ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 03 de Outubro de 2019, 13h:43 | Atualizado: 03/10/2019, 15h:07

Após The Voice, Adrya quer continuar em Cuiabá e fala sobre reconhecimento - veja

Adrya Almeida representou Cuiabá e MT na Globo e faz relato sobre sua carreira fazendo casamentos

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Adrya Almeida

 

Vestindo o mesmo conjunto em couro sintético e tom terroso que usou no dia da apresentação às cegas no The Voice Brasil, reality show musical da Rede Globo, Adrya Almeida brinca ao entrar na sala e perceber a coincidência: "Nem pensei quando saí de casa, mas tá tudo bem!", diz enquanto dá gargalhadas. Sorridente e alto astral, a cantora, que já contabiliza, aproximadamente, mil apresentações em casamentos desde que começou a carreira, aos 16 anos, abriu às portas da Splendore, empresa comprada por ela e pelo marido, que ela se refere como seu maior fã ao longo da trajetória. Assim como Celine Dion, uma das principais divas que moldaram seu estilo musical. Adrya nunca fez outra coisa além de cantar (e encantar com os agudos impressionantes), chegou a começar quatro faculdades: não pegou o diploma em nenhuma delas. O amor pela música sempre fez o coração da cantora bater mais rápido. Uma das paredes do escritório de Adrya, onde ela se posiciona para conversar com o , através de fotografias conta, entre outras coisas, a história da cantora que se misturou com a do reality musical. Depois da eliminação, durante a fase de batalhas, Adrya agora comemora o reconhecimento do público, seja quando vai almoçar em um restaurante ou buscar os filhos na escola. Para o futuro, a mulher otimista e de riso solto, pretende investir no árduo trabalho de empoderar mulheres. Ao mostrar as cenas do parto, a cantora se emociona enquanto conta como alguns duvidaram que ela conseguiria trazer o filho ao mundo de forma natural. Foi assim que Adrya descobriu uma grande potência dentro de si mesma e, hoje, busca conscientizar cada uma das mulheres que passam por sua vida sobre o poder feminino. Para ela, todas as mulheres são capazes de alçar vôos cada vez mais altos e sonhar sonhos tão ambiciosos quanto os homens, pois são poderosas. 

Confira os melhores trechos da entrevista:

Qual a sua relação com a música? Quando percebeu que gostava de cantar?

A minha relação com a música foi provocada pelo meu pai, ele é um amante de música boa. Quando comprava um CD para ele, comprava outro para mim. Ele gostava muito de pop e rock, cresci ouvindo Scorpions, Modern Talking, Roxette, U2, Mariah Carey e Celine Dion, além de muitos outros. Fui tirando os meus próprios gostos a partir da influência do meu pai. Comecei a escutar esses cantores, mas ainda não tinha despertado em mim a vontade de cantar. Na adolescência comecei a ouvir Sandy e Junior e fui gostando mais do mundo da música. Quando tinha 14 anos passei a ir à igreja, onde aprendi que, de fato, poderia cantar, porque sempre acreditei que era capaz, mas ainda não tinham me dado uma oportunidade. Foi bem difícil, tive que fazer um teste, era uma igreja bem rígida, principalmente na questão musical. Foi quando pensei que queria aquilo [cantar] para mim. Assim começou o canto na minha vida, inclusive, por conta desse começo, tenho uma influência do gospel muito grande no meu repertório. Com 16 anos comecei a cantar em casamentos e, de lá para cá, foram 15 anos cantando em cerimônias.

Dayanne Dallicani

Adrya Almeida - The Voice

A cantora Adrya Almeida recebeu a repórter Bruna Barbosa em seu escritório, na Capital, onde falou sobre vivência no The Voice Brasil e carreira

Durante sua passagem pelos EUA, você chegou a repensar a carreira musical. Como foi esse processo?

Na verdade, digo que foi um tempo em que decidi o que queria para minha vida, no todo. Quando tive que decidir se iria me aventurar morando em outro país, sem a minha família e sem ter para quem voltar quanto acontecesse algo ruim ou bom. Não foi isso que escolhi, voltei para o Brasil, porque sabia que queria realizar meus maiores sonhos aqui. Apesar de saber que a vida lá [nos EUA] seria mais fácil e com melhor qualidade de vida. Hoje em dia, se pudesse, pegaria toda minha família e mudaria. Mas hoje é mais difícil, porque somos quatro. Tenho dois filhos. 

Li que você se inspira muito em cantoras como Whitney Houston, Celine Dion, Mariah Carey e Adele. Qual a semelhança entre os estilos de vocês?

