ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 26 de Setembro de 2020, 07h:54 | Atualizado: 28/09/2020, 07h:30

Advogado de criminosos famosos em MT afirma defendê-los com "unhas e dentes"

Neyman Monteiro veio para Cuiabá nos anos 90 e se destaca pela defesa de sucesso em casos icônicos

Rodinei Crescêncio

Raio-X - entrevista especial advogado Neyman Monteiro

"A partir do momento que um cliente te procura e assina uma procuração, tem que ser defendido com unhas e dentes". Essa afirmação é do advogado Neyman Monteiro, conhecido por ser um profissional polêmico e que já atuou em vários casos criminais que marcam a história policial do Estado. Defendeu um dos criminosos supostamente mais temidos de Mato Grosso e considerado líder de facções, o Sandro Louco. Especialista na área criminal, também foi defensor de pilotos do tráfico, assassino de dono de restaurante e, por último e não menos importante, o Cabo Gerson Correa Junior, que no episódio conhecido como "Grampolândia Pantaneira" delatou suposto esquema de grampos no MPE e no Governo Taques. Neyman recebeu a equipe do em seu escritório na Capital e demonstrou paixão pela área que atua, e não só no mundo real, mas também na ficção, prova disso é o quadro do personagem Don Vito Corleone, vivido pelo ator Marlon Brando em Poderoso Chefão, considerado o melhor filme de gângster da história.

Confira os principais trechos da entrevista:

Como foi ao longo do tempo essa relação com o Sandro Louco, considerado líder do Comando Vermelho e condenado a pena de 205 anos e nove meses de reclusão?

A relação com o Sandro sempre foi profissional. É obvio que cada um o julga da maneira que quer e entende, mas falando enquanto advogado, ele me respeita e nunca me deu trabalho nenhum. Digo isso em relação a lidar com os processos dele. Me lembro, inclusive, que antes do primeiro júri, em que estava preso em Catanduva (segurança máxima), eu falei: “Sandro, tem 50% de chance de você ser absolvido e 50% de chance de você ser condenado". Ele falou o seguinte: "doutor, faça o seu trabalho, que eu confio em você". Com isso, antes do júri, cheguei a falar ao compenhairo de defesa, doutor Jorge Godoy: "então vamos embora". Trabalhamos, fizemos o júri e, graças a Deus, o absolvemos. E o segundo júri foi em uma terça da semana seguinte e também ganhamos. O que posso dizer é que ele é tranquilo com relação aos problemas particulares criminais dele.

Rodinei Crescêncio

entrevista especial advogado Neyman Monteiro

Neyman Monteiro em seu escritório, na Capital, durante entrevista à jornalista Bárbara Sá, quando falou do trabalho ao defender criminosos de MT

E quanto ao título dado ao Sandro Louco de líder do Comando Vermelho?

É o direito da Polícia Civil, Federal e da sociedade. Cada um pensa como quer, igual falei anteriormente. Antes era PCC (Primeiro Comando da Capital) aqui em Mato Grosso e disseram que ele era chefe. Depois, Comando Vermelho e ele é chefe de novo. Igual ele falou na audiência da 7º Vara que me lembro até hoje: "Doutora Selma (Arruda, juíz aposentada), eu fui chefe do PCC há um tempo, agora sou chefe do Comando Vermelho. E no futuro eu vou ser chefe do que? De qual organização? A que vai vir?". Ele nega isso. Ele não é chefe. Não gosto de adentrar ao mérito, mas não existe um chefe de nada. Existe situações em que cada um se compromete a praticar alguns tipos de crimes e leva o status de ser do Comando Vermelho ou de outra facção. Então, cada um coloca o Sandro Silva Rabelo num lugar que não concordo.

Você defende um dos homens envolvidos na morte do filho de um dos vereadores de VG, e causou comoção por conta de como ele foi morto. Como foi isso? E mais à frente ele foi alvo da PF por elo com o crime organizado. Porque sempre estão envolvidos nesse estilo de caso?

Esse processo está em andamento. Não gosto de comentar. A partir do momento que um cliente assina uma procuração, é obvio que o defendo com unhas e dentes. E isso é com qualquer tipo de cliente, sendo A, B ou C. Então, é o que estou fazendo com Alisson Magno. Ele é acusado de ter pilotado a moto no dia do crime. É uma situação em que cada cidadão que comete um crime tem o direito à defesa, é constitucional. Para mim, apenas pratico o meu profissionalismo. Minha ética profissional. É claro que as vezes nos excedemos quando é preciso.

Rodinei Crescêncio

entrevista especial advogado Neyman Monteiro

Neyman Monteiro em seu escritório, durante entrevista ao Rdnews; destaque para quadro de Don Vito Corleone

Você defende alguns pilotos que já foram pegos transportando drogas pela fronteira. Como é esse estilo de crime e como defender um cliente desse naipe?

Existe alguns colegas que até falam que advogo de maneira agressiva, pois é uma maneira de advogar desde cedo. Além disso, como tive êxito quando trabalhei com clientes como pilotos de avião, fiquei conhecido neste meio. O tráfico nesta modalidade é simples, a droga é oriunda da Bolívia ou do Peru, tem que entrar na área brasileira. Seja pelo ar ou por terra. As vezes algumas pessoas conseguem o êxito e outras não. Essa modalidade funciona de uma maneira, assim como a polícia tem a dela em investigar e prender. É uma briga de cachorro e gato.

Você defendeu o ex-vigilante Alexsandro Abílio Farias pelo assassinato do empresário Adriano Henrique Maryassael Campos, cometido dentro de um banco de Cuiabá, em 21 de junho de 2011. Ele foi condenado há 7 anos, pode falar sobre isso?

Alexsandro perdeu a cabeça. Me lembro até hoje que perguntei a ele o motivo de ter atirado contra o empresário. E ele me respondeu: "doutor, o senhor já foi humilhado não somente uma vez? Perdi a cabeça". Essas foram as palavras dele. Diante disso, parei e pensei. Ele foi sincero, busquei me aprofundar muito nesse caso. Deixei ele foragido por 5 anos. Apresentei na delegacia logo depois do termino do inquérito que em seguida saiu a prisão preventiva dele. Fiz a instrução penal dele sem a presença dele. Fizemos o júri dele, e o conselho entendeu que ele não travou a porta, que era o que apontava como crime hediondo. E conseguimos essa menor pena. Esse é um caso que guardo para mim.

Assista vídeo com perguntas exclusivas; o advogado fala sobre o caso da Grampolândia Pantaneira:

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Comentários (3)

  • Pql | Domingo, 27 de Setembro de 2020, 23h40
    0
    2

    Melhor usar a caneta e conhecimento !

  • Edson LIMA | Domingo, 27 de Setembro de 2020, 14h55
    1
    5

    Esse advogado criminalista é espetacular

  • Ale Mariano | Sábado, 26 de Setembro de 2020, 08h34
    14
    20

    Grande e brilhante advogado, de fato, defende seus clientes com unhas e dentes... parabéns Dr..

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