sigla LGBT por oito vezes.

Medo da pauta

MidiaNews

Clovis Arantes

Clóvis Arantes, ativista LGBTQIA+ e dirigente da ONG Livremente, afirma que candidatos temem tratar da pauta

Clóvis Arantes, ativista LGBTQIA+ e dirigente da ONG Livremente, afirma que a falta de propostas sobre o tema demonstra o temor dos candidatos que não querem ver suas candidaturas vinculadas com a pauta.

“Não é um esquecimento, na realidade os candidatos têm medo da pauta, pois é atravessada por um viés moral. Têm medo do que as pessoas vão falar se ele trouxer a pauta para dentro do seu programa. Quando passarem a entender que as pessoas LGBTs são pessoas de direitos como todas as outras, isso não vai mais acontecer. Isso demonstra pobreza de conhecimento e de propostas. Para uma proposta ser inclusiva, tem que incluir todos e todas, independente da orientação religiosa, religião e condição financeira”, disse ao .

Ainda segundo Clóvis, quando se fala de políticas públicas para a população LGBTQIA+, a sociedade trata de proteção a vida, como acesso à saúde e acompanhado de tratamento completo. “Na educação, não queremos só incluir crianças e jovens na educação, mas que essas crianças e jovens LGBTs permaneçam na escola, não sejam expulsas”.

Clóvis explica que o grupo precisa que o próximo governante de Cuiabá crie, efetivamente, a coordenadoria municipal de políticas públicas para a população LGBTQIA+, que terá papel de dialogar com todas as secretarias. “Só assim poderemos fazer um plano municipal de atenção a essas pessoas, transversalizando as necessidades, pois não temos só necessidade de saúde e educação, mas de cultura, trabalho e moradia. É preciso deixar claro aos candidatos que somos pessoas que também pagam impostos e precisamos de políticas públicas que atendam efetivamente as populações mais vulnerabilizadas”.

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Comentários (9)

  • alex r | Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020, 16h06
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    Sou favorável a leis únicas que sejam cumpridas! SE é crime agressão .. não importa se é contra , mulher, homem ou lgbtqia+ ... A lei tem que se fazer valer e pronto!!!!

  • antonio da silva | Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020, 07h47
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    Agora eles são mais importante que todo mundo.

  • jossy | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 21h56
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    Com todo respeito, mas por que determinado segmento social merece ser lembrado mais que outros tipos os albinos, que sofrem muito com a baixa pigmentação da pele e não há nenhuma política compensatória de quotas para eles; ninguém falou de pessoas que sofrem com doenças raras. Será que o embarque na agenda midiática da ONU e do ativismo de plantão é obrigatório? Creio que devemos ter tratamento equânime para todos os seres humanos com dignidade. Chega desse modismo cavalgante em rolo compressor ativista

  • Gisela 90 | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 21h00
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    Gisela 90

  • Iguais | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 17h16
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    Ngm é melhor que ngm para ter políticas especiais... As políticas públicas devem tratar todos com igualdade, independe de gênero ou orientação sexual. Simples assim... Imprensa quer pregar diferenciar as pessoas.. Quero é educação, saúde pública, vagas em creches e segurança pública eficaz... Independente da orientação sexual do cidadão

  • Liz | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 16h49
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    Querem privilégios, cotas, descontos, canonização?!?!?! Chega, né!? TODOS somos cidadãos brasileiros que temos DIREITOS e DEVERES. NINGUÉM abaixo do céu é semi-deus !!!!

  • Cláudio | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 15h35
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    Esse tema é relevante? Educação, saúde, segurança, transporte público e etc. As minorias não podem ter privilégios enquanto a maioria fica “a ver navios”.

  • Povo de Matogrosso | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 15h34
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    Grande bosta... tanto tema importante e o site só lembrou dos gays. Decepcionante.

  • Mister | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 14h45
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    Lgbt é o caralho. Não tem nem remédio basico nas policlínicas.

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