Se for comparar com a Celine Dion, que é minha preferida de todas, no começo da carreira ninguém acreditava que ela poderia ser quem ela é. Mas, uma pessoa acreditou nela e foi o grande produtor da vida dela. Esse apoiador foi o marido dela, que ela conheceu em um estúdio, quando tinha pouco mais de 20 anos. Ele apostou nela. Minha história é muito parecida com a dela nesse ponto. Quando eu já estava quase desistindo da música, conheci meu marido e contei minha história para ele. Mas, contei achando que ele escutaria como todo mundo escutava, que iria dizer para eu desistir, que daria uma ótima advogada ou médica, como meu pai dizia. Meu marido acreditou em mim e no meu sonho de cantar, graças a Deus. Conheci ele em 2013, um ano depois ele me incentivou a ter uma empresa para realização de casamentos. Seis meses depois tive que desmontar tudo porque comprei a Splendore. Como não acredito em coinciência, acho que existe um propósito para tudo, aconteceu de abrir minha empresa e a empresa que eu trabalhava estar a venda seis meses depois. E eu comprei.

O mercado de casamentos é um ramo novo em Cuiabá? É um serviço acessível para os casais?

Apesar das maioria das pessoas acharem que não, Cuiabá é uma das cidade que mais faz festas no Brasil e, além disso, muitas festas de luxo. Aqui acontecem festas de até R$ 5 milhões em uma noite, que tem duração de seis horas. Sempre vai haver espaço, se o trabalho tiver responsabilidade, honestidade e, principalmente, qualidade, que é um ponto inegável. Não há como trabalhar sem qualidade, mas, é preciso muita responsabilidade, porque trabalhamos com os sonhos dos casais, e o sonho não é uma coisa paupável. O cliente não chega no escritório e entrega o sonho dele nas minhas mãos. Eles chegam, me contam e vamos lapidando a ideia juntos até a chegada do grande dia. Qualquer pessoa pode contratar um serviço como esse, se tratando de sonhos não há preço. Na verdade, as pessoas se surpreendem, pois acham que é muito mais caro do que é na realidade. 

Dayanne Dallicani

Adrya Almeida - The Voice

Adrya em entrevista exclusiva ao Rdnews, em seu escritório, onde comanda a empresa especializada em casamentos

Quando decidiu se inscrever no The Voice?

Já tinha sido classificada na segunda edição do reality, cheguei a ir para São Paulo, mas, infelizmente, não passei das primeiras audições, que são feitas com os produtores do The Voice Brasil. Nesta segunda vez, aconteceu de eu chegar onde cheguei. Mas, no início, tive medo de participar, achava que não cantava tão bem para subir naquele palco, que era um jogo que, se tentasse jogar, minha carreira poderia ser colocada em risco. 

Como foi ter sido escolhida pela Ivete Sangalo?

Tinha muito medo de que ela não virasse, porque estava cantando uma música fora da minha zona de conforto. No dia cantei MPB, que não é algo que costumo cantar com frequência, mas escolhi esse gênero para mostrar o meu talendo, sem pensar se uma cadeiria viraria ou não. Já tinha desistido de alguém virar a cadeira para mim, tanto que fechei o olho do meio da música para frente e pensei: "Seja o que Deus quiser". Escutei as pessoas gritando, abri os olhos e vi que a cadeira estava virando. Naquele momento você não lembra nem se está cantando a música direito. É uma sensação sem explicação. 

Estar no time da Ivete já era um desejo seu?

A Ivete ficou famosa cantando axé, que não é um estilo parecido com o meu, mas, estar no time dela foi legal pelo ser humano que ela é. Ela é mesmo tudo aquilo que aparece na televisão, as pessoas me perguntam muito, depois que voltei para Cuiabá, se a Ivete é tudo isso e ela é mesmo. Quando tivemos a primeira reunião, entrei na sala e vi a Ivete lá, comecei a chorar sem parar. Ela é incrível. Mas, pensando no meu estilo musical, seria interessante estar no time do Lulu Santos. 

O que você acha que faltou para ter sido escolhida pela Ivete na fase das batalhas?

É difícil dizer se faltou alguma coisa. No dia que cantei não tinha mais "peguei", que é a opção de um dos jurados salvar o cantor que não foi escolhido. Então, essa parte não tenho como julgar, já que eram 12 "pegueis" na temporada e no dia que cantei era "mata-mata". Não fiquei chateada com a decisão da Ivete, naquele dia, aconteceu da Rebeca Lindsay se sair melhor que eu, não tiro o mérito dela. 

Como é o clima entre os participantes do programa?

Zero competição. E eu sou uma pessoa extremamente competitiva, se alguém me dizer que vai fazer algo, digo que vou fazer melhor antes mesmo de saber o que é. Mas, podemos controlar esses instintos, porque ser uma pessoa competitiva é uma característica da minha personalidade. No programa, tive oportunidade de conhecer cantores de todo o Brasil, encarei como uma rede para conhecer pessoas novas. Não tinha tempo para ninguém tentar puxar o tapete de ninguém lá dentro. Usei meu tempo para conversar com aquelas pessoas sobre a vida delas e fiz grandes amizades. Nas quartas de final, a minha amiga Paula se apresentou e acabou sendo eliminada. Mas, se ela chegasse até a final, eu voltaria para cantar com ela. 

Isabella Pinheiro/Gshow

Adrya Almeida

Adrya Almeida durante apresentação no The Vocie Brasil, na fase das audições às cegas, quando foi escolhida

Quais são os frutos que você já está colhendo após a participação do The Voice? Quantos casamentos você fazia antes e agora após o programa? 

