FILHOS EM SEGURANÇA

Pais procuram babás por meses e serviço confiável está a cada dia mais raro - saiba

baba

Desafio dos pais é encontrar babá confiável, com quem possam deixar os filhos. Custo disso é em torno de R$ 1 mil

O engenheiro e empresário Marcello Souza Faria, 40 anos, de Cuiabá, está há oito meses a procura de uma babá para cuidar do filho. Ele tem tido muitas dificuldades para encontrar uma profissional no mercado. Sem o serviço, vem faltando muito ao trabalho para ficar com o filho.

Alternativa às babás são as creches públicas e privadas. As municipais não dão conta de atender toda a demanda. Em Mato Grosso, estima-se que 27 mil crianças estejam fora delas. As privadas dispõem de vagas, porém o preço vai de R$ 300 a R$ 2 mil.

Arquivo Pessoal

Marcello

Saga de empresário Marcello já dura 8 meses

Marcello é dono de uma empresa de engenharia ambiental em Cuiabá. Separado, ele que cria o filho, junto com a mãe. O menino tem 4 anos e pela manhã vai ao maternal. O pai quer uma babá que fique seis horas com a criança à tarde. Prefere não deixá-la em tempo integral na instituição – pública ou privada – por achar muito cansativo.

"A maior dificuldade de hoje nem é achar uma babá, mas sim uma boa babá, confiável", desabafa.

A maior dificuldade de hoje nem é achar uma babá, mas sim uma boa babá, confiável

Marcello Souza, pai de um menino de 4 anos

Nessa busca, a primeira experiência de Marcello foi com uma agência de empregos. Ao ver um anúncio de jornal, ligou para a empresa que indicou um nome ao engenheiro. Ele contratou a mulher. "Foi a pior experiência que eu tive", lamenta.

Segundo o engenheiro, ela começou bem. A babá era atenciosa e atendia às necessidades de seu filho. Contudo, começou a relaxar no serviço. "Chegar tarde, faltar muito e trazer muito atestado", reclama.

O menino também queixou-se ao pai de que ela não fazia as coisas que ele queria, como brincar e ir ao parque. Depois dessa, o pai já contratou mais duas babás. Também não deram certo.

Desde então, o empresário corre atrás de uma profissional para ficar com o seu filho. A saga já dura oito meses. "É muito tempo", desabafa.

Marcello tem a guarda compartilhada do seu filho com a mãe. Atualmente, o empresário já se casou novamente e a nova esposa também ajuda na criação. Mas se desdobrar entre trabalho e cuidado tem sido desafiador para pai, mãe e a nova esposa, pois cada um se reveza e dispõe de seu melhor horário para ficar com o menino.

Arquivo Pessoal

babá Edite

Edite Dias é baba e diz que profissão desafia

Ser babá é desafiador - Relato

Edite Dias Correia Pereira, 43 anos, é babá em um condomínio do bairro Boa Esperança, em Cuiabá. Ela afirma que a profissão é muito desafiadora e não é fácil cuidar do filho dos outros. Ressalta que nem todo mundo gosta de criança. Por isso, ela aconselha os pais a não deixarem a criança na mão de gente estranha.

"Tem muita gente que não gosta de trabalhar em casa que tem criança. É brinquedo para tudo que é canto, você arruma a casa e já tudo desarrumado logo depois. Você tem que ter muita paciência", comenta.

Edite já está há 12 anos como babá na mesma casa. Ela tinha somente experiência de doméstica, inclusive na mesma casa em que está hoje. Mas, na época em que surgiu a oportunidade, ela estava desempregada. A ex-patroa a chamou de volta para ajudar na criação dos filhos.

(Inicialmente) A gente fica com medo de não dar conta, porque não é um filho que é seu

Edite Dias, babá

Atualmente, Edite cuida de cinco crianças de 4 anos até 12 anos. Quando ela começou só eram só duas  – a segunda tinha apenas 16 dias de nascimento. A mãe e patroa então adotou mais três filhos durante esses doze anos. Hoje em dia a babá já está aposentada e mesmo assim continua ajudando na criação.

Edite conta que o início da profissão foi estranho e sentiu angústia. "A gente fica com medo de não dar conta, porque não é um filho que é seu", observa. Mas em questão de semanas o temor é substituído por laços de carinho, estabelecidos com as crianças.

"Só a responsabilidade que pesa. Tem que sempre estar por perto, pois você nunca pode deixá-los sozinhos", ressalta, lembrando que criança é rápida e a qualquer momento pode fazer qualquer coisa que a coloque em risco.

Edite disse que ser babá estressa bastante com o tempo. “Vai estressando no dia a dia. Às vezes a criança é cheia de vontade, você fala e não obedece”, comenta. Por conta disso, já chegou a tirar três períodos para descanso. Mas eram poucos dias e sempre retornava.

"Não é que a gente não goste. Nossa, eu gosto deles demais! Não sei se todo serviço é assim ou se é só esse. Mas com o tempo cansa", reforça.

Edite é mãe de três filhos. Ela avalia que a experiência materna ajudou na profissão. Todos os seus filhos já são adultos. "Já sou até avó!" - exclama.

A babá comenta também que cuidar dos filhos do patrão não gerou conflitos com os seus filhos. O caçula tinha seis anos quando começou a trabalhar. A mãe e irmã de Edite cuidavam dele. "O ruim é que a gente ficava longe deles. Perde todo o crescimento", sente.

Apesar das dificuldades, Edite elogia a profissão. Isso porque ela criou também um laço muito forte com as crianças de quem cuidou.  “Tem momentos que fico brava com eles por causa das broncas, mas os momentos bons superam. Não é só desespero não. A gente dá risada deles e das coisas que fazem”, conclui.

Gilberto Leite

Sine Simone Eloi

Muitas babás levam currículo ao Sine, mas esse caminho é pouco procurado pelos pais que preferem ouvir indicações

No Sine, tem mais babás do que vagas

A disponibilidade de profissionais com pretensão de ser babás é grande no Sine. É o que garante Simone Koehler, gerente de intermediação de mão de obra. “São mais trabalhadoras do que vagas abertas”, comenta.

Ao longo de 2018 só 13 vagas foram abertas. A procura é de famílias que precisam do serviço e não empresas. A faixa salarial varia de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil.

A gerente acredita que a busca deste tipo de serviço se dá muito mais no boca a boca do que através do Sine. “É um tipo de profissional que vem por indicação pessoal”.

No Sine, é feito um cruzamento do perfil do profissional com os requisitos exigidos pelo empregador, como experiência, nível de escolaridade, entre outros. Quando aparece uma trabalhadora com esses critérios, o órgão faz a indicação para entrevista. Se houver acordo entre as partes, há contratação e a vaga é fechada.

O perfil das babás que procuram o Sine é variado. “Tem desde a jovem que busca o primeiro emprego às pessoas de idade”, observa.

Falta de vagas em creches municipais é alvo de inquérito no MPE

A falta de vagas em creches municipais é alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual. O documento é assinado pelo promotor Miguel Slhessarenko Júnior.

O promotor abriu o inquérito para verificar a disponibilidade de vagas para o ano letivo desse ano. O caso surgiu após reclamações de pais de crianças entre 4 e 5 anos de idade.

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