ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 13 de Junho de 2019, 13h:26 | Atualizado: 13/06/2019, 13h:46

Cirurgião afirma que plástica deixou de ser elitizada e alia beleza a saúde - veja vídeo

Gabriel Felsky, ex-presidente do CRM, fala sobre cobrança pelo corpo perfeito e cirurgia mais em conta

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Gabriel Felsky

 

Com o propósito de garantir que pessoas com menor poder aquisitivo realizem o sonho de fazer uma cirurgia plástica, o Plasticando, projeto lançado por quatro cirurgiões plásticos, em Cuiabá, permitirá acesso a procedimentos até então considerados restritos à classe média alta e rica. Apesar de o projeto vislumbrar o embelezamento, um dos fundadores da iniciativa, Gabriel Felsky dos Anjos, 55 anos, avalia que apesar de existir certa "ditadura da beleza", a busca por procedimentos sem nescessidades é uma realidade causada pela questão cultural e oferece riscos aos pacientes, quando há exagero. Por outro lado, defende que o contentamento estético também é saúde, porque se trata de autoestima.

Confira os principais trechos da entrevista:

O Brasil é o segundo país onde mais se realiza cirurgias plásticas ficando atrás apenas dos EUA. O que motiva a busca por essas intervenções?

Talvez pelo fato de o Brasil ser um país tropical, onde o corpo está sempre a vista e as pessoas se interessem mais. Se você vai à Europa, em países mais frios onde o corpo é mais coberto, a procura é muito menor. É uma questão cultural dos brasileiros valorizarem o corpo.

Muitos apontam que as pessoas procuram cirurgiões por conta da chamada “ditadura da beleza” e a necessidade de se exibir um corpo perfeito. Como cirurgião, o senhor concorda com essa cobrança social?

Não diria uma ditadura da beleza, apesar de que exista influência social. Nós vivemos em uma sociedade na qual você se importa com o que os outros pensam. De certa forma, quando se vê cobrança por vaidade e maior estética, acaba aderindo a este tipo de valores.

Essa cobrança pode levar as pessoas a terem algum comportamento perigoso?

Quando existe excesso e exagero não é benéfico. Mas dentro de uma harmonia e equilíbrio é positivo cuidar do corpo e da saúde. Afinal a beleza faz parte da saúde. O indivíduo não estará saudável se estiver insatisfeito com a autoestima.

Dentro dessa perspectiva, a cirurgia plástica pode se tornar um risco ao paciente quando buscada para se sentir feliz?

Sim, existe um transtorno chamado dismorfofobia, que é quando o paciente começa a se perder nesta questão, quando acha que tratando do corpo, tratará da mente. Então, começa a confundir, e nunca estará bem, porque o problema é outro, é psíquico, psiquiátrico. Tem que tomar muito cuidado, o cirurgião plástico tem que avaliar, encaminhar a um psiquiatra, e o paciente não pode se perder.

Existem casos em que pacientes insistem em fazer cirurgia sem necessidade?

Existem muitos casos nos quais os pacientes tentam transferir um problema somático para um problema corporal. Cabe ao cirurgião orientá-lo, discutir e mostrar que a cirurgia não vai deixá-lo satisfeito.

Dayanne Dallicani

Gabriel Felsky

O cirurgião plástico Gabriel Felsky dos Anjos em entrevista exclusiva ao Rdnews, em seu consultório; ele falou sobre cobrança pelo corpo perfeito

Qual o perfil de quem procura um cirurgião plástico?

No Brasil, a maioria ainda é mulher, em torno de 80%, com idade entre 30 e 45 anos, dependendo da cirurgia até mais novas. Em termos de poder aquisitivo, a classe média.

Por ser um procedimento caro, como ficam as pessoas que não conseguem poder aquisitivo para fazê-las?

No passado a cirurgia plástica era bem elitizada. Hoje, o país evoluiu, a renda das pessoas melhorou e existe maior acessibilidade dessas classes com menor poder aquisitivo.

Muitas pessoas têm buscado passar por cirurgias com profissionais menos qualificados ou que atuam fora dos padrões do mercado de cirurgia estética. Esse tipo de busca pode trazer riscos?

Dayanne Dallicani

Gabriel Felsky

Gabriel Felsky explica projeto Plasticando em entrevista ao Rdnews

É fundamental que quando a pessoa procura fazer uma cirurgia plástica, faça com um cirurgião plástico, um profissional qualificado que teve seus seis anos de faculdade, mais três anos de cirurgia geral e mais três anos de cirurgia plástica, ou seja são 12 anos de formação, em detrimento daquele profissional que não tem essa especialidade, que fez um curso de fim de semana, como existem vários por aí. E o risco, lógico, é maior. Toda cirurgia possui riscos, mas o profissional mais bem capacitado vai fazer o possível para diminuir os riscos junto ao paciente.

Nos últimos anos muito se noticiou sobre erros médicos e mortes de pacientes que fizeram algum procedimento. Isso gera uma preocupação?

Sem dúvida isso gera uma preocupação para a sociedade e também para a classe médica. Porque o objetivo de quem quer fazer uma cirurgia é ter o mínimo de complicações. A medicina não é uma ciência exata, mas cabe ao profissional diminuir os riscos.

Em Mato Grosso havia um projeto “Plástica para Todos”, com a ideia de popularizar cirurgias plásticas. Mas foi suspenso por causa de morte de pacientes. O que diferencia do “Plastificando”?

Não conheço o Plástica para Todos, mas no Plasticando haverá profissionais de Cuiabá, e com isso, nenhuma paciente ficará desassistida, o que será fundamental para os cuidados, para a relação médico-paciente.

Como surgiu a ideia do “Plasticando” e como vai funcionar?

Surgiu após uma reunião entre eu, Dr. Magno, Dr. Benedito e Dr. Borges. Nós tivemos essa ideia de montar um grupo para tentar captar pessoas de menor poder aquisitivo e com o sonho de fazer cirurgia plástica. Nós estudamos muito a população, e decidimos montar nosso grupo no Hospital Geral Universitário, onde atenderemos. Vamos dar prioridade à questão de segurança, todos os pacientes terão que fazer o pós-operatório. Só serão liberados para cirurgia se estiver tudo certo. Não vamos associar cirurgias e nem fazer procedimentos muito longos. Tudo isso com o objetivo de reduzir riscos. Montamos um consultório dentro do HGU e esperamos conseguir dar oportunidade para essa camada da população.

Confira trecho da entrevista com o cirurgião Gabriel Felsky:

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