Colho o reconhecimento das pessoas, que agora me conhecem um pouco mais, quando vou em algum restaurante o garçom me reconhece e pede uma foto ou na escola dos meus filhos. Não tem preço. Esse tipo de contato com o público, para um artista, não tem dinheiro que pague. Tirando essa questão, já tinha um reconhecimento muito grande na área de casamentos em Cuiabá. Mas, me reconhecerem sem pagar nada, é muito legal. Aumentou o número de especulações, as pessoas vêem atrás de informações, mas, mesmo antes do The Voice Brasil, minhas datas já eram apertadas. Agora, por exemplo, tenho pouquissímas datas disponíveis para 2020, já começamos a abrir o calendário de 2021. Aumentou a procura para eventos coorporativos e em casas de shows. Se a proposta for interessante, é sempre bem-vinda. 

Então, a sua carreira na realização de casamentos já havia se consolidado antes do programa?

Sim, tenho esse trabalho há 15 anos, minha carreira e minha empresa são estabelecidades, a Splendore é uma das maiores do Estado. Fazemos casamentos todos os finais de semana, ano passado cheguei a cantar em 82 casamentos, considerando que são 52 finais de semana, é um número muito grande. Fora o tempo que não contei. Acho que, se parar para contar, estou chegando a mil casamentos. Já aconteceu de, no mesmo final de semana, eu cantar em seis cerimônias diferentes. 

Você é muito presente nas redes sociais, principalmente no Instagram, seu número de seguidores aumentou?

Acho que, no meu caso, como fiquei pouco no programa, não aumentou muito o número de seguidores, foram seis mil novos, até agora. Tenho seguidores que se interessam por vários momentos diferentes do meu dia e da minha personalidade. Tenho aqueles que me seguem por causa da maternidade, porque sou uma defensora do parto natural, então, me seguem para saber o que falo sobre isso e sobre as minhas experiências. Tenho seguidores que me seguem por causa do meu salão de beleza, o Seletto. Além daqueles, que querem apenas me ver cozinhando. Inclusive, daqui um mês, quero fazer um sorteio para algumas pessoas jantarem comigo, porque sempre que cozinho recebo mensagens de seguidores pedindo para serem convidados. Ainda não está muito definido, mas é mais ou menos isso. 

O programa está na 8ª temporada, mas os ganhadores das edições não estouraram, são poucos que ainda possuem destaque. Por que você acha que, apesar de ser um programa de grande audiência, a carreira desses cantores não decolou como a dos jurados?

Sinceramente, não sei porque isso acontece, no The Voice de outros países não é assim, os cantores continuam na mídia por muito tempo depois que saem do programa. Aqui no Brasil, o cantor é, no máximo, falado em um programa no dia seguinte, depois desaparece, parece que não passa de um reality show. Se fosse um programa que investisse na carreira dos ganhadores, seria incrível. Sei de pessoas que foram até a semifinal e hoje não conseguem vender um show. Graças a Deus não dependo de venda de shows para trabalhar, tenho estrutura para isso. Mas, imagina quem não tem? É muito difícil. Venci na música com um pouco de sorte, mas também com muita luta. Talvez poderia ter sido outra pessoa no meu lugar. Acho que o The Voice Brasil poderia dar esse valor um pouco maior, mas não depende só da Globo, ela é o trampolim de ouro. E vou agradecer para sempre. 

O que falta para Cuiabá se tornar um polo de cantores de sucesso, como São Paulo e Rio de Janeiro?

Acho que falta incentivo cultural, é muita burocracia e, para um show acontecer, depende da liberação de muitas pessoas. Poderia haver uma taxa, que qualquer cantor poderia pagar e se apresentar. Ou que tenha incentivo do Governo, por exemplo, fui para o The Voice Brasil e não recebi nenhuma ligação do prefeito para me dar parabéns. Representei Cuiabá e Mato Grosso, acho que, outra pessoa no meu lugar, merecia esse reconhecimento. Tantas pessoas foram para o programa e não sei se já receberam algum incentivo, mas o Estado e o Município te honrarem, faz muita diferença. Não vai para frente justamente por isso, não tem apoio. O apoio que tem, precisa passar pelas mãos de muitas pessoas. 

Pensa em ir para fora do Estado ou acha que conseguiria desenvolver uma carreira em Cuiabá?

Não tenho nenhuma ideia ou proposta de fazer isso. Quero continuar aqui em Cuiabá, fazendo a diferença onde estou, se não consigo mudar a minha casa ou a vida do meu vizinho, por que vou para outro lugar? Acho que tudo começa dentro da nossa casa, fazendo a diferença na vida daquelas pessoas que estão com a gente. Meu propósito não é apenas musical. Falo muito sobre nosso equilíbrio emocional e procurar aquilo que nos ajusta, não aquilo que está acima de nós. Não posso dizer que daqui um ano estarei conquistando multidões, se não conquistei o porteiro, se não agradeço o trabalhador que abastece meu carro. Quero fazer diferença aqui onde estou, não preciso ir para outro lugares.

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